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O livro que mais me tocou
Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
Texto: Carla Maia de Almeida Ilustrações: André Letria Editora: Caminho Voz: Carla Maia de Almeida Do Público.pt
Ana Sardinha, médica de família Leitura Médica
Michael Balint Climepsi, 1998
Há muitos anos atrás, quando iniciava funções como Clinica Geral sem fazer a mais pequena ideia do que era ser Médica de Família, tendo apenas uma forte convicção de que o que eu queria mesmo era ser médica das pessoas, trouxeram até mim um livro médico que de imediato ficou na minha memória como algo de muito especial. (cont.)
Outras leituras
Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo Editorial Caminho, 2005 Leitura que embala em sonhos que podem preencher a vida, faz apreciar e valorizar coisas simples que existem no quotidiano e que tantas vezes passam despercebidas, e permite perceber que se pode amar sem palavras... (cont.)
O livro que mais me tocou
Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
O livro que mais me tocou
Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
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O livro que mais me tocou
Por José Mendes Nunes, médico de família
Livro: Maria Adelaide Coelho da Cunha: DOIDA NÃO E NÃO! por Manuela Gonzaga da Bertrand Editora, 2009. Um Escândalo em Portugal no Início do Século XX[i].
Manuela Gonzaga, licenciada em história, descreve nesta obra a biografia da Maria Adelaide Coelho da Cunha, filha de José Eduardo Coelho, fundador do Diário de Noticias. O ritmo e o estilo narrativo aproximam-se de uma colectânea de peças jornalísticas que, no seu conjunto, constituem um todo lógico, que transformam esta biografia num romance trágico, contextualizado no tempo e na época, fundamentado em documentos reais. Temos o relato de um caso verídico com personagens reais que marcaram a sociedade portuguesa do primeiro quarto do século XX. O curioso, na minha perspectiva, é que sendo uma biografia de uma figura portuguesa muito curiosa, que se destacou pela irredutibilidade das escolhas que fez na vida, sem que com isso tenha contribuído de modo notável para a sociedade, o relato das suas vicissitudes acaba por ser um profundo documento de reflexão sobre vários aspectos médicos, sociais e psicológicos. Resumidamente podemos dizer que a obra descreve a história de Maria Adelaide Coelho da Cunha, filha de José Eduardo Coelho, Fundador do Diário de Noticias, casada com Alfredo da Cunha, secretário da direcção do mesmo diário, após a morte do seu fundador. Maria Adelaide, culta e educada na alta sociedade, abandona o Palácio de São Vicente (em Lisboa), para fugir, aos 48 anos, mais precisamente a 13 de Outubro de 1918, com o motorista (ou melhor chauffeur) da casa, 20 anos mais novo, abandonando a sua posição social e riqueza herdada, para se esconder, como vulgar mulher do povo, em Santa Comba Dão. A história poderia ficar como muitas outras, que se limitam a ser tabus de família, porém, a reacção do marido desencadeia uma série de acontecimentos e de actos que reflectem os valores e comportamentos sociais de então mas, muito dificilmente, se poderá dizer que estão ultrapassados nos dias de hoje. Para mim, como médico, o que mais choca é a utilização dos diagnósticos com fins que nada têm a ver com o interesse da doente. Confirma a realidade do diagnóstico como constructo teórico, que diz muito pouco acerca da realidade da saúde, da doença ou dos homens. A invocação de “santo nome” da ciência para justificar intervenções que visam coarctar a liberdade de um ser humano, demonstra como a perduração da “santa” inquisição se mantém ao longo dos séculos, com vestes diferentes mas omnipresente. Mais grave ainda, quando os “inquisidores” aqui são figuras de grande relevo na Medicina Portuguesa como Ega Moniz, Miguel Bombarda e Sobral Cid, que sem consciência do seu poder, confundindo a sua crença com a verdade, e argumentando a favor desta verdade avocando elementos