Filmes que tocam

O homem que viu o infinito

MGFamiliar ® - Sunday, July 17, 2016




De vez em quando surgem-nos filmes com aspectos biográficos de homens notáveis do mundo das ciências e do mundo académico. Uma das características deste tipo de filmes é o facto de permitirem aos espectadores descobrir algum do trabalho científico desses notáveis e descobrir, em simultâneo, aspectos daquele lado humano tantas vezes desconhecido. Nesta linha, recordo filmes como “Uma mente brilhante” ou “A teoria de tudo”. E tudo isto a propósito de um filme que é possível ver por estes dias nas nossas salas de cinema: “O homem que viu o infinito”.

Este filme fala-nos do matemático notável, Srinivasa Ramanujan, que viveu no princípio do século XX. O filme é bem revelador do conflito recorrente na história da humanidade entre os preconceitos de uma sociedade que se julga superior, e a evidência que a ciência revela, tantas vezes desconcertante e surpreendente. Um filme que toca também pela abordagem da crueldade do mundo académico e a nós, médicos, permite o contacto com uma doença infecto-contagiosa na era pré-antibióticos...

Jeremy Irons e Dev Patel têm neste filme um desempenho de excepcional qualidade.

 



Sinopse
Srinivasa Ramanujan (Dev Patel) é um génio autodidata de 25 anos de idade, que não conseguiu entrar na universidade devido ao seu estudo quase obsessivo e solitário da matemática. 
Determinado a prosseguir a sua paixão, Ramanujan escreve uma carta a um eminente professor do Trinity College, em Cambridge. 
O Professor Hardy (Jeremy Irons), reconhece a originalidade e o génio do talento puro de Ramanujan e, apesar do ceticismo dos seus colegas, empenha-se em trazê-lo para Cambridge para que as suas teorias possam ser exploradas.
Ramanujan deixa a família e a sua jovem noiva, e cruza o mundo até Inglaterra para, sob a orientação de Hardy, trabalharem nas suas teorias. 
Juntos, vão lutar para que o seu trabalho seja finalmente visto e reconhecido por um meio matemático que não está preparado para os seus métodos não convencionais. 
O Homem Que Viu o Infinito é a improvável história verídica de um génio único, cujas inovadoras teorias o levaram a sair da obscuridade, num mundo em plena guerra, e da sua luta incansável para mostrar ao mundo a genialidade da sua mente.
Fonte: UCI Cinemas


Ficha técnica
Título original: The Man Who Knew Infinity
2015; Género: Drama, Biográfico; Estados Unidos, 108 min.
Realização: Matt Brown
Argumento: Matt Brown
Produção: Matt Brown, Jon Katz, Edward R. Pressman, Joe Thomas, Jim Young
Elenco: Jeremy Irons, Dev Patel, Toby Jones, Stephen Fry, Jeremy Northam, Kevin McNally, Enzo Cilenti, Shazad Latif, Pádraic Delaney



A família Bélier

MGFamiliar ® - Thursday, August 27, 2015


Nem sempre acertamos na escolha do filme aquando da ida ao cinema... Mas, de tempos a tempos, surge um filme que nos faz vibrar, que nos faz viver sensações e emoções fortes. E, no fim do filme, saímos leves, com uma vontade enorme de voltar a ver o mesmo filme. Foi isso que senti ao visionar o filme “A família Belier”.  Tocou-me pelo argumento, mas também pelo encanto das imagens, da música, e pela alegria contagiante que transmite. Uma história de uma família, como tantas outras, mas contada com muito engenho e arte. 

O único aspecto negativo que saliento é o descuido que houve ao não se apresentar no filme a linguagem gestual de forma correcta. Com isso, desrespeita-se toda a comunidade de pessoas que usa a linguagem gestual para comunicar.

Algumas curiosidades:

Este filme recebeu 6 nomeações para os Césares (prémios do cinema francês), tendo a actriz Louane Emera, que interpreta a personagem principal, recebido o prémio de de Melhora Actriz Revelação.

O jovem que interpreta o papel de irmão da actriz principal tem surdez na vida real.














Por Carlos Martins



Amigos improváveis

MGFamiliar ® - Saturday, May 31, 2014

Eu diria: tocante e hilariante! Regra geral, os filmes que abordam os temas de saúde têm um fim dramático… mas este não. Todo ele é divertido! Até a banda sonora!

Intouchables é um filme francês de 2011, escrito e realizado por Olivier Nakache e Éric Toledano, adaptado de um livro autobiográfico de Philippe Pozzo di Borgo.

