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Voz: Alice Vieira (autora) Do Público.pt
O livro que mais me tocou
J. Silva Henriques, méd. de família Abílio Malheiro, médico de família Tiago Villanueva, médico de família Maria José Ribas, méd. de fam. Carlos Arroz, médico de família António Alvim, médico de família Miguel Melo, médico de família Rosa Gallego, médica de família Jaime Correia de Sousa, méd. fam. Mónica Granja, médica de família Conceição Outeirinho, méd. fam. Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
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Voz: Raquel Méndez (autora) Ilustração: Helga Bansch Do Público.pt
Vozes: Isabel Minhós Martins (autora) e Bernardo Carvalho (ilustrador) Editora: Planeta Tangerina Do Público.pt
Vozes: Carla Maia de Almeida (autora) e André Letria (ilustrador) Editora: Caminho Do Público.pt
Ana Sardinha, médica de família Leitura Médica
Michael Balint Climepsi, 1998
Há muitos anos atrás, quando iniciava funções como Clinica Geral sem fazer a mais pequena ideia do que era ser Médica de Família, tendo apenas uma forte convicção de que o que eu queria mesmo era ser médica das pessoas, trouxeram até mim um livro médico que de imediato ficou na minha memória como algo de muito especial. (cont.)
Outras leituras
Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo Editorial Caminho, 2005 Leitura que embala em sonhos que podem preencher a vida, faz apreciar e valorizar coisas simples que existem no quotidiano e que tantas vezes passam despercebidas, e permite perceber que se pode amar sem palavras... (cont.)
O livro que mais me tocou
Conceição Outeirinho, méd. fam. Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
O livro que mais me tocou
Conceição Outeirinho, méd. fam. Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
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O livro que mais me tocou
Por Antónia Lavinha, médica de família
Leituras médicas: "Como Pensam os Médicos" por Jerome Groopman, Edição Casa das Letras, 2008.
O tempo que se vai dedicando ao estudo continua a não estar contemplado no nosso horário expresso, seja qual for o modelo em que trabalhemos. Invadimos com uma total naturalidade o espaço de convívio familiar com vários períodos de tempo para estudo/ actualização. Pois foi numa dessas tardes que consegui não preencher com <coisas> da profissão que paradoxalmente descobri o Livro! Descíamos o Chiado a um Domingo. Por azar (ou por sorte) a livraria estava aberta e…Há tanto tempo que não tinha um momento de descontracção numa livraria! Não tencionava comprar nada. Apenas quis dar-me esse pequeno prazer. Percorrer as várias salas e reencantar-me com o cheiro, cor e conteúdo de uma ou outra novidade. Recordo agora que fui “lá” ter . Estava satisfeita com o voyeurismo possível e já me dispunha a sair quando dei de caras com “Como Pensam os Médicos”. Ora como hão-de pensar? Uns melhor, outros pior… Mas como pode isso ser tema para um livro? Tinha que lhe pegar e dar-lhe aquelas voltas habituais que nos permitem avaliar superficialmente um livro que nos suscita curiosidade. Em destaque na contracapa podia ler-se “Como deve pensar um médico? (mas há receitas?) Será que o factor emocional pode afectar um diagnóstico? (claro!) O que se passa na cabeça de um médico quando trata de um doente? (vá-se lá saber? falamos tão pouco disso…). Depois vinham por ali abaixo aquelas frases bombásticas dos jornais a promover o livro e o seu autor Jerome Groopman / Universidade de Harvard. Mas a capa não era nada apelativa: um batalhão de profissionais de saúde fardados até “aos dentes” como se fossem enfrentar um outro batalhão, mas de doentes e de preferência com gripe A ! Por sorte abri-o na pagina certa : “As estatísticas não podem substituir o ser humano; as estatísticas personificam médias, não indivíduos.” E mais adiante “…Como pensa um médico quando é obrigado a improvisar, quando se vê confrontado com um problema para o qual existem poucos ou nenhuns precedentes? (Aqui os algoritmos são basicamente irrelevantes e as evidências estatísticas inexistentes) …" Estava comprado…e lido de um fôlego. Às vezes sabe bem ver escrito por outros inquietações que nós já alguma vez tivemos.
Outras leituras: O Pintor de Batalhas por Arturo Pérez-Rever Edições ASA, 1ª Edição - Março de 2007
Por outro lado a leitura de “O Pintor de Batalhas" de Arturo Pérez-Reverte foi muito mais inquietante e inédita: vivi dentro do livro. Senti-me aquele fotógrafo de Guerra que, talvez para exorcizar os traumas das imagens que foi aprisionando na sua máquina fotográfica, mais concretamente de um em particular, troca a máquina por pincéis e vai colorindo as paredes de uma espécie de farol no Mediterrâneo . Vivi todas as cenas num outro local: um velho moinho na ilha do Corvo- Açores. Como os livros se enriquecem ou simplesmente alteram com o nosso eventual protagonismo… Ninguém fica indiferente a um livro que combina arte, ciência, guerra, amor, lucidez e solidariedade mesmo entre pessoas que teriam todos os motivos para se odiarem. “Não era possível fotografar o perigo ou a culpa…” - em cenário de guerra.
