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Voz: Raquel Méndez (autora) Ilustração: Helga Bansch Do Público.pt
O livro que mais me tocou
Maria José Ribas, méd. de fam. Carlos Arroz, médico de família António Alvim, médico de família Miguel Melo, médico de família Rosa Gallego, médica de família Jaime Correia de Sousa, méd. fam. Mónica Granja, médica de família Conceição Outeirinho, méd. fam. Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
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Vozes: Carla Maia de Almeida (autora) e André Letria (ilustrador) Editora: Caminho Do Público.pt
Ana Sardinha, médica de família Leitura Médica
Michael Balint Climepsi, 1998
Há muitos anos atrás, quando iniciava funções como Clinica Geral sem fazer a mais pequena ideia do que era ser Médica de Família, tendo apenas uma forte convicção de que o que eu queria mesmo era ser médica das pessoas, trouxeram até mim um livro médico que de imediato ficou na minha memória como algo de muito especial. (cont.)
Outras leituras
Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo Editorial Caminho, 2005 Leitura que embala em sonhos que podem preencher a vida, faz apreciar e valorizar coisas simples que existem no quotidiano e que tantas vezes passam despercebidas, e permite perceber que se pode amar sem palavras... (cont.)
O livro que mais me tocou
Conceição Outeirinho, méd. fam. Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
O livro que mais me tocou
Conceição Outeirinho, méd. fam. Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
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O livro que mais me tocou
Por Tiago Villanueva, interno complementar de Medicina Geral e Familiar Livro: “Singular Intimacies – Becoming a Doctor at Bellevue”1 por Danielle Ofri, 2003.
Trata-se de uma médica internista que tem feito todo o seu percurso pré e pós graduado no hospital público mais antigo dos Estados Unidos, e um centro de excelência, o Bellevue Hospital, localizado em Manhattan, Nova Iorque. Contudo, Ofri é mais conhecida por actualmente conciliar a sua prática clínica com a de escritora e editora, tendo inclusive criado uma revista no seu hospital dedicada à literatura, a Bellevue Literary Review. Os seus artigos aparecem regularmente em publicações como o New England Journal of Medicine, Journal of the American Medical Association (JAMA), The Lancet, o New York Times, etc... Quando este ano foi reeditado o seu primeiro livro pela Beacon Press (foi originalmente publicado pela Penguin), “Singular Intimacies – Becoming a doctor at Bellevue”, que descreve o seu percurso académico desde o primeiro dia como estudante de medicina dos anos clínicos até ao último dia como interna, fiquei logo com uma curiosidade enorme em conhecer um pouco melhor o percurso de uma especialista hospitalar que aparentemente encara a medicina muito para além da perspectiva biológica, e que se aventura, e ainda bem, em grande parte devido às suas inquietudes pessoais, por caminhos mais da esfera psico-social. No fundo, como ela própria admite no livro, é a sua actividade extra-assistencial que não só lhe dá o equilíbrio emocional que ela necessita, como também lhe enriquece a sua perspectiva da medicina. Quando comecei a ler o livro, pensava que o grande atractivo do livro iria ser tomar contacto com um pouco da realidade de um grande Hospital Americano. Afinal de contas, como uma vez me disse o Professor António Vaz Carneiro, os Estados Unidos ainda são o grande “farol” da medicina mundial. Por outro lado, apesar de ter decidido dedicar-me aos cuidados de saúde primários, grande parte do nosso internato é realizado a nível de instituições que prestam cuidados secundários e terciários, e portanto, a vida hospitalar também interessa e deve continuar a interessar ao interno de Medicina Geral e Familiar, até porque mesmo depois do internato, muitos médicos de família continuam a exercer medicina em ambiente hospitalar, como forma de complementar o seu trabalho no centro de saúde. Mas havia ainda outro grande aliciante. É que o Bellevue Hospital é dos hospitais mais multiculturais dos Estados Unidos, e no seu Serviço de Urgência vê-se um pouco de tudo, como Ofri descreve: (…) “Turistas Europeus com malas Gucci e um quadro de intoxicação alimentar, imigrantes Asiáticos e Africanos com infecções parasitárias estranhas, indivíduos oriundos