pseudo-cientificos. Embora nos tenhamos habituado a ver estas personalidades como iminentes cientistas, a verdade é que todo o seu comportamento neste processo revela uma incongruência básica de um cientista: não ter certezas. Os métodos dedutivos, utilizados neste processo para chegar ao diagnóstico, são paradigmáticos de como só se vê o que se quer e que a estratégia desenhada para provar o diagnóstico em vez de o tentar refutar, induz em erros, particularmente quando se não tem consciência dos esquemas mentais que modelam o raciocínio, os dados e a informação a favor da confirmação dos nossos preconceitos. A história biográfica, em “Doida Não e Não”, é também um exemplo da utilização dos média, por partes desavindas, para esgrimir argumentos em defesa das posições, razões e direitos, em contextos em que a Justiça não desempenha o seu papel social. Quase com um século de antecedência, em Portugal, já se observava a mediatização da vida privada, o big brother dos nossos dias, a utilização indecorosa pelos média dos pormenores da desgraça allheia justificada pelos números das tiragens e, a face da mesma moeda, manipulação dos média como forma de alcançar objectivos pessoais. A obra de Manuela Gonzaga é bastante representativa da opressão da mulher na sociedade portuguesa, a quem são reconhecidos todos os deveres e nenhuns direitos. Maria Adelaide surge, involuntariamente, como exemplo de luta pela liberdade das mulheres, ao fazer as suas escolhas em consciência e contra uma sociedade totalmente condenatória do seu comportamento. Finalmente, esta obra tem ainda a virtude de nos localizar nos factos históricos dos primeiros anos da República, antes do Estado Novo. A ressonância desta história nos jornais, só poderia ser antes do Estado Novo e nunca num regime de censura. O próprio enamoramento entre Maria Adelaide e o seu chaffeur surge na sequência dos cuidados que ela lhe prestou quando contraiu a gripe espanhola. A dedicação dela despertou em Manuel Claro, o chauffeur, 20 anos mais novo, uma gratidão que se confunde com amor (platónico?), veneração e entrega sem limites que os une até ao fim da vida. Esta não deixa de ser uma interpretação muito pessoal desta obra, pelo que desejo que não a “aceitem” de barato, que a leiam e, por favor, digam a vossa interpretação.
José Mendes Nunes Carcavelos, 6 de Abril de 2009
José Mendes Nunes, médico de família
O Último Negreiro de Miguel Real, Editora Quidnovi
"O Último Negreiro", de Miguel Real, é um romance histórico que nos transporta à sociedade baiana do Século XVIII. A forma como o autor descreve a realidade social da época é de um virtuosismo que me impressionou ao longo de toda a obra. Ela patenteia um trabalho hercúleo de investigação histórica, dos costumes sociais, dos lugares, da política, da economia e da linguística da época. De facto, enquanto leio esta obra, para além de desfrutar a beleza narrativa, dificilmente me consigo distanciar do trabalho de investigação que está por detrás da cada linha de texto. A história é, em si, apaixonante. O leitor fica agarrado após um princípio difícil, até entrar na linguagem da época. Confesso que o primeiro quarto da obra foi lido em simultâneo com o dicionário. O realismo da narrativa transporta-nos não só para a linguagem baiana mas também para o contexto português do século XVIII. O cenário é transcontinental, próprio de uma sociedade portuguesa transatlântica. Conta a história do mercador de escravos, Francisco Félix de Sousa que, após meia vida de humilhação e em luta constante pela sobrevivência, em São Salvador da Baía, no período das invasões francesas, foge (ou imigra) para as terras do Reino de Daomé (Benim) onde se torna num homem rico e poderoso. Aqui, cria um império comercial baseado no comércio de escravos, acumulando riqueza e poder que o recompensam da miséria da sua vida em São Salvador da Baía. Por outro lado, é um documento que retrata a geopolítica da época e prenunciador da globalização, demonstrando como as decisões, tomadas na Europa, influenciavam