Prescrição Racional

Ómega-3 e carotenóides previnem declínio cognitivo?


MGFamiliar ® - Sunday, June 26, 2016


Pergunta clínica: poderá uma dieta rica em ácidos gordos ómega-3 e/ou carotenóides reduzir o declínio cognitivo em adultos com degenerescência macular relacionada com a idade?

Enquadramento: o estudo “Age Related Eye Disease Study” consistiu num ensaio clínico de cinco anos e demonstrou resultados positivos para a suplementação dietética com luteína e zeaxantina (carotenóides) em termos de redução da progressão para Degenerescência Macular Relacionada com a Idade (DMRI) avançada nos pacientes do estudo. De facto, esta suplementação demonstrou uma redução de 10% na progressão para DMRI avançada. Por outro lado, e baseando-se no facto de que alguns estudos sugeriam uma associação entre dietas ricas em ácidos gordos ómega-3 e menor taxa de progressão para Doença de Alzheimer, os investigadores convidaram os pacientes do ensaio a testar os efeitos da suplementação oral de ómega-3 e carotenóides, na função cognitiva.

Desenho do estudo: Ensaio clínico randomizado e duplamente cego, em 82 centros oftalmológicos americanos, envolvendo pacientes de alto risco para desenvolver DMRI desde Outubro de 2006 até Dezembro de 2012. Um subgrupo deste ensaio, elegível para estudo de avaliação cognitiva, foi dividido em 4 braços terapêuticos após consentimento informado: (1) suplementação diária com 1g de ácidos gordos ómega-3, (2) suplementação com carotenóides (10 mg luteína e 2 mg zeaxantina), (3) suplementação com ómega-3 e carotenóides ou (4) placebo. Além da avaliação oftalmológica anual, vários testes cognitivos foram aplicados com base em entrevista telefónica por profissionais treinados, no início do ensaio e a cada 2 anos do estudo. Considerou-se como outcome primário a alteração nos scores obtidos nos testes de função cognitiva comparativamente com os primeiros, realizados no início do ensaio. Os dados foram ajustados a possíveis factores de confundimento: idade, sexo, nível educacional, história de HTA ou depressão e comparados entre os grupos suplementados vs o não suplementado. Um total de 374 participantes do ensaio aceitou participar no subgrupo de avaliação da função cognitiva (89%). A média de idades foi de 72,7 anos, sendo 57,5% do sexo feminino

Resultados:. Após ajuste aos factores de confundimento, não se encontrou diferença estatisticamente significativa nos scores cognitivos entre nenhum braço terapêutico nem entre os grupos suplementados vs o não suplementado. Adicionalmente também não se encontrou diferença estatisticamente significativa nos efeitos adversos entre os diferentes grupos.

Comentário: são inúmeros os estudos existentes na área da suplementação dietética e declínio da função cognitiva. De facto, é tentador tentar encontrar uma solução “natural” para este flagelo das sociedades desenvolvidas, os défices cognitivos e as demências. Contudo, são escassas as intervenções que demonstram benefícios claros nesta área. Neste ensaio, a suplementação com carotenóides e ácidos gordos ómega-3 não revelou benefício. 

Artigo original:JAMA

Por Ana Rita Magalhães, USF Topázio  



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