do Bangladesh com coronárias carregadas de colesterol, “Monges Tibetanos que tinham estado em greve de fome em frente à sede das Nações Unidas” (...). Por outro lado, o Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca, na Amadora, onde realizei e onde ainda continuo a fazer grande parte dos meus estágios hospitalares, é talvez o hospital em Portugal (embora numa escala muito mais pequena) que mais se aproxima à realidade multicultural tão característica dos hospitais centrais das grandes metrópoles mundiais, e portanto, deu para estabelecer alguns paralelismos com as vivências da autora, e mesmo ter tido um pouco a sensação de “déja-vu”. Ao contrário do que tinha pensado inicialmente, o que me acabou por seduzir e conquistar definitivamente à medida que ia dissecando os capítulos do livro foram os relatos e desabafos quase “Balintianos” de experiências que a marcaram enquanto estudante e mais tarde como médica interna. Cada capítulo do seu livro ilustra um caso que a marcou de uma forma indelével. Ofri não se limita a tecer considerações sobre a componente biomédica do caso, mas vai muito para além disso para abordar também o impacto emocional de muitos casos com que lidou ao longo de todos os anos que passou em Bellevue. Desde o seu primeiro doente que seguiu enquanto ainda estudante de medicina, que a beijou descaradamente na enfermaria, passando pelas suas inseguranças enquanto estudante e interna, por casos doentes que suscitaram dilemas éticos quanto a opções de tratamento, ou casos de doentes com personalidades conflituosas, Ofri vai-nos levando numa viagem que culmina na chegada à plena maturidade como médica, confiante nas suas atitudes e nos seus actos, mas perfeitamente consciente das limitações da profissão médica e das fragilidades da natureza humana. Algumas das histórias envolveram inclusive pessoas do seu círculo íntimo de amizades, como o seu grande amigo Josh, que faleceu por morte súbita aos 27 anos, bem como tutores seus, nomeadamente o caso de um assistente hospitalar que tanto admirava, e que acabou por se suicidar inesperadamente. No fundo, cheguei à conclusão que, apesar de variarem os actores e os ambientes, os problemas encontrados por estudantes de medicina e internos de um hospital de Nova Iorque não diferirão substancialmente na sua essência, dos problemas com que se deparam diariamente internos de Medicina Geral e Familiar Portugueses. O seu livro termina de uma forma que agradará a muitos médicos de família. Quem lesse apenas o último capítulo quase que poderia pensar que Ofri era médica de família. Mas não, apesar de trabalhar num meio absorto na procura do diagnóstico e no fascínio da tecnologia, a autora prefere destacar a importância para a prática clínica dos momentos aparentemente banais do dia-a-dia de um clínico: (...) “embora muitas das histórias andem à volta de casos de pessoas gravemente doentes e que sofrem uma morte dolorosa e aparatosa, elas não ilustram com justiça o amplo espectro do que significa ser médico. São às vezes as consultas mais mundanas, ou seja, aquelas que não resultam depois em histórias dramáticas para contar, que proporcionam a gratificação e sentido de realização inerente à prática médica. O sorriso na cara do doente ao ouvir que o seu nível de colesterol total baixou, a gratidão que o doente exprime ao receber uma receita tripla em vez de uma só, a sensação de alívio por conseguir ter encontrado um intérprete de Bengali quando estava mesmo aflita à procura de um – isto são apenas fragmentos de satisfação, mas são muito mais frequentes do que as atormentadas mortes na Unidade de Cuidados Intensivos. E estes fragmentos, quando coalescem, formam uma potente alicerce de realização pessoal por dentro de mim” (…). Caso Danielle Ofri não tivesse enveredado pela medicina interna, teria dado certamente uma excelente médica de família e uma ferverosa “Balintiana”. Referências: 1 - Ofri, Danielle, Singular Intimacies: Becoming a Doctor at Bellevue. Beacon Press. 2009 2 – Ofri, D. The muse on the medical wards. Lancet. 2008 Jan 12;371(9607):110-1. Tiago Villanueva, médico interno de Medicina Geral e Familiar, USF AlphaMouro, Rio de Mouro, ACES 9 (Algueirão-Rio de Mouro). Participe nesta secção, comente este artigo:
The book that touched me the most
Book: “Singular Intimacies – Becoming a Doctor at Bellevue”1 from Danielle Ofri, 2003.