Conta a história de Phillippe, um tetraplégico milionário que procura um auxiliar de ação médica, e de Driss, um jovem dos subúrbios de Paris que precisa de emprego. Driss, apesar de não ter qualquer formação para o cargo e contra tudo e todos, é contratado. Forma-se assim uma relação peculiar entre um rico aristocrata e um jovem acabado de sair da prisão, pois Driss não vê Philippe como um inválido! Estes dois amigos improváveis acabam por questionar tudo: a ética, a condição social, a raça e até a cultura musical e a pintura!

Envolvemo-nos nesta relação genuína entre “paciente e cuidador”, onde são trazidos à tona assuntos tabus como higiene pessoal, desejo e sexo num tetraplégico, entre outros. Uma leitura rica do mundo, das suas ambiguidades, das suas hipocrisias e preconceitos!

Recomendo.

O trailer:

 

Informação técnica


Paula Mendes – USF Maxisaúde

 

 

 

A rapariga que roubava livros

MGFamiliar ® - Friday, February 07, 2014

 

Confesso que ainda não acabei de ler o livro em que se baseia, mas gostei mesmo muito deste filme.

Um filme que pode ser visto com jovens adolescentes e que a todos prende ao desenrolar da narrativa. Numa reflexão sobre a vida mantém-nos em suspenso, ansiosos por descobrir o desfecho da história. Um outro aspecto que muito me agradou: a forma pedagógica como se aborda a morte. Este filme poderá vir a ser uma ferramenta interessante para quem trabalha com crianças adolescentes, quando surgir a necessidade de trabalhar o tema “morte”.

Em breve, na secção "O livro que mais me tocou", falar-vos-ei do livro... :))

 

Um filme a não perder que está agora no cinema... Eis o trailer...

  

 

 

 

  Por Carlos Martins

O Escafandro e a borboleta

MGFamiliar ® - Thursday, January 16, 2014

 

Le scaphandre et le papillon é um filme franco-americano de 2007, realizado por Julian Schnabel adaptado de um livro autobiográfico de Jean Dominique Bauby.

Conta a história de um jornalista, editor da revista Elle, bem-sucedido e apaixonado pela vida. Após sofrer um acidente vascular cerebral, desenvolve um síndrome raro – síndrome do encarceramento (locked in syndrome), causado pela lesão de partes específicas do cérebro e do tronco cerebral inferior, sem qualquer dano para o cérebro superior. Jean-Dominique fica completamente paralisado, movimentando apenas o olho esquerdo. A sua paralisia e os aparelhos nos quais vive recluso, simbolizam o escafandro. A partir daí deparamo-nos com um homem que recusa aceitar o destino e aprende a comunicar: pisca o olho uma vez para dizer sim e duas vezes para dizer não. Com a ajuda da de uma fonoaudióloga, que lhe mostra as letras do alfabeto, forma palavras e frases “escrevendo” a sua obra ao longo de 15 meses. Cria um mundo próprio através daquilo que não se paralisou: a sua imaginação e sua memória. Assim, assemelha-se a uma borboleta que se liberta do seu casulo e voa livremente!

O livro de Jean Dominique Bauby foi publicado em Março de 1997. Três dias depois o autor morre subitamente de uma pneumonia.

Trago-vos este filme por ter conseguido transmitir, sem artifícios, toda a angústia desse homem prisioneiro no próprio corpo. Em parte foi conseguido por uma filmagem peculiar: o uso constante da câmara a partir da personagem principal, pelo que raramente vemos a personagem de frente, explorando assim a realidade que o rodeia. É uma história incrível de como o ser humano pode ultrapassar obstáculos e como a força de vontade e a convicção podem levar ao alcance daquilo que aparentemente é impossível!

Deixo-vos aqui o trailer do filme…

 

 

 

 

 

E aqui a versão integral em francês e sem legendas...

 

 

 

 

 

 

 Paula Mendes

 

 

Um Método Perigoso

MGFamiliar ® - Saturday, December 07, 2013

 

 

Em “Um Método Perigoso” David Cronenberg aborda a génese da psicanálise através das relações entre Sigmund Freud, Carl Jung e Sabina Spielrein.

Spielrein, apesar do nome germânico era russa e vinha de uma família judaica rica.

Estas suas raízes, a par com a sua elevada cultura e patologia, contribuiriam para catalisar os laços e as fronteiras entre Jung e Freud que neste filme são encarnados, respectivamente por Michael Fassbender e Viggo Mortensen. Estas duas representações mereceram críticas francamente positivas na imprensa especializada.

Desafiado pelo produtor Jeremy Thomas (é curioso este pormenor de “fita encomendada”) o realizador canadiano filma, afinal, o seu universo: as sombras escondidas pelas máscaras conscientes.

Cronenberg, baseando-se no texto do excelente dramaturgo Christopher Hampton (recordemos “Expiação), acrescenta profundidade ao que poderia ser apenas um filme biográfico e de época.

