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Cancro do cólon: impacto da história familiar


MGFamiliar ® - Sunday, May 22, 2016



Pergunta clínica: Qual é o risco de desenvolvimento de cancro do cólon e reto (CCR) em indivíduos saudáveis, com mais de 55 anos de idade, e com história familiar positiva?

Enquadramento: A maioria do CCR tem origem em pólipos adenomatosos com um tempo estimado de 10 anos de evolução. O oncogene K-ras está frequentemente implicado (40-50%). Alguns dos principais factores de risco para CCR são: ter um familiar de primeiro grau com a patologia; tabagismo e hábitos etílicos moderados a severos.

Desenho do estudo: Estudo de coorte (prospetivo) com dados obtidos através do estudo controlado randomizado “Prostate, Lung, Colorectal, and Ovarian cancer screening trial” (PLCO) que decorreu em 10 centros de investigação nos EUA entre 1993 e 2001. O estudo inclui 144.768 participantes com idades compreendidas entre os 55 e os 74 anos sem antecedentes pessoais de CCR. O método de rastreio utilizado para o CCR foi a sigmoidoscopia flexível. Os indivíduos que foram randomizados para a intervenção foram rastreados no início do estudo e novamente após 3 ou 5 anos. A história familiar detalhada de CCR foi obtida no início do estudo. Durante 13 anos foram recolhidos dados relativos à incidência e mortalidade.

Resultados: 10% dos participantes tinha uma história familiar de CCR. Durante os 13 anos de acompanhamento 1.44% desenvolveram CCR. O risco foi ligeiramente superior nos doentes com história familiar positiva (16.5/10.000 participantes/ano versus 12.8/10.000 participantes/ano) e aumentou ligeiramente com o número de familiares com CCR. A mortalidade por CCR foi ligeiramente superior nos doentes com familiares de primeiro grau com CCR (4.19/10.000 doentes/ano versus 3.2 doentes 10.000 participantes/ano). Nos indivíduos com familiares de primeiro grau com CCR, não houve diferenças no risco com base na idade do familiar no momento do diagnóstico de CCR.

Conclusão: Quem tem um familiar de primeiro grau com CCR, mas não o desenvolveu até aos 55 anos de idade, tem apenas um pequeno aumento no risco em comparação com a população em geral. O risco aumenta, no entanto, com o número de familiares do primeiro grau com CCR (NE = 2b)

Comentário: A importância do rastreio em Portugal deve-se à elevada incidência e mortalidade por CCR. Este estudo reforça a importância de perguntarmos e registarmos a história familiar no processo clínico como contributo para uma decisão partilhada e baseada no estado da arte actual. 

Artigo original:Gastroenterology

Por Sheila Maugi, USF Almonda



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