Prescrição Racional

Tratamento conservador da apendicite aguda


MGFamiliar ® - Sunday, September 13, 2015




Pergunta clínica: na apendicite aguda não complicada, poderá a antibioterapia impedir a necessidade de apendicectomia?

Enquadramento: o tratamento ideal da apendicite aguda não complicada ainda se mantém controverso. As principais opções neste dilema são o tratamento conservador com antibioterapia e o tratamento cirúrgico com exérese do apêndice íleo-cecal.

Desenho do estudo: ensaio clínico aleatorizado de não inferioridade, foram incluídos 530 participantes com idades entre os 18 e os 60 anos, com apendicite aguda não complicada confirmada por TC (excluídos os pacientes com apendicolite, abcesso, perfuração e suspeita de tumor). Parte dos pacientes incluídos foi submetida a tratamento com ertapenem endovenoso,1g por dia, durante 3 dias, seguido de levofloxacina oral, 500mg uma vez por dia, e metronidzaol, 500mg, tid, durante 7 dias. Os restantes foram submetidos a apendicectomia por laparotomia. O seguimento dos participantes decorreu durante 1 ano por telefone e por consulta do processo hospitalar.

Resultados: do grupo de pacientes submetidos a apendicectomia, esta foi bem sucedida em 99,6%. A 6% destes foi realizada apendicectomia por via laparoscópica.

Do grupo sujeito a tratamento com antibioterapia, 72,7% não realizou apendicectomia durante o ano de seguimento (IC 95%, 66,8%-78,0%) e nenhum teve formação de abcesso.

A taxa de complicações pós-intervenção (duração da incapacidade temporária, infecção da ferida cirúrgica, pneumonia, diarreia, hérnia incisional, obstrução intestinal por formação de aderências, dor abdominal persistente) foi muito mais baixa no grupo sob antibioterapia (2,8% vs 20,5%; NNT 5,7; 4,2 - 8,4).

No grupo sujeito a antibioterapia que posteriormente foi submetido a apendicectomia, a taxa de complicações foi muito inferior à taxa dos submetidos a apendicectomia de urgência (7,0% vs 20,5%)

Conclusão: a maioria dos pacientes com apendicectomia não complicada tratada com antibioterapia não necessitou de realizar apendicectomia durante o ano seguinte e os que precisaram tiveram uma taxa de complicações significativamente inferior aos que foram submetidos a apendicectomia de urgência.

Comentário: nas nossas urgências, grande parte das apendicectomias são realizadas por laparotomia, com alguns centros já a dar preferência à laparoscopia. Sabendo que uma intervenção cirúrgica acarreta risco de complicações, este artigo veio demonstrar a segurança de um tratamento conservador, alternativo e eficaz.

Artigo original

Por Mariana Rio, USF São João do Porto





Comments
Daniel Pais commented on 17-Sep-2015 12:28 PM
Na verdade, faltou traduzir que o que o estudo concluiu foi que a abrdagem conservadora é inferior à abordagem cirúrgica no tratamento da apendicite aguda... "The intention-to-treat analysis yielded a difference in treatment efficacy between groups of -27.0% (95% CI, -31.6% to ∞) (P = .89). Given the prespecified noninferiority margin of 24%, we were unable to demonstrate noninferiority of antibiotic treatment relative to surgery"
FCossutta commented on 16-Jan-2016 03:09 PM
Obrigado Daniel pelo comentário.

Esta revisão confirma que PARA JÁ não é seguro recomendar os AB, a cirurgia continua a ser o gold standard.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26526329


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