Antónia Lavinha Participe nesta secção, comente este artigo:
Livros relacionados com medicina
Comunicação em Contexto Clínico José M. Mendes Nunes Edições Bayer Health Care, 2007
Excelente livro sobre a arte da comunicação na consulta. A não perder.
Manual de Medicina Familiar Ian R. McWhinney Inforsalus, 1994
Tradução do original inglês "A Textbook of Family Medicine" de 1989. Uma autêntica "porta de entrada" à Medicina Geral e Familiar.
Ian R. McWhinney - 2nd ed. Oxford University Press, 1997 Disponível na Livraria MGF.zon
André R. Biscaia, José N. Martins, Mário F. L. Carreira, Inês F. Gonçalves, Ana R. Antunes, Paulo Ferrinho Padrões Culturais Editora, 2006
Redacção e Apresentação de Trabalhos Científicos Pedro Serrano Relógio D'Água Editores, 1996
Classificação Internacional de Cuidados Primários - ICPC 2, segunda edição Comissão Internacional de Classificações da WONCA APMCG - Departamento Editorial, 1999
Evidence-Based Medicine Sharon E. Straus, W. Scott Richardson, Paul Glasziou, R. Brian Haynes Elsevier Churchill Livingstone, 2005
Disponível na Livraria MGF.zon
Narrative-Based Primary Care: A Practical Guide John Lanuner Radcliffe Medical Press Ltd, 2002
Disponível na Livraria MGF.zon
The Bellevue Guide to Outpatient Medicine: an evidence-based guide to primary care Nate Link, Michael Tanner, Danielle Ofri, Lloyd Wasserman BMJ Publishing Group, 2001Disponível na Livraria MGF.zon
A Dictionary of Epidemiology John M. Last Oxford University Press, 2001 Disponível na Livraria MGF.zon
How to Read a Paper: The Basics of Evidence-Based Medicine Trisha Greenhalgh BMJ Publishing Group, 2001 Disponível na Livraria MGF.zon
O Médico, o seu Doente e a Doença Michael Balint Climepsi, 1998
Outras leituras
Os Olhos do Homem que Chorava no Rio Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo Editorial Caminho, 2005
Falai-me de Amor Michel Quoist Edições Paulistas, 1986
O livro que mais me tocou
Armando Brito de Sá, médico de família, Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa abritosa@gmail.com
Leitura médica: Aequanimitas. With other Addresses to Medical Students, Nurses and Practitioners of Medicine de Sir William Osler. New York: The Blakinston Division, McGraw-Hill, Inc. 1937
Conheci Aequanimitas relativamente tarde – na verdade foram os escritos de Ian McWhinney que me puseram no encalço desta obra – e desde então tornou-se literalmente num dos meus livros de cabeceira. Naturalmente algumas das conferências estão hoje datadas, tendo perdido muita da sua relevância. O que torna este livro numa obra única é a forma transcendente como Osler reflecte sobre a medicina e o ser-se médico. As imagens por ele transmitidas não se limitam a reflectir a sua concepção da medicina no virar do século XIX – homens (à época ainda raras mulheres) cujo conhecimento médico tinha obrigatoriamente de assentar numa sólida cultura clássica, viajados, actualizados cientificamente, sabedores tanto do ponto de vista teórico como competentes do ponto de vista prático. Osler escreve com a maior naturalidade aforismos e pensamentos que, arrisco-me a predizer, serão lidos dentro de séculos, a par dos escritos hipocráticos. Poderá ser adquirido na Livraria MGF.zon Outras leituras: Cidadela de Antoine de Saint-Exupéry. Prefácio e tradução de Ruy Belo. Lisboa: Editorial Presença. 1996 (1ª Edição)
Cidadela é uma obra para todos os tempos e para todos os homens. Temos o dever moral de a passar de geração em geração. Comente este artigo! Armando Brito de Sá
Poderão consultar a ficha de
recenseamento deste livro na biblioteca
Gulbenkian por António
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Ana Sardinha, médica de família, USF Horizonte, Matosinhos
Leitura médica: O Médico, o seu Doente e a Doença de Michael Balint - Climepsi, 1998 Há muitos anos atrás, quando iniciava funções como Clínica Geral sem fazer a mais pequena ideia do que era ser Médica de Família, tendo apenas uma forte convicção de que o que eu queria mesmo era ser médica das pessoas, trouxeram até mim um livro médico que de imediato ficou na minha memória como algo de muito especial – O MÉDICO, O SEU DOENTE E A DOENÇA- de MICHAEL BALINT. Já li a sua tradução em português com uma introdução efectuada por um colega que à data desconhecia e que igualmente me encantou; atentem nas suas palavras: “..a perda quase completa dessa dimensão humana inter-relacional, coisificada num numero de cama de um hospital, ou num qualquer diagnóstico, onde predomina o anonimato do doente perante o imenso aparelho tecnológico da medicina actual, é uma das principais fontes de manutenção do sofrimento destes...” À medida que “avança”o conhecimento cientifico, as tecnologias “de ponta” e quanto mais me dedico à Medicina Geral e Familiar, mais me apetece ler e reler este livro, cuja permanente actualidade é impressionante. De tal maneira me “ tocou” e “toca”, que os meus internos sabem ser sempre a minha primeira recomendação, muito antes de começarem a estudar os problemas de saúde... para que aprendam também a efectuar “ trabalhos” baseados em emoções! Ser “Médico” em vez de ser “Doutor”, saber dosear a intervenção/intromissão, aprender a escutar, ser médico como “ medicamento”, lidar de forma adequada com as nossas emoções e as dos outros, e fortalecer a relação médico-doente são as “ dicas “que vos deixo, para que não adiem a leitura absorvente mas tranquila deste “ Tratado”! Até hoje continuo agradecida ao colega que me levou à sua descoberta...
