Prescrição Racional

Após enfarte, evitar AINEs


MGFamiliar ® - Monday, June 08, 2015



Pergunta clínica: os anti-inflamatórios não esteróides (AINEs) aumentam o risco de hemorragia e eventos cardiovasculares em adultos que fazem terapia antitrombótica após enfarte agudo do miocárdio (EAM)?

Enquadramento: O tratamento antitrombótico está indicado em doentes após EAM. No entanto o uso concomitante de AINEs poderá representar problemas de segurança, mesmo após tratamento a curto prazo.

Desenho do estudo: Estudo coorte que decorreu na Dinamarca (2002-2011), e estudou doentes com idade superior ou igual a 30 anos, internados com o primeiro episódio de EAM, e com sobrevivência 30 dias após a alta. Foi determinado o tratamento subsequente com aspirina, clopidogrel, ou anticoagulantes orais e suas combinações, com o uso concomitante de AINEs. Foram avaliados os episódios hemorrágicos com necessidade de internamento hospitalar ou evento cardiovascular, nomeadamente paragem cardíaca, EAM recorrente não fatal, e acidente vascular cerebral.

Resultados: Incluídos 61.971 doentes (idade média de 67.7 [DP, 13.6]; 63% homens); destes, 34% aviaram, pelo menos, uma prescrição de AINEs. O número de óbitos durante um período de acompanhamento médio de 3,5 anos foi 18.105 (29.2%). Ocorreram 5.288 eventos hemorrágicos (8.5%) e 18.568 eventos cardiovasculares (30.0%). As taxas de incidência de hemorragia (eventos por 100 pessoas-ano) foram de 4.2 (95% IC, 3.8-4.6) com uso concomitante de AINEs e 2.2 (95% IC, 2.1-2.3) sem uso de AINEs, ao passo que as taxas de eventos cardiovasculares foram de 11.2 (95% IC, 10.5-11.9) e 8.3 (95% IC, 8.2-8.4), respectivamente. Um aumento do risco de eventos hemorrágicos e cardiovasculares foi evidente com o uso de AINEs, independentemente do tratamento antitrombótico, e em tão pouco tempo como 0 a 3 dias após o seu início, com persistência pelo menos durante 90 dias. Uma análise de sensibilidade com exclusão de doentes com artrite reumatóide (que aumenta de forma independente o risco de doença cardiovascular) não alterou os resultados. Todo o tipo de AINEs foi associado a um risco aumentado de hemorragia e de eventos cardiovasculares, embora o celecoxib e diclofenac apresentassem riscos superiores ao ibuprofeno e naproxeno.

Conclusão: Os AINEs aumentam o risco de hemorragia e eventos cardiovasculares em adultos que fazem terapia antitrombótica após EAM.

Comentário: Será importante alertar os pacientes, nestas circunstâncias, para estes riscos dos AINEs e conferir sempre a medicação habitual, incluindo a medicação em SOS, pois por vezes é adquirida sem receita médica ou aconselhada por terceiros.

Artigo original:JAMA

Por Sheila Maugi, USF Almonda




 

 

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