Prescrição Racional

Corticosteróides na crise de enxaqueca


MGFamiliar ® - Monday, April 27, 2015

 

Pergunta clínica: A utilização de corticosteróides associada aos esquemas terapêuticos habituais previne a recidiva da enxaqueca no curto prazo(3dias)?

Enquadramento: A enxaqueca é uma das cefaleias mais frequentes, e dificulta ou impede as actividades de vida diária. A dor é tipicamente unilateral, pulsátil, dura 4 a 72h, é acompanhada de náuseas e/ou vómitos, fotofobia e sonofobia. A eficácia de um fármaco no tratamento agudo das crises deve incluir não só a redução/eliminação da dor nas primeiras 2 horas, mas também a prevenção da recidiva. Existem várias alternativas e esquemas terapêuticos recomendados, mas os corticosteróides não costumam ser incluídos nesses esquemas terapêuticos.

Fonte: Sinopse de evidência elaborada por colegas do Alberta College of Family Physicians.

A revisão sistemática incluiu 7 estudos randomizados e controlados, com uma amostra de 786 doentes com enxaqueca que recorreram ao Serviço de Urgência. Para além da terapêutica farmacológica habitual, os doentes receberam uma dose de 10 a 24 mg de dexametasona (via intravenosa) ou placebo.

Resultados: A administração de dexametasona conduziu a uma redução estatisticamente significativa em comparação com o placebo (37,2% vs 46,6%, NNT=11) na recorrência de enxaqueca 24-72h após alta hospitalar. No entanto, doses superiores a 15 mg não mostraram resultados superiores. Os efeitos adversos foram semelhantes ao placebo. A principal limitação da maioria dos estudos foi o curto período de follow-up (≤ 3 dias). O uso de dexametasona via oral não foi eficaz na diminuição do número de recorrências de enxaqueca.

Conclusão: A utilização adicional de dexametasona (via IV) ao tratamento habitual diminui o risco de recorrência de enxaqueca, após 24-72h da sua administração.

Comentário: Esta sinopse da evidência publicada é um contributo para uma eventual revisão da medicação da crise de enxaqueca. Deste modo será possível evitar, pelo menos parcialmente, a utilização exagerada de múltiplos fármacos frequentemente observada neste tipo de doentes, assim como a consequente tolerabilidade desenvolvida, fornecendo, deste modo, uma solução eficaz para uma patologia bastante comum e com um impacto profissional, pessoal e familiar significativo.

Artigo original:Tools for Practice

Por Estefânia Correia, USF Pedras Rubras

 

 

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