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Coxartrose: a dor é sinónimo de evidência radiográfica?


MGFamiliar ® - Monday, April 18, 2016




Pergunta clínica: Qual é a associação entre coxalgia e a evidência radiográfica de coxartrose?

Enquadramento: A coxartrose é importante fonte de morbilidade. Para o diagnóstico de coxartrose em paciente com coxalgia, geralmente é realizada uma radiografia pélvica, sendo considerado esse diagnóstico perante evidência radiográfica.

Desenho do estudo: Estudo de teste diagnóstico. Os autores avaliaram dados provenientes de dois estudos de coorte norte americanos:o “Framingham Osteoarthritis Study” (FOS) e o “Osteoarthritis Iniative” (OI). Do FOS foram avaliadas 946 pessoas com idade ≥ 50 anos. Recorrendo a uma representação visual os indivíduos foram questionados quanto à presença de dor (na maioria dos dias) e sua localização. Os que responderam afirmativamente foram submetidos a manobra de rotação interna passiva e palpação da região trocantérica. Da coorte OI foram recrutadas 4796 pessoas, entre os 45 e os 79 anos de 4 cidades diferentes. Foi utilizada uma representação visual dos locais onde comummente é reportada a dor na coxartrose. Os investigadores perguntaram se existia dor ou rigidez em alguma daquelas localizações na maioria dos dias de um mês no último ano. Todos os participantes das duas coortes foram submetidos a radiografia pélvica (teste diagnóstico). O gold standard utilizado foi clínico. Foi analisada a concordância entre dor e alterações radiográficas e, para aqueles com dor sugestiva de coxartrose, foi calculada sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo e valor preditivo negativo da radiografia pélvica como teste diagnóstico.

Resultados: Do estudo FOS, apenas 15,6% dos pacientes com coxalgia apresentaram evidência radiográfica de coxartrose e apenas 20,7% dos que tinham alterações radiográficas características de coxartrose referiram dor. Da outra coorte (estudo OI), os resultados foram 9,1% e 23,8%, respetivamente. O exame radiográfico apresentou especificidade de 90,9% e 94,3% e valor preditivo negativo de 87,6% e 84,1%, respetivamente na primeira e segunda coortes analisadas. Os valores de cada teste foram também calculados relativamente a dor referida a diferentes localizações ou, no caso da coorte FOS, à combinação com a manobra de rotação interna, sendo a dor na virilha o que apresentou maior sensibilidade (36,7% e 16,5%, respetivamente).

Comentário: Os resultados obtidos revelam baixa concordância entre coxalgia e evidência de coxartrose em radiografia pélvica. A baixa sensibilidade e o baixo valor preditivo positivo calculados permitem inferir que, num grande número de pacientes com dor, o teste não confirmará a presença da patologia e, perante um teste positivo, nem sempre a doença estará presente. Este estudo vem reforçar a importância da anamnese e exame objectivo para o diagnóstico e orientação terapêutica dos doentes com coxartrose.

Artigo original:BMJ

Por Maria João Xará, UCSP Sul-Pinheiro da Bemposta 



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