Dr Ofri is an internist who underwent both her under and postgraduate medical training in Bellevue Hospital, the oldest public hospital in the United States, which is located in Manhattan, New York. Dr Ofri is a well known figure for juggling her clinical work with being a writer and an editor, and she inclusively created a literary journal in her own hospital called Bellevue Literary Review. Her articles appear regularly on the pages of the New England Journal of Medicine, Journal of the American Medical Association (JAMA), The Lancet, o New York Times, etc... When this year I found out that Beacon Press had re-issued her first book entitled “Singular Intimacies – Becoming a doctor at Bellevue”, which describes her academic path since her first day as a clinical year medical student until her last day as a resident, I became very curious in learning a bit mote about the professional career of a hospital specialist, who, due to her personal restlessness, apparently looks at medicine much beyond the mere biological perspective, and veers inclusively towards the realm of the psycho-social sphere. After all, like she admits in the book, it is her non-clinical work that not only gives her the emotional balance she needs, but also enrichens her own perspective of medicine. When I began reading the book, I thought the big appeal of it would be learning about the reality of a big American hospital. After all, like Professor Vaz Carneiro once told me (an internist/nephrologist and Professor of Medicine at the University of Lisbon), the United States are still the great “beacon” of world medicine. On the other hand, although I have decided to pursue a career in primary health care, a great deal of our residency is carried out in institutions that provide secondary and tertiary health care. A lot of family physicians continue to work in hospital environments after residency, as a way to complement their work at the health care centre. Therefore, hospital life also matters and should continue to matter to family medicine residents. But there was still another turn-on. Bellevue Hospital is one of the most multicultural hospitals in the United States, and in the Emergency Department, one can see a bit of everything, as Ofri descries: “European tourists with Gucci bags and food poisoning, African and Asian immigrants with strange parasitic infections, middle aged Bangladeshis with craggy cholesterol-laden coronary arteries, Tibetan monks who'd been on a hunger strike in front of the nearby United Nations.” On the other hand, Professor Doutor Fernando da Fonseca Hospital, in Amadora, Greater Lisbon, where I have been doing most of my hospital rotations, is perhaps (even though on a much smaller scale) the hospital in Portugal that comes closest to a multicultural reality that is so familiar to central hospitals in the world's big metropolitan areas. It thus became possible to make some comparisons with the experiences of the author, which even led me to have a bit of a “déja-vu” feeling at times. Contrarily to what I had initially though, what ended up seducing and conquering me as I was dissecting the chapters of the book were the testimonials and almost “Balintian” rants regarding the experiences that touched her as a medical student and later on as a resident. Each chapter of her book illustrates a case that touched her in an indelible way. Ofri does not only make remarks about the biomedical aspects of the case, but goes much beyond that in order to gauge the emotional impact of many cases she dealt during the years she spent at Bellevue. Beginning with her first patient she clerked whilst a medical student, who kissed her shamelessly on the ward, continuing with her insecurities as a medical student and a resident, the patients which presented with ethical dilemnas concerning their treatment options, or the cases of patients with conflictive personalities, Ofri takes us on a journey that ends when she attains full maturity as a physician, and becomes confident in her attititudes and actions, but is at the same time aware of the limitations of the medical profession and of the fragilities of human nature. Some of the stories inclusively involved people from her intimate circle of friendships, like her friend Josh, who died of sudden death at 27 years old, or her former tutor, an attending physician she admired very much and who ended up committing suicide unexpectedly. I thus realized deep down that, even though actors and stages change, the problems faced by medical students and residents of a New York Hospital do not substantially differ, in their essence, of the daily problems faced by Portuguese family medicine residents. The book ends in a way that will please many family physicians. Those who only read the final chapter could end up thinking that Ofri is a family physician. But no, despite working in an environment obsessed with the search for a diagnosis and the fascination of technology, the author prefers to stress the importance of a physician's apparently daily routine moments for clinical practice: “And although many of the stories revolve around gravely ill patients who die in a stark and painful fashion, these don't completely illustrate the full spectrum of being a doctor. It is sometimes in the most mundane clinical encounters, the ones that don't lend themselves to a dramatic retelling, that medicine is most uplifiting. The smile on the patient's face upon hearing that her cholesterol has come down, the gratitude from the patient when you prescribe a three-month supply of pills instead of a one-month supply, the triumph of finding a Bengali interpreter when you need one – these are but splinters of satisfaction, but they are evermore common than the tormented deaths of the ICU. And these splinters, when coalesced, form a potent girder of fulfillment beneath me.” If Danielle Ofri had not decided to pursue internal medicine, she would have made a great family doctor, as well as an ardent “Balintian”.