Outras leituras: Os Olhos do Homem que Chorava no Rio de Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo - Editorial Caminho, 2005 É um livro da autoria de ANA PAULA TAVARES e de MANUEL JORGE MARMELO- OS OLHOS DO HOMEM QUE CHORAVA NO RIO, edições Caminho, sem dúvida o livro que mais me “tocou” do muito que li até hoje, e gostaria de o partilhar convosco, abrindo novos horizontes de leitura... Leitura que embala em sonhos que podem preencher a vida, faz apreciar e valorizar coisas simples que existem no quotidiano e que tantas vezes passam despercebidas, e permite perceber que se pode amar sem palavras... ... “ a menina anda na terra como se andasse nas águas...nas águas do Douro ...tem um “ vulto” protector com quem não fala mas ....sente-o ela e guarda-a ele...a menina antes de dormir, gosta de imaginar o mundo como um sítio onde as pessoas fossem substituídas por pequenas luzes de todas as cores...” Deixar que as emoções se soltem, chorando e sorrindo, e sentir que existe alguém que nos protege... é interiorizado na leitura deste pequeno- grande livro. “...e o tipografo chora...segue...procura...nas maciezas das margens...a noite avança e o livro não se esgota”. “...pressente que alguém espreita e lê por cima do seu ombro, mas sabe que o que ali está é um sorriso. Não olha para trás sequer, tão segura está da bondade que encontrará nos olhos de quem espreita...”. “O tipografo chora em sossego, as lágrimas que verte são felizes, leves, rasto de um explosão de coisas boas...” “...lenta como a noite, a menina espera a história abre os olhos respira mansa sobre a superfície do rio...é como escolher entre a nascente e a foz quando se quer estar na melhor no melhor sitio do rio- qual a ponta do rio que melhor enche os sentidos?” São duplas muito felizes (autores e personagens), e fazem com que a poesia se alie à prosa num complemento que torna a leitura quase musical! Não percam...e deixem-se levar pelas emoções...e por este rio- O DOURO- que como diz MIGUEL TORGA, é no mapa da pequenez que nos coube a única evidência incomensurável com que podemos assombrar o mundo! Ana Sardinha
Carlos Martins, médico de família, CS s. João, Porto Leitura
médica:
Manual de Medicina
Familiar de Ian R. McWhinney Ed. Inforsalus, 1994 Do prefácio à edição portuguesa, escrito por Vítor Ramos: "Uma disciplina científica caracteriza-se por nela poderem ser identificados um objecto de estudo, uma metodologia e um conteúdo minimamente delimitável. Ian McWhinney demonstra neste seu "Manual de Medicina Familiar" que a medicina geral e familiar cumpre, de facto, aqueles três requisitos: 1. Centra-se na PESSOA (doente ou não)... 2. Dispõe de um Método Clínico... 3. Possui um CONTEÚDO..." Esta versão traduzida por Maria Teresa Noronha de Andrade e revista por Armando Brito de Sá mantém-se actual em muitos dos seus aspectos. Foi o livro com que iniciei o meu internato complementar, marcou todo o meu internato e por vezes ainda o vou consultar. É uma excelente porta de entrada para a especialidade de Medicina Geral e Familiar. A versão original, em inglês, poderá ser adquirida na Livraria MGF.zon Outras leituras: Falai-me de Amor de Michel Quoist Edições Paulistas, 1986 "AMIGO, Senta-te. Vamos conversar... ESCUTA com o teu coração, de contrário, ouvirás o murmúrio, mas não saborearás a essência das palavras..." É assim que começa este livro. Tocou-me pela primeira vez na minha juventude e, de vez em quando, revisito-o. Relata as visitas de um jovem a um amigo "sábio". Fala da relação entre o homem e Deus, de um amor difícil de compreender à luz da razão, mas que se justifica à medida que se vai descobrindo. Fala da relação entre o homem e a mulher e do amor que os pode realizar numa plenitude difícil de imaginar. Tocou-me. Termina assim: "Na vida, não há necessidade de muita bagagem para partir. Basta amar! Lá fora o sol raiava." Um outro comentário poderá ser lido aqui...
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