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O livro que mais me tocou
Jaime Correia de Sousa, méd. fam. Mónica Granja, médica de família Conceição Outeirinho, méd. fam. Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
Audiolivro
Vozes: Isabel Minhós Martins (autora) e Bernardo Carvalho (ilustrador) Editora: Planeta Tangerina Do Público.pt
Vozes: Carla Maia de Almeida (autora) e André Letria (ilustrador) Editora: Caminho Do Público.pt
Ana Sardinha, médica de família Leitura Médica
Michael Balint Climepsi, 1998
Há muitos anos atrás, quando iniciava funções como Clinica Geral sem fazer a mais pequena ideia do que era ser Médica de Família, tendo apenas uma forte convicção de que o que eu queria mesmo era ser médica das pessoas, trouxeram até mim um livro médico que de imediato ficou na minha memória como algo de muito especial. (cont.)
Outras leituras
Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo Editorial Caminho, 2005 Leitura que embala em sonhos que podem preencher a vida, faz apreciar e valorizar coisas simples que existem no quotidiano e que tantas vezes passam despercebidas, e permite perceber que se pode amar sem palavras... (cont.)
O livro que mais me tocou
Conceição Outeirinho, méd. fam. Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
O livro que mais me tocou
Conceição Outeirinho, méd. fam. Armando Brito de Sá, méd. fam. Ana Sardinha, médica de família Carlos Martins, médico de família
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O livro que mais me tocou
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Rosa Gallego, médica de família
Leitura médica: O meu Pé de Laranja Lima por José Mauro de Vasconcelos, Editora Dinapress.
![]() Não é fácil escolher o livro que mais me tocou. Quando me recordo que a leitura foi o meu refúgio, desde que aprendi a ler. Não porque em que em casa abundassem livros. Havia-os, mas eram da minha tia professora primária e não estava autorizada a tocá-los, ou eram as novelas dos meus pais, que sendo da classe média baixa, não davam prioridade a leituras mais profundas, que a oferecida pelos romances de capa azul e apenas autorizados depois dos meus 12 anos.
Nos anos sessenta, a censura existia e em casa os valores e prioridades eram outros. Ainda hoje me pergunto como teria sido a minha adolescência se as bibliotecas não existissem, com a sua enorme colecção que me iam enchendo a imaginação como Pearl Buck, Jorge Amado, Erico Veríssimo, Tolstoi ou então se me tivessem deixado ler os livros escondidos…
Mas perguntaram-me que livro “ mais me tocou”…Bom, nessa questão não tenho dúvidas: “O meu Pé de Laranja Lima” de José Mauro de Vasconcelos, conseguiu ultrapassar a marca do "Pequeno Príncipe" de Saint-Exupéry ou do livro de St Michèlle.
O Zézé e o seu amigo Portuga foram meus companheiros tantas vezes, que pensei fazer parte do livro. Uma amiga, anos depois, ao contar-lhe esta experiência, perguntou-me quantos lenços de papel gastei com lágrimas ao ler o livro (parece ser comum a choradeira nas adolescentes)…Usei lenços de pano, mas eram tantas as lágrimas que sentia os olhos a arder… O livro (1ª edição), para desgosto meu, desapareceu da minha prateleira, pois tanta vez o emprestei, mas está gravado na minha imaginação. O Zézé descrevia as suas descobertas (em regra discutidas com seu irmão mais novo, Luís, ou com o maravilhoso Pé de Laranja Lima, pequena árvore no seu pequeno quintal de casa), a sua raiva (contra as reacções do pai e outros que não conseguia compreender) e a gratidão (sobretudo para com o seu amigo Portuga, um taxista imigrado no Brasil) sempre de um jeito maravilhoso. Descobertas: “Totoca vinha me ensinando a vida. E eu estava muito contente porque meu irmão mais velho estava me dando a mão e ensinando as coisas. Mas ensinando as coisas fora de casa. Porque em casa eu aprendia descobrindo sozinho e fazendo sozinho, fazia errado e fazendo errado acabava sempre tomando umas palmadas” Raiva: “( Zézé chorando contou a Portuga) …não tema, vou matar meu pai mas não desse jeito. Eu o vou apagando devagarinho no meu coração até um dia não mais lá estar” Gratidão: (No fim do livro, já em adulto) “Foi você, quem me ensinou a ternura da vida, meu Portuga querido. Hoje sou eu que tento distribuir as bolas e as figurinhas, porque a vida sem ternura não é lá grande coisa. Às vezes sou feliz na minha ternura, às vezes me engano, o que é mais comum.” Não parei enquanto não li a colecção completa de José Mauro Vasconcelos, que com a sua escrita cheia de ternura escreveu ainda muitas outras parábolas maravilhosas, como “ rosinha minha canoa”, mas o Zézé será sempre o meu herói e companheiro nas descobertas da vida! 10 de Agosto 2008 Rosa Gallego Médica de Família CS Vila Franca de Xira
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Livros relacionados com medicina
Comunicação em Contexto Clínico José M. Mendes Nunes Edições Bayer Health Care, 2007
Excelente livro sobre a arte da comunicação na consulta. A não perder.
Manual de Medicina Familiar Ian R. McWhinney Inforsalus, 1994
Tradução do original inglês "A Textbook of Family Medicine" de 1989. Uma autêntica "porta de entrada" à Medicina Geral e Familiar.
