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Risco de neoplasia após radioterapia diminuiu desde 1970


MGFamiliar ® - Tuesday, June 06, 2017




Pergunta clínica: As mudanças nas doses de radiação usadas na radioterapia desde os anos 1970 estão associadas a modificações no risco de neoplasia futura nos sobreviventes de cancro na infância?

Enquadramento: Desde os anos 70, as doses de radioterapia e quimioterapia nos cancros infantis alteraram-se. Desconhece-se se estas alterações fizeram variar o risco de neoplasia futura em sobreviventes de cancro na infância.

Desenho do estudo: Foi realizado um estudo de coorte retrospectivo multicêntrico, dos indivíduos com sobrevida superior a 5 anos antes dos 21 anos de idade tratados em hospitais terciários nos Estados Unidos e Canadá entre 1970-1999, com follow-up até Dezembro de 2015. Foram avaliados 23603 sobreviventes de cancro infantil durante um follow-up médio de  20.5 anos.

Resultados: As neoplasias malignas subsequentes mais frequentes foram da mama e tiróide. As neoplasias benignas mais frequentes foram meningiomas. Também foram frequentes os cancros de pele não-melanoma. A proporção de doentes que recebeu radiação diminuiu desde os anos 1970, bem como as doses de radiação utilizadas. Ao longo das décadas em estudo, a incidência cumulativa de cancro subsequente aos 15 anos pós-cancro infantil diminuiu significativamente.

Conclusões: As mudanças decrescentes na dose de radiação utilizadas no tratamento de cancro infantil estão associadas a redução do risco de cancros subsequentes nestes pacientes, apesar de o risco se manter aumentado quando comparados com a população geral.

Comentário: Ao longo do tempo verificou-se uma preocupação crescente da comunidade médica por diminuir a toxicidade associada à radioterapia, sem comprometer a eficácia dos tratamentos antineoplásicos. Este trabalho reforça essa importância ao provar que a redução de dose de radiação está também associada a uma diminuição da incidência de neoplasia futura. No entanto, devido aos conhecidos efeitos pró-cancerígenos da radiação, estes doentes permanecem com um risco de cancro subsequente superior ao da população geral.

Artigo original: JAMA

 Por João Simões, USF UarcoS



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