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Reavaliação do diagnóstico de asma no adulto


MGFamiliar ® - Thursday, June 08, 2017



Pergunta clínica: Como reavaliar o diagnóstico de asma no adulto e descontinuar a terapêutica sem causar dano?

Enquadramento: Vários estudos têm vindo a alertar para a possibilidade de  existência de sobrediagnóstico de asma. Frequentemente, na prática clínica, surge a dúvida sobre se um paciente diagnosticado como asmático será verdadeiramente asmático e até se fará sentido interromper a terapêutica. Este estudo é um contributo e uma tentativa de esclarecer estas questões da prática clínica.

Desenho do estudo: Estudo de coorte prospetivo multicêntrico. O estudo foi realizado por seleção aleatória de adultos com 18 ou mais anos de idade, com diagnóstico clínico de asma realizado nos 5 anos anteriores, durante 3 anos. Critérios de exclusão: terapêutica com corticoides orais, gravidez, amamentação, incapacidade para realização de espirometria ou provas de provocação brônquica, antecedente de enfarte agudo do miocárdio ou acidente vascular cerebral; hábitos tabágicos com pelo menos 10 UMA. Todos os participantes foram submetidos a espirometria inicial e provas de provocação inalatória sequenciais, bem como monitorização clinica. Os doentes que estavam medicados para a asma e cuja espirometria ou a prova de provocação não diagnosticou esta doença foram sequencialmente descontinuando a medicação ao longo de 4 consultas com a duração total de 8 a 12 semanas. Os indivíduos que após este período tiveram resultados negativos para o diagnóstico de asma, foram seguidos clinicamente durante um ano, sem terapêutica para a doença estudada. 613 participantes completaram o estudo e foram avaliados quanto ao diagnóstico atual de asma.

Resultados: O diagnóstico de asma foi excluído em 203 dos participantes que completaram a avaliação (33,1%; 95% CI, 29,4%-36,8%). Estes adultos, comparando com os doentes com asma confirmada, tinham menos probabilidade de estarem a cumprir medicação para o controlo da asma e apresentavam menos evidência de terem realizado espirometria ou provas de provocação no início do seu diagnóstico clínico. Após o período anual de seguimento, 6 dos indivíduos (2,9%) voltaram a apresentar sintomas e retomaram tratamento e 12 pessoas foram diagnosticadas com doenças respiratórias graves.

Comentário: Este estudo alerta para o sobrediagnóstico de asma. Após avaliação caso a caso pelo médico de família pode fazer sentido reavaliar, nalguns casos, o diagnóstico de asma e interromper a terapêutica. Contudo, este é um tema em que o debate científico é pertinente e actual. 

Artigo original: JAMA

Por Paulo Fernandes, USF Águeda +Saúde 




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