A não perder

Novos critérios de diagnóstico do Lúpus Eritematoso Sistémico


MGFamiliar . - Sunday, November 25, 2012
Mariana Rio, USF São João do Porto

Para o diagnóstico de Lúpus Eritematoso Sistémico (LES) são utilizados os critérios de classificação criados em 1982 pelo Colégio Americano de Reumatologia (CAR), que foram revistos em 1997 (mas não validados). Estes critérios têm várias falhas: duplicação de sinais de lúpus cutâneo (fotossensibilidade e rash malar) e não inclusão de outras manifestações cutâneas, omissão das manifestações neurológicas do LES, dos níveis baixos de complemento e necessidade de inclusão dos anticorpos anti-fosfolípidos e inclusão de doentes sem critérios de doença auto-imune. Múltiplos grupos de trabalho tentaram aperfeiçoar estes critérios e neste artigo da Arthritis & Rheumatism, publicado a 8 de agosto de 2012, o CAR procurou melhorar os critérios que tinha criado. Vários critérios possíveis foram apresentados por médicos especialistas nos diferentes sistemas de órgãos afetados pelo LES e após sua derivação e validação foram identificados 17 critérios (ver artigo original para acesso à lista completa).

A. Critérios clínicos: 1. Lúpus cutâneo agudo 2. Lúpus cutâneo crónico 3. Úlceras orais 4. Alopécia não cicatrizante 5. Sinovite 6. Serosite 7. Lesão renal 8. Sinais e sintomas neurológicos 9. Anemia hemolítica 10. Leucopenia ou Linfopenia 11. Trombocitopenia

B. Critérios imunológicos: 1. Valores de anticorpos anti-nuclear (ANAs) acima dos limites de referência laboratoriais 2. Valor de anticorpos anti-DNA de cadeia dupla (anti-dsDNA) acima dos limites de referência laboratoriais 3. Anticorpos anti-Sm positivo 4. Anticorpo anti-fosfolípidos positivo 5. Fatores do complemento diminuídos 6. Teste de Coombs directo. 

Para a classificação do LES deverão estar presentes pelo menos 4 critérios clínicos e imunológicos (pelo menos 1 critério tem de ser clínico e 1 imunológico) ou o doente deverá ter nefrite lúpica confirmada por biópsia na presença de ANAs ou anti-dsDNA. Esta nova classificação foi mais sensível (97% para 83%; P < 0,0001) do que a classificação atualmente usada mas menos específica (84% para 96%; P<0,0001). Algumas das falhas dos critérios anteriores foram colmatadas, nomeadamente em relação às manifestações cutâneas, deixou de ser necessária a documentação da artrite por radiografia, a razão proteínas/creatinina na urina passou a ser suficiente para avaliação da proteinúria, são incluídos mais sintomas neurológicos, o critério hemático foi dividido em 3 e foram incluídos os valores diminuídos dos fatores do complemento.

Embora este conjunto de critérios não tenha sido testado para diagnóstico de LES, são simples, completos e estão validados para a sua utilização em investigação e na abordagem da doença.

Comments
Post has no comments.

Post a Comment




Captcha Image