a vida de povos distantes entre si e que transformaram o Oceano Atlântico num mero rio em que, numa margem, tinha o Brasil e, na outra, a África Portuguesa separada da Metrópole por um efluente. O romance tem presente os valores da época e os jogos políticos. Os Europeus hipocritamente proibiam e condenavam a escravatura mas faziam vista grossa e enriqueciam com o tráfico de escravos, pilhados por todo o Continente Africano para serem vendidos no continente Americano, a muito bom preço, e após muitos perecerem no caminho durante a travessia do “rio Atlântico”. A obra é densa e épica. As suas personagens variam entre a fraqueza humana e o heroísmo sobrenatural, com o seu lado divino e diabólico mas, acima de tudo, são seres humanos que tudo fazem para sobreviver numa sociedade e época extremamente difíceis e violentas. Miguel Real é um pseudónimo que nos tem vindo a habituar com obras que reflectem o seu trabalho abnegado e o seu espírito de investigador rigoroso que não pactua com facilidades. A leitura de qualquer obra é um acto subjectivo e, portanto, criativo. Neste caso particular, o autor é um amigo da minha adolescência, o Luís (Luís Martins). Tenho muita dificuldade de me lembrar de alguma vez o ter visto sem um livro na mão ou de baixo do braço. Os livros pareciam que faziam parte integrante da sua anatomia, como qualquer membro ou órgão. As histórias, que dele retenho, referem-se à dificuldade em conseguir financiar esse “vício”. Assíduo frequentador e amante das livrarias, por vezes encontrava livros que, por saberem que acabavam de encontrar um dono que os dignificava, teimavam em não se separar dele e, o Luís, via-se “obrigado” a “adoptá-los” correndo o risco de o acusarem de roubo. Enfim, recursos de todos nós que, então, tínhamos dificuldades económicas para manter estas “drogas”. Já não o vejo há meia dúzia de anos e apetece-me dizer-lhe: “Luís, valeu a pena. Obrigado” Carcavelos, 5 de Maio de 2008 José Mendes Nunes Mais informações sobre este livro disponíveis aqui... Participe nesta secção, comente este artigo:
Outros livros do mesmo autor:
A Voz da Terra (sinopse) Prémio Fernando Namora 2006 Editora Quidnovi
15,05 € (IVA incl) + 2,47€
(portes)
Comprar
O último minuto na vida de S. (sinopse) Editora Quidnovi Comprar 11,00 € (IVA incl) + 2,47€ (portes)
O último Eça (sinopse) Editora Quidnovi 16,65 € (IVA incl) + 2,47€ (portes) Comprar Agostinho da Silva e a Cultura Portuguesa (sinopse) Editora Quidnovi 14,95 € (IVA incl) + 2,47€ (portes) Comprar O Marquês de Pombal e a cultura portuguesa (sinopse) Editora Quidnovi 11,00 € (IVA incl) + 2,47€ (portes) Comprar
Livros relacionados com medicina
Comunicação em Contexto Clínico José M. Mendes Nunes Edições Bayer Health Care, 2007
Excelente livro sobre a arte da comunicação na consulta. A não perder.
Manual de Medicina Familiar Ian R. McWhinney Inforsalus, 1994
Tradução do original inglês "A Textbook of Family Medicine" de 1989. Uma autêntica "porta de entrada" à Medicina Geral e Familiar.
Ian R. McWhinney - 2nd ed. Oxford University Press, 1997 Disponível na Livraria MGF.zon
André R. Biscaia, José N. Martins, Mário F. L. Carreira, Inês F. Gonçalves, Ana R. Antunes, Paulo Ferrinho Padrões Culturais Editora, 2006
Redacção e Apresentação de Trabalhos Científicos Pedro Serrano Relógio D'Água Editores, 1996
Classificação Internacional de Cuidados Primários - ICPC 2, segunda edição Comissão Internacional de Classificações da WONCA APMCG - Departamento Editorial, 1999
Evidence-Based Medicine Sharon E. Straus, W. Scott Richardson, Paul Glasziou, R. Brian Haynes Elsevier Churchill Livingstone, 2005
Disponível na Livraria MGF.zon
Narrative-Based Primary Care: A Practical Guide John Lanuner Radcliffe Medical Press Ltd, 2002
Disponível na Livraria MGF.zon
The Bellevue Guide to Outpatient Medicine: an evidence-based guide to primary care Nate Link, Michael Tanner, Danielle Ofri, Lloyd Wasserman BMJ Publishing Group, 2001Disponível na Livraria MGF.zon
