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Porque pesamos as grávidas por rotina?


MGFamiliar ® - Wednesday, September 21, 2016




Pergunta clínica: Pesar as grávidas por rotina durante as consultas de saúde materna poderá reduzir o excessivo aumento ponderal durante a gravidez?

Desenho do estudo: Ensaio clínico randomizado e controlado, num centro terciário obstétrico em Melbourne, Austrália. A população foi constituída por grávidas saudáveis, com idades compreendidas entre os 18 e os 45 anos, sendo necessário que a vigilância da gravidez tivesse início antes das 21 semanas de gestação. Como critérios de exclusão consideraram-se as mulheres com comorbilidades médicas, abuso de substâncias ou não fluentes em língua inglesa. Em todas as consultas o grupo intervenção foi pesado e esclarecido pelo médico quanto às normas e guidelines recomendadas pelo Institute of Medicine (IOM) relativamente ao aumento de peso gestacional e suas consequências deletérias. O grupo intervenção foi pesado rotineiramente em todas as consultas e, adicionalmente foram-lhe explanadas as recomendações quanto ao adequado aumento de peso gestacional, tendo o grupo controlo apenas sido pesado no início do seguimento e às 36 semanas. O outcome primário deste estudo foi a diferença de ganho ponderal entre os grupos, sendo os outcomes secundários o aumento de peso de acordo com as recomendações do IOM, a morbilidade materna e neonatal. 782 mulheres aceitaram participar neste estudo, tendo sido randomizadas para o grupo controlo 396 grávidas e 386 grávidas para o grupo intervenção.

Resultados: Não se encontrou diferença com significado estatístico relativamente ao ganho ponderal entre o grupo intervenção e o grupo controlo (0,54 kg/semana vs 0,53 kg/semana, p=0,63). A proporção de grávidas que teve um aumento de peso superior ao recomendado foi semelhante em ambos os grupos (75% no grupo intervenção e 71% no grupo controlo, p=0,21). Apesar de não terem existidos diferenças quanto ao parâmetro Índice de Massa Corporal, verificou-se uma tendência, ainda que não significativa, para o aumento ponderal excessivo ser superior em mulheres com excesso de peso/obesidade no grupo rotineiramente pesado. Não existiram igualmente diferenças estatisticamente significativas nos outcomes secundários, maternos e neonatais, entre os dois grupos. 

Comentário: Este estudo, surpreendente na minha perspectiva, leva-nos a reflectir sobre a efectividade de muitas das medidas que adoptámos como rotina: será que estaremos, de facto, a ser efectivos ou apenas mecanizados? A mensagem estará a ser passada de forma centrada no paciente ou centrada nas convicções do médico? Por outro lado, este estudo decorreu num centro terciário de cuidados, onde a relação médico-utente pode não ter sido estabelecida de forma sólida, influenciando desta forma os resultados.  

Artigo original: BJOG

Por Ana Rita Magalhães, USF Topázio



Comments
Tania commented on 24-Sep-2016 11:21 PM
Mas pesar as gravidas nas consultas de rotina é muito mais do que para incentivar aumento de peso adequado. É tambem para vigiar alterações nesse aumento.
Uma gravida que numa consulta tenha um aumento diferente do esperado pode ter indicação para rastreio de algumas patologias como pre eclampisa, por ex.
Usar a pesagem só para prevenir excesso de peso na gravida é muito redutor de toda a importancia deste procedimento.
Anonymous commented on 26-Sep-2016 11:07 PM
Pois Tania, só que também não houve diferença..
"Não existiram igualmente diferenças estatisticamente significativas nos outcomes secundários, maternos e neonatais, entre os dois grupos"


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