Prescrição Racional

Meta-análise: NOACS em pacientes acima dos 75 anos


MGFamiliar ® - Sunday, April 03, 2016



Pergunta clínica: Nos idosos os novos anticoagulantes orais (NOAC) são mais eficazes e seguros para a prevenção de acidente vascular cerebral (AVC) na fibrilhação auricular (FA) não valvular e para a prevenção secundária de tromboembolismo venoso (TEV) do que os antagonistas da vitamina K (AVK)?

Desenho do estudo: Revisão sistemática e meta-análise que incluiu ensaios clínicos randomizados em fase II ou III, de novembro de 1993 a junho de 2014, com pelo menos 3 meses de seguimento, sobre a eficácia e risco hemorrágico dos NOAC (dabigatrano, apixabano, rivaroxabano e edoxabano) comparativamente aos AVK em participantes idosos com idade ≥75 anos tratados por TEV agudo ou para prevenção de AVC na FA. Foram colhidos os dados relativos à população ≥75 anos e à população total de cada estudo. Os principais outcomes avaliados foram a recorrência de TEV e o AVC/ embolismo sistémico (eficácia) e a hemorragia major (segurança). Os outcomes secundários avaliados foram a hemorragia gastrointestinal, intracraniana, hemorragia clinicamente relevante e fatal.

Resultados: Dos 19 artigos elegíveis, apenas 11 reportavam dados específicos em idosos. A eficácia em termos de prevenção de evento trombótico para cada NOAC foi similar ou superior à dos AVK neste grupo etário. Foi observado um aumento não significativo do risco de hemorragia major com o dabigatrano 150mg relativamente aos AVK (OR 1.18; 0.97-1.44), o que não se verificou com a dose de 110mg. Demonstrou-se um aumento significativo do risco de hemorragia gastrointestinal com o dabigatrano 150mg (OR 1.78; 1.35-2.35) e 110mg (OR 1.40; 1.04-1.90) em relação aos AVK, mas também uma diminuição significativa do risco de hemorragia intracraniana com o dabigatrano 150mg (OR 0.43, 0.26-0.72) e 110mg (OR 0.36, 0.22-0.61). Detetou-se uma diminuição significativa do risco de hemorragia major com o apixabano (OR 0.63, 0.51-0.77), edoxabano 60mg (OR 0.81, 0.67-0.98) e 30mg (OR 0.46, 0.38-0.57), enquanto o rivaroxabano apresentou riscos semelhantes aos dos AVK.

Comentário:  Esta meta-análise procurou sistematizar os riscos e os benefícios do uso dos NOAC em idosos; de facto, esta faixa etária é particular pela frequência de comorbilidades, polimedicação e alterações farmacocinéticas. Porém, dado não terem sido encontrados ensaios clínicos conduzidos especificamente nesta população, os autores analisaram o subgrupo ≥75 anos de cada estudo, o que pode constituir uma limitação, apesar de, no total, ter englobado um número alargado de participantes (31 418). Nos idosos, os NOAC demonstraram uma eficácia pelo menos similar à dos AVK na prevenção de eventos trombóticos, mas o padrão hemorrágico foi distinto entre os diversos NOAC. A escassez de dados relativos ao risco hemorrágico do apixabano, edoxabano e rivaroxabano em idosos indicam a necessidade de desenvolver mais estudos que clarifiquem a sua segurança nesta faixa etária. De salientar, ainda, a necessidade de estudos comparativos entre diferentes NOAC.

Artigo original:Circulation

Por Catarina Pinho, USF Pevidém 



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