A Dictionary of Epidemiology John M. Last Oxford University Press, 2001 Disponível na Livraria MGF.zon
How to Read a Paper: The Basics of Evidence-Based Medicine Trisha Greenhalgh BMJ Publishing Group, 2001 Disponível na Livraria MGF.zon
O Médico, o seu Doente e a Doença Michael Balint Climepsi, 1998
Outras leituras
Os Olhos do Homem que Chorava no Rio Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo Editorial Caminho, 2005
Falai-me de Amor Michel Quoist Edições Paulistas, 1986
O livro que mais me tocou
Armando Brito de Sá, médico de família, Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa abritosa@gmail.com
Leitura médica: Aequanimitas. With other Addresses to Medical Students, Nurses and Practitioners of Medicine de Sir William Osler. New York: The Blakinston Division, McGraw-Hill, Inc. 1937
Conheci Aequanimitas relativamente tarde – na verdade foram os escritos de Ian McWhinney que me puseram no encalço desta obra – e desde então tornou-se literalmente num dos meus livros de cabeceira. Naturalmente algumas das conferências estão hoje datadas, tendo perdido muita da sua relevância. O que torna este livro numa obra única é a forma transcendente como Osler reflecte sobre a medicina e o ser-se médico. As imagens por ele transmitidas não se limitam a reflectir a sua concepção da medicina no virar do século XIX – homens (à época ainda raras mulheres) cujo conhecimento médico tinha obrigatoriamente de assentar numa sólida cultura clássica, viajados, actualizados cientificamente, sabedores tanto do ponto de vista teórico como competentes do ponto de vista prático. Osler escreve com a maior naturalidade aforismos e pensamentos que, arrisco-me a predizer, serão lidos dentro de séculos, a par dos escritos hipocráticos. Poderá ser adquirido na Livraria MGF.zon Outras leituras: Cidadela de Antoine de Saint-Exupéry. Prefácio e tradução de Ruy Belo. Lisboa: Editorial Presença. 1996 (1ª Edição)
Cidadela é uma obra para todos os tempos e para todos os homens. Temos o dever moral de a passar de geração em geração. Comente este artigo! Armando Brito de Sá
Poderão consultar a ficha de
recenseamento deste livro na biblioteca
Gulbenkian por António
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Ana Sardinha, médica de família, USF Horizonte, Matosinhos
Leitura médica: O Médico, o seu Doente e a Doença de Michael Balint - Climepsi, 1998 Há muitos anos atrás, quando iniciava funções como Clínica Geral sem fazer a mais pequena ideia do que era ser Médica de Família, tendo apenas uma forte convicção de que o que eu queria mesmo era ser médica das pessoas, trouxeram até mim um livro médico que de imediato ficou na minha memória como algo de muito especial – O MÉDICO, O SEU DOENTE E A DOENÇA- de MICHAEL BALINT. Já li a sua tradução em português com uma introdução efectuada por um colega que à data desconhecia e que igualmente me encantou; atentem nas suas palavras: “..a perda quase completa dessa dimensão humana inter-relacional, coisificada num numero de cama de um hospital, ou num qualquer diagnóstico, onde predomina o anonimato do doente perante o imenso aparelho tecnológico da medicina actual, é uma das principais fontes de manutenção do sofrimento destes...” À medida que “avança”o conhecimento cientifico, as tecnologias “de ponta” e quanto mais me dedico à Medicina Geral e Familiar, mais me apetece ler e reler este livro, cuja permanente actualidade é impressionante. De tal maneira me “ tocou” e “toca”, que os meus internos sabem ser sempre a minha primeira recomendação, muito antes de começarem a estudar os problemas de saúde... para que aprendam também a efectuar “ trabalhos” baseados em emoções! Ser “Médico” em vez de ser “Doutor”, saber dosear a intervenção/intromissão, aprender a escutar, ser médico como “ medicamento”, lidar de forma adequada com as nossas emoções e as dos outros, e fortalecer a relação médico-doente são as “ dicas “que vos deixo, para que não adiem a leitura absorvente mas tranquila deste “ Tratado”! Até hoje continuo agradecida ao colega que me levou à sua descoberta...
