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Luvas não esterilizadas na pequena cirurgia


MGFamiliar ® - Sunday, October 25, 2015




Pergunta Clínica: o uso de luvas esterilizadas na pequena cirurgia diminui a incidência de posterior infecção, em comparação com luvas não esterilizadas?

Enquadramento: O uso de luvas esterilizadas está preconizado em procedimentos cirúrgicos em que existe um risco elevado de contaminação e de disseminação de microrganismos entre profissionais e utentes. Os procedimentos de pequena cirurgia, em contexto de cuidados de saúde primários, devem ser feitos garantindo segurança ao doente e também o uso adequado dos recursos.

Desenho do estudo: Estudo prospetivo, aleatorizado e controlado. de não inferioridade, num único centro de saúde australiano. A investigação decorreu de 30 de Junho 2012 a 28 de Março 2013. 478 doentes foram distribuídos aleatoriamente em dois grupos: no primeiro grupo os profissionais de saúde usaram luvas limpas não-esterilizadas (n = 241), e no grupo controlo foram usadas luvas esterilizadas (n = 237). Marcador primário: a existência de infeção da ferida no momento da remoção da sutura.

Resultados: A incidência de infeção no primeiro grupo (8,7%; IC95% 4,9%-12,6%) foi significativamente não-inferior em comparação com a incidência no grupo controlo (9,3%; IC 95% 7,4%-11,1%). Não houve efeitos adversos importantes.

Conclusão: Os resultados do estudo sugerem que, em relação à prevenção de infeção da ferida operatória, em pequenas excisões nos cuidados de saúde primários, as luvas limpas encaixotadas, não esterilizadas, não são inferiores às luvas esterilizadas.

Comentário: Este artigo é atual, original e pertinente pois aborda um aspecto da economia da saúde em CSP. A salientar como limitação à investigação o facto dos profissionais saberem que estava a usar luvas não-esterilizadas o que pode ter condicionado o seu comportamento. A realização de pequenos procedimentos cirúrgicos (como a colocação de implantes contracetivos) é cada vez mais frequente nas unidades de saúde (UCSP ou USF) e, portanto, os resultados deste estudo podem sustentar eventuais alterações de procedimentos, que devem ser validadas pelas entidades competentes.

Artigo original:Med J Aust

Por Luís Paixão, UCSP Fernão de Magalhães 





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