Tiago Villanueva, Family Medicine resident, Rio de Mouro, Portugal tiago.villanueva@gmail.com References: 1 - Ofri, Danielle, Singular Intimacies: Becoming a Doctor at Bellevue. Beacon Press. 2009 2 – Ofri, D. The muse on the medical wards. Lancet. 2008 Jan 12;371(9607):110-1. Please leave your comments:
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How to Read a Paper: The Basics of Evidence-Based Medicine Trisha Greenhalgh BMJ Publishing Group, 2001 Disponível na Livraria MGF.zon
O Médico, o seu Doente e a Doença Michael Balint Climepsi, 1998
Outras leituras
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O livro que mais me tocou
Armando Brito de Sá, médico de família, Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa abritosa@gmail.com
Leitura médica: Aequanimitas. With other Addresses to Medical Students, Nurses and Practitioners of Medicine de Sir William Osler. New York: The Blakinston Division, McGraw-Hill, Inc. 1937
Conheci Aequanimitas relativamente tarde – na verdade foram os escritos de Ian McWhinney que me puseram no encalço desta obra – e desde então tornou-se literalmente num dos meus livros de cabeceira. Naturalmente algumas das conferências estão hoje datadas, tendo perdido muita da sua relevância. O que torna este livro numa obra única é a forma transcendente como Osler reflecte sobre a medicina e o ser-se médico. As imagens por ele transmitidas não se limitam a reflectir a sua concepção da medicina no virar do século XIX – homens (à época ainda raras mulheres) cujo conhecimento médico tinha obrigatoriamente de assentar numa sólida cultura clássica, viajados, actualizados cientificamente, sabedores tanto do ponto de vista teórico como competentes do ponto de vista prático. Osler escreve com a maior naturalidade aforismos e pensamentos que, arrisco-me a predizer, serão lidos dentro de séculos, a par dos escritos hipocráticos. Poderá ser adquirido na Livraria MGF.zon Outras leituras: Cidadela de Antoine de Saint-Exupéry. Prefácio e tradução de Ruy Belo. Lisboa: Editorial Presença. 1996 (1ª Edição)
Cidadela é uma obra para todos os tempos e para todos os homens. Temos o dever moral de a passar de geração em geração. Comente este artigo! Armando Brito de Sá
Poderão consultar a ficha de
recenseamento deste livro na biblioteca
Gulbenkian por António
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Ana Sardinha, médica de família, USF Horizonte, Matosinhos
Leitura médica: O Médico, o seu Doente e a Doença de Michael Balint - Climepsi, 1998 Há muitos anos atrás, quando iniciava funções como Clínica Geral sem fazer a mais pequena ideia do que era ser Médica de Família, tendo apenas uma forte convicção de que o que eu queria mesmo era ser médica das pessoas, trouxeram até mim um livro médico que de imediato ficou na minha memória como algo de muito especial – O MÉDICO, O SEU DOENTE E A DOENÇA- de MICHAEL BALINT. Já li a sua tradução em português com uma introdução efectuada por um colega que à data desconhecia e que igualmente me encantou; atentem nas suas palavras: “..a perda quase completa dessa dimensão humana inter-relacional, coisificada num numero de cama de um hospital, ou num qualquer diagnóstico, onde predomina o anonimato do doente perante o imenso aparelho tecnológico da medicina actual, é uma das principais fontes de manutenção do sofrimento destes...” À medida que “avança”o conhecimento cientifico, as tecnologias “de ponta” e quanto mais me dedico à Medicina Geral e Familiar, mais me apetece ler e reler este livro, cuja permanente actualidade é impressionante. De tal maneira me “ tocou” e “toca”, que os meus internos sabem ser sempre a minha primeira recomendação, muito antes de começarem a estudar os problemas de saúde... para que aprendam também a efectuar “ trabalhos” baseados em emoções! Ser “Médico” em vez de ser “Doutor”, saber dosear a intervenção/intromissão, aprender a escutar, ser médico como “ medicamento”, lidar de forma adequada com as nossas emoções e as dos outros, e fortalecer a relação médico-doente são as “ dicas “que vos deixo, para que não adiem a leitura absorvente mas tranquila deste “ Tratado”! Até hoje continuo agradecida ao colega que me levou à sua descoberta...
