Livros

Antónia Lavinha


MGFamiliar . - Friday, March 30, 2012

Leituras médicas: "Como Pensam os Médicos" por Jerome Groopman, Edição Casa das Letras, 2008

O tempo que se vai dedicando ao estudo continua a não estar contemplado no nosso horário expresso, seja qual for o modelo em que trabalhemos. Invadimos com uma total naturalidade o espaço de convívio familiar com vários períodos de tempo para estudo/ actualização. Pois foi numa dessas tardes que consegui não preencher com da profissão que paradoxalmente descobri o Livro!

Descíamos o Chiado a um Domingo. Por azar (ou por sorte) a livraria estava aberta e…Há tanto tempo que não tinha um momento de descontracção numa livraria! Não tencionava comprar nada. Apenas quis dar-me esse pequeno prazer. Percorrer as várias salas e reencantar-me com o cheiro, cor e conteúdo de uma ou outra novidade. Recordo agora que fui “lá” ter .

Estava satisfeita com o voyeurismo possível e já me dispunha a sair quando dei de caras com “Como Pensam os Médicos”. Ora como hão-de pensar? Uns melhor, outros pior… Mas como pode isso ser tema para um livro? Tinha que lhe pegar e dar-lhe aquelas voltas habituais que nos permitem avaliar superficialmente um livro que nos suscita curiosidade. Em destaque na contracapa podia ler-se “Como deve pensar um médico? (mas há receitas?) Será que o factor emocional pode afectar um diagnóstico? (claro!) O que se passa na cabeça de um médico quando trata de um doente? (vá-se lá saber? falamos tão pouco disso…).

Depois vinham por ali abaixo aquelas frases bombásticas dos jornais a promover o livro e o seu autor Jerome Groopman / Universidade de Harvard. Mas a capa não era nada apelativa: um batalhão de profissionais de saúde fardados até “aos dentes” como se fossem enfrentar um outro batalhão, mas de doentes e de preferência com gripe A !

Por sorte abri-o na pagina certa : “As estatísticas não podem substituir o ser humano; as estatísticas personificam médias, não indivíduos.” E mais adiante “…Como pensa um médico quando é obrigado a improvisar, quando se vê confrontado com um problema para o qual existem poucos ou nenhuns precedentes? (Aqui os algoritmos são basicamente irrelevantes e as evidências estatísticas inexistentes) …"

Estava comprado…e lido de um fôlego. Às vezes sabe bem ver escrito por outros inquietações que nós já alguma vez tivemos.

 

 

Outras leituras: "O Pintor de Batalhas" por Arturo Pérez-Rever, Edições ASA, 1ª Edição - Março de 2007

Por outro lado a leitura de “O Pintor de Batalhas" de Arturo Pérez-Reverte foi muito mais inquietante e inédita: vivi dentro do livro. Senti-me aquele fotógrafo de Guerra que, talvez para exorcizar os traumas das imagens que foi aprisionando na sua máquina fotográfica, mais concretamente de um em particular, troca a máquina por pincéis e vai colorindo as paredes de uma espécie de farol no Mediterrâneo .

Vivi todas as cenas num outro local: um velho moinho na ilha do Corvo- Açores.

Como os livros se enriquecem ou simplesmente alteram com o nosso eventual protagonismo… Ninguém fica indiferente a um livro que combina arte, ciência, guerra, amor, lucidez e solidariedade mesmo entre pessoas que teriam todos os motivos para se odiarem.

“Não era possível fotografar o perigo ou a culpa…” - em cenário de guerra.

Comments
Post has no comments.

Post a Comment




Captcha Image