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Meta-análise: controlo intensivo na HTA


MGFamiliar ® - Tuesday, August 02, 2016


Pergunta clínica: Perante um paciente com hipertensão, a redução intensiva da pressão arterial reduz a sua probabilidade de morte e sofrimento por doença cardiovascular?

Desenho do estudo: Revisão sistemática e meta-análise. Foram pesquisadas várias bases de dados, em busca de estudos, com pelo menos 6 meses de duração, que comparassem os efeitos do tratamento intensivo da HTA versus tratamento menos intensivo. Separadamente, 2 autores escolheram quais os artigos a serem incluídos, bem como classificaram a qualidade dos mesmos. Foram incluídos 19 estudos, com aproximadamente 45000 doentes, com um seguimento médio de 4 anos (cerca de metade, tinham qualidade modesta/pobre).

Resultados: O grupo em tratamento intensivo atingiu em média um valor de pressão arterial de 133/76mmHg, enquanto o grupo com tratamento menos intensivo atingiu os 140/81mmHg. Os resultados demonstraram uma pequena redução na percentagem de eventos cardiovasculares major (NNT=838) e acidente vascular cerebral (NNT=406), mas sem significado na redução de enfarte agudo do miocárdio (2%). Apesar da redução nas taxas de progressão da albuminúria e da retinopatia, não houve diminuição significativa na incidência de insuficiência cardíaca, doença renal terminal, mortalidade cardiovascular ou mortalidade geral. A maioria dos estudos falhou na identificação de efeitos colaterais do tratamento intensivo da hipertensão arterial. Dos 6 estudos que mostraram haver efeitos adversos, ocorreram efeitos adversos graves em 1.2% no grupo em tratamento intensivo versus 0.9% no grupo de tratamento menos intensivo, num intervalo de 1 ano (sendo que a hipotensão grave ocorreu em 0.3% versus 0.1% destes). Nos doentes com doença renal ou doença vascular tratados com um regime intensivo, tiveram um melhor resultado quando comparados com regimes menos intensivos.

Conclusão: Doentes hipertensos tratados intensivamente têm uma probabilidade ligeiramente inferior de ter eventos cardiovasculares majores, acidente vascular cerebral ou mesmo progressão da albuminúria ou retinopatia, quando comparados com os doentes tratados menos intensivamente. No entanto, o tratamento intensivo da HTA não mostrou efeito significativo na redução da mortalidade, na prevenção do enfarte agudo do miocárdio, nem da insuficiência cardíaca.

Comentário: Este estudo revela que o controlo intensivo da HTA não se traduz nos benefícios teoricamente esperados. Mesmo nas situações em que a abordagem intensiva demonstrou benefício, os NNT's foram elevados. Por outro lado, nesta revisão é importante destacar o escasso reporte dos efeitos adversos nos respectivos ensaios clínicos originais. Na prática clínica, será relevante ajustar a decisão terapêutica ao perfil de risco de cada paciente e integrar no processo de decisão os seus valores específicos e preferências pessoais.

Artigo original: Lancet

Por Mafalda Silva, USF Famílias 




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