Outras leituras: Os Olhos do Homem que Chorava no Rio de Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo - Editorial Caminho, 2005 É um livro da autoria de ANA PAULA TAVARES e de MANUEL JORGE MARMELO- OS OLHOS DO HOMEM QUE CHORAVA NO RIO, edições Caminho, sem dúvida o livro que mais me “tocou” do muito que li até hoje, e gostaria de o partilhar convosco, abrindo novos horizontes de leitura... Leitura que embala em sonhos que podem preencher a vida, faz apreciar e valorizar coisas simples que existem no quotidiano e que tantas vezes passam despercebidas, e permite perceber que se pode amar sem palavras... ... “ a menina anda na terra como se andasse nas águas...nas águas do Douro ...tem um “ vulto” protector com quem não fala mas ....sente-o ela e guarda-a ele...a menina antes de dormir, gosta de imaginar o mundo como um sítio onde as pessoas fossem substituídas por pequenas luzes de todas as cores...” Deixar que as emoções se soltem, chorando e sorrindo, e sentir que existe alguém que nos protege... é interiorizado na leitura deste pequeno- grande livro. “...e o tipografo chora...segue...procura...nas maciezas das margens...a noite avança e o livro não se esgota”. “...pressente que alguém espreita e lê por cima do seu ombro, mas sabe que o que ali está é um sorriso. Não olha para trás sequer, tão segura está da bondade que encontrará nos olhos de quem espreita...”. “O tipografo chora em sossego, as lágrimas que verte são felizes, leves, rasto de um explosão de coisas boas...” “...lenta como a noite, a menina espera a história abre os olhos respira mansa sobre a superfície do rio...é como escolher entre a nascente e a foz quando se quer estar na melhor no melhor sitio do rio- qual a ponta do rio que melhor enche os sentidos?” São duplas muito felizes (autores e personagens), e fazem com que a poesia se alie à prosa num complemento que torna a leitura quase musical! Não percam...e deixem-se levar pelas emoções...e por este rio- O DOURO- que como diz MIGUEL TORGA, é no mapa da pequenez que nos coube a única evidência incomensurável com que podemos assombrar o mundo! Ana Sardinha
Carlos Martins, médico de família, CS s. João, Porto Leitura
médica:
Manual de Medicina
Familiar de Ian R. McWhinney Ed. Inforsalus, 1994 Do prefácio à edição portuguesa, escrito por Vítor Ramos: "Uma disciplina científica caracteriza-se por nela poderem ser identificados um objecto de estudo, uma metodologia e um conteúdo minimamente delimitável. Ian McWhinney demonstra neste seu "Manual de Medicina Familiar" que a medicina geral e familiar cumpre, de facto, aqueles três requisitos: 1. Centra-se na PESSOA (doente ou não)... 2. Dispõe de um Método Clínico... 3. Possui um CONTEÚDO..." Esta versão traduzida por Maria Teresa Noronha de Andrade e revista por Armando Brito de Sá mantém-se actual em muitos dos seus aspectos. Foi o livro com que iniciei o meu internato complementar, marcou todo o meu internato e por vezes ainda o vou consultar. É uma excelente porta de entrada para a especialidade de Medicina Geral e Familiar. A versão original, em inglês, poderá ser adquirida na Livraria MGF.zon Outras leituras: Falai-me de Amor de Michel Quoist Edições Paulistas, 1986 "AMIGO, Senta-te. Vamos conversar... ESCUTA com o teu coração, de contrário, ouvirás o murmúrio, mas não saborearás a essência das palavras..." É assim que começa este livro. Tocou-me pela primeira vez na minha juventude e, de vez em quando, revisito-o. Relata as visitas de um jovem a um amigo "sábio". Fala da relação entre o homem e Deus, de um amor difícil de compreender à luz da razão, mas que se justifica à medida que se vai descobrindo. Fala da relação entre o homem e a mulher e do amor que os pode realizar numa plenitude difícil de imaginar. Tocou-me. Termina assim: "Na vida, não há necessidade de muita bagagem para partir. Basta amar! Lá fora o sol raiava." Um outro comentário poderá ser lido aqui...
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«Nenhum poder humano consegue forçar o impenetrável reduto da liberdade de um coração.» François Fénelon
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