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Meta-análise: pouco exercício é melhor do que nada


MGFamiliar ® - Sunday, November 01, 2015



Pergunta clínica: A actividade física, moderada a vigorosa, inferior aos 150 minutos recomendados por semana, pode diminuir a mortalidade dos adultos com idade superior ou igual a 60 anos?

Enquadramento: A actividade física mostrou ser importante para um envelhecimento activo, conseguindo reduzir a mortalidade e aumentar a qualidade de vida. Apesar de existirem recomendações para a quantidade de exercício físico que os adultos com idade superior ou igual a 60 anos devem realizar, essa dose frequentemente não é alcançada.

Desenho do estudo: Revisão sistemática e meta-análise. Pesquisa nas bases de dados PubMed e Embase de artigos publicados até Fevereiro 2015. Apenas foram incluídos estudos coorte prospectivos e estudos considerados metodologicamente de elevada qualidade. Tendo em conta os equivalentes metabólicos de tarefa (MET)-min semanais foram estabelecidos 4 níveis de actividade física. Inactivo: 0 METS-min/semana; Baixo: 1-499 METS-min/semana; Médio: 500-999 0 METS-min/semana (o actualmente recomendado, equivalente a 150 min de MVPA) e Alto: ≥1000 METS-min/semana.

Resultados: Dos 835 artigos obtidos após a pesquisa, identificaram-se 9 estudos coorte que focavam exclusivamente a relação entre actividade física moderada a vigorosa e a mortalidade em adultos com ≥60 anos, totalizando 122417 participantes, com um tempo de seguimento médio de 9,8 ± 2,7 anos e 18122 mortes (14,8%).Uma quantidade baixa de actividade física moderada a vigorosa (1-499 MET-min/semana) resultou numa redução de 22% no risco de mortalidade (RR = 0,78 (95% CI 0,71-0,87), p<0,0001). Uma dose de actividade física moderada a vigorosa de acordo com as recomendações actuais (500-999 MET-min/semana) trouxe mais benefícios, atingindo uma redução de 28% em todas as causas de mortalidade nessa população (RR = 0,72 (95% 0,65-0,80), p<0,0001). Quando se foi além dos 1000 MET-min/ semana, observou-se uma redução de 35% em relação à população inactiva (RR = 0,65 (95% CI 0,61-0,70), p<0,0001).

Conclusão: a actividade física moderada a vigorosa numa dose inferior ao actualmente recomendado associou-se a uma menor mortalidade a 10 anos para todas as causas em adultos de idade superior ou igual a 60 anos.

Comentário: Os resultados mostram que qualquer quantidade de exercício é melhor do que a ausência de exercício e que os efeitos benéficos são cumulativos. Além disso, observou-se a existência de uma relação dose-efeito, pelo que maiores quantidades de actividade física associaram-se a um menor risco de morte. Os autores salientam ainda que mostrar que esses benefícios existem, mesmo para quantidades mais baixas, podem encorajar à sua prática na população em estudo.

Artigo original:Br J Sports Med

Por Ana Vaz Ferreira, USF Mondego   





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