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Chocolate e risco cardiovascular


MGFamiliar ® - Monday, December 21, 2015

Pergunta clínica: O consumo de chocolate contribui para diminuir o risco de doenças cardiovasculares?

Enquadramento: As modificações no estilo de vida, especialmente relacionadas com a dieta e a actividade física, constituem a base de terapêutica não medicamentosa para a prevenção de doença cardíaca. A ingestão de polifenóis, particularmente flavonóides está associado a benefícios vasculares, reduzindo o risco de morbilidade e mortalidade cardiovascular, contribuindo assim para a prevenção de patologias crónicas. O chocolate é uma fonte de flavonóides.

Desenho do Estudo: Estudo prospectivo utilizando como base os dados da Investigação Prospectiva Europeia sobre o Cancro (EPIC) seguindo uma coorte de 25 000 habitantes na região de Norfolk, Inglaterra. Seguindo um questionário alimentar e de estilos de vida saudáveis aplicados de 1993-1997, foi quantificado o consumo de chocolate. Foram quantificados eventos cardiovasculares até Março de 2008. Adicionalmente foi realizada uma revisão sistemática comparando o consumo de chocolate com eventos cardiovasculares.

Resultados: Foram incluídos 20 951 indivíduos, com uma média de acompanhamento de 11,3 +/- 2,8 anos e uma mediana de 11,9 anos. A percentagem de participantes com Doença Coronária (DC) com consumo elevado de chocolate e com consumo baixo de chocolate foi de 9,7% e 13,8%, e as taxas de AVC foram de 3,1% e 5,4%, respectivamente. O Risco Relativo (RR) ajustado para a DC com consumo elevado de chocolate (16-99g/dia) comparativamente aos não consumidores de chocolate foi de 0,88 (IC 95% 0,77-1.01). O RR para AVC e doença cardiovascular é de 0,77 (IC 95% 0,62-0,97) e 0,86 (IC 95% 0,76-0,97). Adicionalmente foram incluídos na meta-análise 9 estudos com 157 809 indivíduos. Verificou-se que, comparando o consumo elevado de chocolate com o consumo baixo, havia um risco significativamente menor de DC (em 5 estudos o RR foi de 0,71, IC 95% 0,56-0,92), de AVC (em 5 estudos o RR foi 0,79, IC 95% 0,70-0,87), de DC+AVC (em 2 estudos o RR foi de 0,75, IC 95% 0,54-1,05) e mortalidade cardiovascular (em 3 estudos o RR foi de 0,55, IC 95% 0,36-0,83).

Conclusão: O consumo elevado de chocolate está, aparentemente, associado a um menor risco de eventos cardiovasculares.

Comentário: Este estudo não é linear, trata-se de um estudo observacional com as suas inerentes limitações, tanto que os autores reconhecem que os participantes que comem mais chocolate são em geral mais jovens, com um IMC baixo, menor pressão arterial e faziam mais exercício. Portanto, este estilo de vida pode ser responsável por este grupo estar menos sujeito às doenças cardiovasculares. Além disso, os que estão em riso de doença cardiovasculares podem ter tendência a limitar o consumo de chocolate, procurando um estilo de vida saudável. São, assim, precisos mais estudos para provar a relação causa e efeito. Contudo, pelo menos não se dispõe de evidência para se recomendar a restrição do consumo de chocolate para quem esteja preocupado com o seu risco cardiovascular. 

Artigo original: Heart

Por Ângelo Costa, USF AL-Gharb





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