Sob as tensões deste triângulo notável o espectador depreende a fragilidade e firmeza de Emma Jung bem como o fantasma das duas guerras que se avizinham, com a barbárie nazi como exemplo colectivo e individual dos instintos que permanecem ocultos pela capa do progresso.

 

Pode ver o filme aqui...

 

 

 

Luís Monteiro
http://pt.linkedin.com/in/luismiguelmonteiro

 

Despertares

MGFamiliar ® - Saturday, October 12, 2013

Encefalite letárgica, uma doença da qual sabemos muito pouco e a maioria de nós nunca observou um doente por ela afetado. Existiu um surto epidémico desta doença entre 1916 e 1930 cuja etiologia ainda hoje se desconhece.  Em 1969, um jovem neurologista, o Dr. Oliver Sacks, torna-se médico de um grupo de doentes institucionalizados, vítimas desta doença. Decide experimentar um medicamento novo e tudo o que a partir daí se desenrola, é realmente admirável. O Dr. Oliver Sacks publica um livro em que relata a sua experiência profissional e é a partir deste livro que é realizado o filme "Awakenings".

Um filme notável e simplesmente belo. Recebeu 3 nomeações para os óscares: melhor filme, melhor argumento adaptado e melhor actor. Robert de Niro e Robbin Williams têm um desempenho notável.

Um filme que desperta em nós bons e puros sentimentos. Alguns deles até têm a ver com a génese da nossa vocação: do porquê de querermos ser médicos. E também sobre o admirável dom da vida. 

Deixo-vos 3 pequenos vídeos.... O primeiro tem uma cena muito bonita do filme, o suficiente para apreciar a mestria de representação de Robert de Niro.

O segundo permite-nos conhecer o verdadeiro Dr. Oliver Sacks, os verdadeiros doentes que ele tratou. Quem viu o filme vai gostar muito de ver esta reportagem! Reparem na semelhança entre o médico e o actor Robin Williams.

O terceiro é um verdadeira peça de museu: um vídeo do arquivo da British Medical Association datado de 1925 em que se demonstra um caso de uma paciente com encefalite letárgica - não é muito bonito de se ver...

 

Um pouco do filme

 

 

 

A verdade por detrás do filme

 

 

 

 Um caso real de 1925

 

 

 Informação adicional:

  What caused the 1918-30 epidemic of encephalitis lethargica?

  The Accuracy of the film Awakenings

 

Deixem o vosso comentário em baixo!

Espero que tenham gostado deste post. A mim, deu-me muito gosto escrevê-lo!  :))

Carlos Martins

 

 

 

Wit

MGFamiliar ® - Saturday, April 20, 2013

"You have cancer"... É assim que começa este filme.

Está lá tudo... Como não dar uma má notícia, como não efectuar o consentimento informado. A medicina centrada na doença e na investigação, em detrimento da medicina centrada na "Pessoa". O médico, o super-especialista, o interno, a enfermeira, a paciente. Como não efectuar um exame ginecológico. Como não exercer medicina...

Está lá tudo.

Há filmes que, nós médicos, não devíamos deixar de ver...

 

Poderá ver este filme aqui com legendas em espanhol:

 



Informação técnica do filme: IMDB



Carlos Martins

 


Un Heureux Événement

MGFamiliar ® - Monday, December 31, 2012

“Un Heureux Événement” abre uma janela simultaneamente elegante e real para os desafios da maternidade e paternidade.

O realizador Rémi Bezançon consegue captar os dilemas que a sociedade e a medicalização fomentam num acontecimento que se pretende feliz e, sempre, marcante.

Este retrato humano da maternidade deve muito à excelente representação de Louise Bourgoin. Neste filme a bela actriz "eleva-se a um novo patamar" (Christophe Narbonne, Première).

O Cinema Francês de qualidade é uma excelente proposta para romper com a rotina  de Hollywood.

                                                                                                                                                                  Luís Monteiro

                                                                                                        http://pt.linkedin.com/in/luismiguelmonteiro

Do céu caiu uma estrela

MGFamiliar ® - Saturday, December 22, 2012

"Do céu caiu uma estrela" ou, no seu título original "It's a wonderful life", foi um filme que me tocou e continua a tocar... É um filme que conta de uma forma notável uma história que é simples, mas que transmite uma mensagem notável. É que por maior que seja o desespero, por maior que seja a "crise", não podemos nunca perder a esperança.

Fico sempre atormentado, quando, numa consulta, um paciente me diz que já não consegue sonhar... A capacidade de olhar para trás, de analisar os aspectos positivos da vida de cada um para aí se ganhar energia e recuperar dos aspectos negativos, é isto que este filme nos oferece...

Deixo-vos esta prenda de Natal :)

Carlos Martins