Prescrição Racional

Pioglitazona e cancro da bexiga


MGFamiliar ® - Monday, May 30, 2016




Pergunta clínica: Em doentes com diabetes tipo 2 o uso de pioglitazona está associado a maior risco de cancro da bexiga comparativamente a outros antidiabéticos?

Enquadramento: A associação entre a pioglitazona e o cancro da bexiga é um tema controverso com destaque para o estudo PROactive, de 2005, mas desde então os resultados dos estudos observacionais têm sido controversos.

Desenho do estudo: Estudo de coorte de base populacional que incluiu 145806 doentes registados na base de dados United Kingdom Clinical Practice Research Datalink (CPRD) que iniciaram algum antidiabético (exceto insulina) de 1 de janeiro de 2000 a 31 de julho de 2013, com seguimento até 31 de julho de 2014. Foram incluídos pacientes com idade ≥40 anos e com pelo menos um ano de registos na CPRD previamente à prescrição. Foram excluídos doentes com prescrição prévia de insulina, diagnóstico de diabetes gestacional ou síndrome dos ovários poliquísticos, antecedentes de neoplasia da bexiga e aqueles com menos de um ano de seguimento na CPRD após entrada na coorte. O uso de pioglitazona foi tratado como uma variável dependente de tempo, englobando o período de um ano após a sua utilização tendo em conta os possíveis efeitos de latência. A análise estatística utilizou o modelo de riscos proporcionais de Cox para estimar, com intervalos de confiança de 95%, razões de risco ajustadas de incidência de cancro da bexiga associadas ao uso de pioglitazona no geral, por tempo cumulativo de uso e dose cumulativa. Foram realizadas análises semelhantes para a rosiglitazona.

Resultados: A coorte incluiu 689616 pessoas por ano de seguimento, durante os quais 622 doentes foram diagnosticados com cancro da bexiga. Comparativamente aos outros antidiabéticos, a pioglitazona foi associada a um aumento do risco de cancro da bexiga (121 vs. 88.9 por 100000 pessoas-ano, HR 1.63, IC 95%, 1.22-2.19). Por outro lado, a rosiglitazona não foi associada a um risco aumentado de cancro da bexiga (86.2 vs. 88.9 por 100 000 pessoas-ano, HR 1.10, 0.83-1.47). Relações de duração-resposta e dose-resposta foram observadas para a pioglitazona, mas não para a rosiglitazona.

Comentário: Este estudo de população alargada revela que a pioglitazona está associada a um risco aumentado em 63% de incidência de cancro da bexiga (121 por 100000 pessoas-ano), risco que aumenta com a duração de utilização e a dose. Por outro lado, a ausência de associação com a rosiglitazona sugere que este risco é específico do fármaco e não um efeito de classe.  De realçar que o mecanismo responsável pelo efeito da pioglitazona na bexiga não se encontra totalmente definido, pelo que são necessários mais estudos no sentido do seu esclarecimento.

Artigo original:BMJ

Por Catarina Pinho, USF Pevidém  



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