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Revisão USPSTF: rastreio de autismo


MGFamiliar ® - Wednesday, July 06, 2016



Pergunta clínica: Quais os benefícios e riscos da aplicação de testes de rastreio de perturbações do espectro do autismo a todas as crianças?

Enquadramento: As perturbações no espectro do autismo são um transtorno do desenvolvimento caracterizado por deficiências persistentes e significativas na interação social e na comunicação e por comportamentos restritivos e repetitivos. Em 2010, a prevalência estimada nos Estados Unidos foi de 14,7 casos por 1000 crianças. Uma série de testes estão disponíveis para o respetivo rastreio. A ferramenta mais estudada é o M-CHAT e suas revisões posteriores. Em Portugal, o Plano Nacional Saúde Infantil e Juvenil (DGS 2013) recomenda a aplicação do questionário M-CHAT "com o objetivo de rastrear as perturbações no espectro do autismo".

Desenho do estudo: Revisão sistemática. A United States Preventive Services Task Force (USPSTF) realizou uma revisão para avaliar a evidência científica disponível sobre a precisão, benefícios e potenciais danos do uso de testes de rastreio para identificar as perturbações no espectro do autismo em crianças da população geral. População alvo: crianças entre 18 e 30 meses de idade para as quais não há suspeita de patologia por parte dos pais, profissionais de saúde, ou outros cuidadores.

Resultados: A evidência é insuficiente para avaliar se o uso das ferramentas de rastreio correntes (por exemplo, M-CHAT, M-CHAT-F, M-CHAT-RF) tem benefícios ou danos nas crianças que não mostram sinais perceptíveis de perturbações do espectro do autismo (Grau I recomendação). Não existem estudos disponíveis sobre os resultados clínicos ou a eficácia do tratamento posterior em crianças para as quais são identificadas perturbações no espectro do autismo no rastreio. Foi encontrada pouca evidência de dano do rastreio, e a USPSTF conclui que os possíveis danos são pequenos. Os médicos devem continuar a prestar muita atenção às preocupações dos pais e utilizar instrumentos de avaliação validados (por exemplo, M-CHAT) para orientar as decisões da necessidade de prosseguir a avaliação de diagnóstico e encaminhamento. Deve ser dada especial atenção às crianças e aos pais de populações que sofram de subdiagnóstico da perturbações no espectro do autismo na infância por causa da língua, raça/etnia, condição socioeconómica, acesso a cuidados de saúde, ou outras barreiras aos cuidados.

Comentário: A evidência ainda não é suficientemente forte para permitir recomendações a favor ou contra o rastreio universal. Mais e melhor investigação deverá levar a recomendações mais sustentadas no futuro. No entanto, segundo esta revisão os possíveis danos da aplicação indiscriminada do rastreio são pequenos, logo faz sentido aplicar o M-CHAT sempre que o médico achar pertinente, principalmente nas populações que eventualmente estejam subavaliadas e, portanto, com provável subdiagnóstico. 

Artigo original:JAMA

Por Diogo Anes, USF Pulsar 



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