Outras leituras: Os Olhos do Homem que Chorava no Rio de Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo - Editorial Caminho, 2005 É um livro da autoria de ANA PAULA TAVARES e de MANUEL JORGE MARMELO- OS OLHOS DO HOMEM QUE CHORAVA NO RIO, edições Caminho, sem dúvida o livro que mais me “tocou” do muito que li até hoje, e gostaria de o partilhar convosco, abrindo novos horizontes de leitura... Leitura que embala em sonhos que podem preencher a vida, faz apreciar e valorizar coisas simples que existem no quotidiano e que tantas vezes passam despercebidas, e permite perceber que se pode amar sem palavras... ... “ a menina anda na terra como se andasse nas águas...nas águas do Douro ...tem um “ vulto” protector com quem não fala mas ....sente-o ela e guarda-a ele...a menina antes de dormir, gosta de imaginar o mundo como um sítio onde as pessoas fossem substituídas por pequenas luzes de todas as cores...” Deixar que as emoções se soltem, chorando e sorrindo, e sentir que existe alguém que nos protege... é interiorizado na leitura deste pequeno- grande livro. “...e o tipografo chora...segue...procura...nas maciezas das margens...a noite avança e o livro não se esgota”. “...pressente que alguém espreita e lê por cima do seu ombro, mas sabe que o que ali está é um sorriso. Não olha para trás sequer, tão segura está da bondade que encontrará nos olhos de quem espreita...”. “O tipografo chora em sossego, as lágrimas que verte são felizes, leves, rasto de um explosão de coisas boas...” “...lenta como a noite, a menina espera a história abre os olhos respira mansa sobre a superfície do rio...é como escolher entre a nascente e a foz quando se quer estar na melhor no melhor sitio do rio- qual a ponta do rio que melhor enche os sentidos?” São duplas muito felizes (autores e personagens), e fazem com que a poesia se alie à prosa num complemento que torna a leitura quase musical! Não percam...e deixem-se levar pelas emoções...e por este rio- O DOURO- que como diz MIGUEL TORGA, é no mapa da pequenez que nos coube a única evidência incomensurável com que podemos assombrar o mundo! Ana Sardinha
Carlos Martins, médico de família, CS s. João, Porto Leitura
médica:
Manual de Medicina
Familiar de Ian R. McWhinney Ed. Inforsalus, 1994 Do prefácio à edição portuguesa, escrito por Vítor Ramos: "Uma disciplina científica caracteriza-se por nela poderem ser identificados um objecto de estudo, uma metodologia e um conteúdo minimamente delimitável. Ian McWhinney demonstra neste seu "Manual de Medicina Familiar" que a medicina geral e familiar cumpre, de facto, aqueles três requisitos: 1. Centra-se na PESSOA (doente ou não)... 2. Dispõe de um Método Clínico... 3. Possui um CONTEÚDO..." Esta versão traduzida por Maria Teresa Noronha de Andrade e revista por Armando Brito de Sá mantém-se actual em muitos dos seus aspectos. Foi o livro com que iniciei o meu internato complementar, marcou todo o meu internato e por vezes ainda o vou consultar. É uma excelente porta de entrada para a especialidade de Medicina Geral e Familiar. A versão original, em inglês, poderá ser adquirida na Livraria MGF.zon Outras leituras: Falai-me de Amor de Michel Quoist Edições Paulistas, 1986 "AMIGO, Senta-te. Vamos conversar... ESCUTA com o teu coração, de contrário, ouvirás o murmúrio, mas não saborearás a essência das palavras..." É assim que começa este livro. Tocou-me pela primeira vez na minha juventude e, de vez em quando, revisito-o. Relata as visitas de um jovem a um amigo "sábio". Fala da relação entre o homem e Deus, de um amor difícil de compreender à luz da razão, mas que se justifica à medida que se vai descobrindo. Fala da relação entre o homem e a mulher e do amor que os pode realizar numa plenitude difícil de imaginar. Tocou-me. Termina assim: "Na vida, não há necessidade de muita bagagem para partir. Basta amar! Lá fora o sol raiava." Um outro comentário poderá ser lido aqui...
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