Prescrição Racional

Inovação: novo fármaco para a dislipidemia


MGFamiliar ® - Tuesday, July 07, 2015


Pergunta clínica: Qual a segurança e eficácia do alirocumab na redução da dislipidémia e dos eventos cardiovasculares?

Enquadramento: O alirocumab é um anticorpo monoclonal que inibe a proproteína convertase subtilisina–quexina tipo 9 (PCSK9). Esta molécula tem demonstrado reduzir os níveis de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) em doentes que estão medicados com uma estatina.

Desenho do estudo: Ensaio clínico randomizado controlado duplamente cego. Realizado em 27 países, em fase 3, com duração de 78 semanas. Comparando alirocumab (150 mg a cada 2 semanas) com placebo em 2341 doentes (≥18 anos) com alto risco para eventos cardiovasculares e com níveis de colesterol LDL ≥70 mg/dl que estavam a receber tratamento com estatinas na dose máxima tolerada (a dose mais elevada associada a um perfil de efeitos secundários aceitáveis), com ou sem outra terapia de redução de lípidos. Os participantes do estudo foram randomizados numa proporção de 2:1 na toma de alirocumab ou placebo por injecção subcutânea de 1 ml a cada 2 semanas durante 78 semanas, sendo avaliados a cada 2 semanas. Esta avaliação consistia na determinação do perfil lipídico e segurança (sintomatologia, alterações analíticas, electrocardiográficas e cardiovasculares). Todos os doentes foram instruídos a seguir alterações no estilo de vida (dieta de acordo com o National Cholesterol Education Program) durante todo o estudo. O marcador primário (outcome) foi a percentagem de redução do LDL. Também se avaliaram os efeitos secundários. E, numa análise posterior, foram avaliados os seguintes marcadores: morte por doença coronária, EAM não fatal, AVC isquémico fatal ou não fatal e angina instável requerendo hospitalização.

Resultados: Na semana 24, a diferença entre os grupos de placebo e alirocumab no que diz respeito ao colesterol LDL foi de -62% (p <0,001); o efeito do tratamento permaneceu consistente durante um período de 78 semanas. Os eventos adversos foram similares em ambos os grupos (81% no alirocumab e 82,5% no placebo). O grupo alirocumab, em comparação com o grupo placebo, teve maior taxa de reacções no local da injecção (5,9% vs. 4,2%), mialgias (5,4% vs. 2,9%), eventos neurocognitivos (1,2% versus 0,5%) e eventos oftalmológicos (2,9% vs. 1,9%). A taxa de eventos adversos cardiovasculares major foi menor com alirocumab do que com placebo (1,7% vs. 3,3%; taxa de risco, 0,52; intervalo de confiança de 95%, 0,31-0,90; P nominal = 0,02).

Comentário: Neste estudo, o alirocumab, quando adicionado a uma estatina na dose máxima tolerada, reduziu significativamente os níveis de colesterol LDL e verificou-se, numa análise posterior, uma redução da taxa de eventos cardiovasculares. No entanto, a duração do follow-up foi curta (78 semanas) pelo que necessitamos de evidência mais robusta antes de considerarmos o alirocumab como uma opção terapêutica eficaz e segura. Por outro lado, o marcador primário era um marcador orientado para a doença, apesar de na análise posterior terem sido avaliados marcadores orientados para o paciente. É ainda de salientar que este fármaco não está ainda disponível em Portugal. Contudo, poderá vir a constituir uma terapêutica alternativa na área das dislipidemias no futuro.

Artigo original: N Engl J Med

Por Nuno Monteiro, USF Locomotiva









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