Livros

Carlos Arroz


Joao Goncalves - Sunday, January 11, 2009

Outras leituras: "O Pintor de Batalhas" por Arturo Pérez-Rever Edições ASA, 1ª Edição - Março de 2007

Confesso-me um leitor compulsivo. Leio tudo o que posso no tempo que disponho. Sou profundamente infiel ao ponto de ter dezenas de livros que considero o livro da minha vida, o livro que mais me tocou.

Aproveitei o segundo fim-de-semana de Janeiro, no meio de um frio intenso, para, amparado por um borralho reconfortante, olhar para as estantes, escorregar pelas lombadas.

Esperando que um livro me escolhesse, já que eu, envergonhado para com todos, não quis tomar a iniciativa e magoá-los. Algum tempo depois, muito tempo depois, houve química. Nem sequer é dos mais nutridos nem dos mais badalados. Toquei-lhe e recordei de imediato.

É um romance de um autor cartaginês que fez percurso prévio como repórter de guerra, sedimentando os teóricos conhecimentos da licenciatura em Ciência Política e Jornalismo.

Arturo Pérez-Reverte tem uma escrita dura, directa, de um realismo que dói e a que não conseguimos ficar indiferentes. Este seu "O Pintor de Batalhas" confronta um repórter de guerra, premiado, com um soldado sobrevivente à guerra nos Balcãs, mas incapaz de sobreviver aos tremendos danos que a sua fotografia, premiada e capa de revista, provocou a si e à sua família.

Os diálogos são tremendos e levam-nos a inquirir, ou a procurar fazê-lo, as consequências dos nossos actos e, principalmente, das nossas omissões, dos nossos silêncios e dos nossos medos.

 

Assim, a pedido do Carlos Martins, com perdão para Pessoa, Torga, Ramalho, Miguéis, Eco, etc.,etc., talvez, ao momento, possa afirmar que este é o livro que mais me tocou.

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