Ian R. McWhinney - 2nd ed. Oxford University Press, 1997 Disponível na Livraria MGF.zon
André R. Biscaia, José N. Martins, Mário F. L. Carreira, Inês F. Gonçalves, Ana R. Antunes, Paulo Ferrinho Padrões Culturais Editora, 2006
Redacção e Apresentação de Trabalhos Científicos Pedro Serrano Relógio D'Água Editores, 1996
Classificação Internacional de Cuidados Primários - ICPC 2, segunda edição Comissão Internacional de Classificações da WONCA APMCG - Departamento Editorial, 1999
Evidence-Based Medicine Sharon E. Straus, W. Scott Richardson, Paul Glasziou, R. Brian Haynes Elsevier Churchill Livingstone, 2005
Disponível na Livraria MGF.zon
Narrative-Based Primary Care: A Practical Guide John Lanuner Radcliffe Medical Press Ltd, 2002
Disponível na Livraria MGF.zon
The Bellevue Guide to Outpatient Medicine: an evidence-based guide to primary care Nate Link, Michael Tanner, Danielle Ofri, Lloyd Wasserman BMJ Publishing Group, 2001Disponível na Livraria MGF.zon
A Dictionary of Epidemiology John M. Last Oxford University Press, 2001 Disponível na Livraria MGF.zon
How to Read a Paper: The Basics of Evidence-Based Medicine Trisha Greenhalgh BMJ Publishing Group, 2001 Disponível na Livraria MGF.zon
O Médico, o seu Doente e a Doença Michael Balint Climepsi, 1998
Outras leituras
Os Olhos do Homem que Chorava no Rio Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo Editorial Caminho, 2005
Falai-me de Amor Michel Quoist Edições Paulistas, 1986
O livro que mais me tocou
Armando Brito de Sá, médico de família, Professor da Faculdade de Medicina de Lisboa abritosa@gmail.com
Leitura médica: Aequanimitas. With other Addresses to Medical Students, Nurses and Practitioners of Medicine de Sir William Osler. New York: The Blakinston Division, McGraw-Hill, Inc. 1937
Conheci Aequanimitas relativamente tarde – na verdade foram os escritos de Ian McWhinney que me puseram no encalço desta obra – e desde então tornou-se literalmente num dos meus livros de cabeceira. Naturalmente algumas das conferências estão hoje datadas, tendo perdido muita da sua relevância. O que torna este livro numa obra única é a forma transcendente como Osler reflecte sobre a medicina e o ser-se médico. As imagens por ele transmitidas não se limitam a reflectir a sua concepção da medicina no virar do século XIX – homens (à época ainda raras mulheres) cujo conhecimento médico tinha obrigatoriamente de assentar numa sólida cultura clássica, viajados, actualizados cientificamente, sabedores tanto do ponto de vista teórico como competentes do ponto de vista prático. Osler escreve com a maior naturalidade aforismos e pensamentos que, arrisco-me a predizer, serão lidos dentro de séculos, a par dos escritos hipocráticos. Poderá ser adquirido na Livraria MGF.zon Outras leituras: Cidadela de Antoine de Saint-Exupéry. Prefácio e tradução de Ruy Belo. Lisboa: Editorial Presença. 1996 (1ª Edição)
Cidadela é uma obra para todos os tempos e para todos os homens. Temos o dever moral de a passar de geração em geração. Comente este artigo! Armando Brito de Sá
Poderão consultar a ficha de
recenseamento deste livro na biblioteca
Gulbenkian por António
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Ana Sardinha, médica de família, USF Horizonte, Matosinhos
Leitura médica: O Médico, o seu Doente e a Doença de Michael Balint - Climepsi, 1998 Há muitos anos atrás, quando iniciava funções como Clínica Geral sem fazer a mais pequena ideia do que era ser Médica de Família, tendo apenas uma forte convicção de que o que eu queria mesmo era ser médica das pessoas, trouxeram até mim um livro médico que de imediato ficou na minha memória como algo de muito especial – O MÉDICO, O SEU DOENTE E A DOENÇA- de MICHAEL BALINT. Já li a sua tradução em português com uma introdução efectuada por um colega que à data desconhecia e que igualmente me encantou; atentem nas suas palavras: “..a perda quase completa dessa dimensão humana inter-relacional, coisificada num numero de cama de um hospital, ou num qualquer diagnóstico, onde predomina o anonimato do doente perante o imenso aparelho tecnológico da medicina actual, é uma das principais fontes de manutenção do sofrimento destes...” À medida que “avança”o conhecimento cientifico, as tecnologias “de ponta” e quanto mais me dedico à Medicina Geral e Familiar, mais me apetece ler e reler este livro, cuja permanente actualidade é impressionante. De tal maneira me “ tocou” e “toca”, que os meus internos sabem ser sempre a minha primeira recomendação, muito antes de começarem a estudar os problemas de saúde... para que aprendam também a efectuar “ trabalhos” baseados em emoções! Ser “Médico” em vez de ser “Doutor”, saber dosear a intervenção/intromissão, aprender a escutar, ser médico como “ medicamento”, lidar de forma adequada com as nossas emoções e as dos outros, e fortalecer a relação médico-doente são as “ dicas “que vos deixo, para que não adiem a leitura absorvente mas tranquila deste “ Tratado”! Até hoje continuo agradecida ao colega que me levou à sua descoberta...
Outras leituras: Os Olhos do Homem que Chorava no Rio de Ana Paula Tavares e Manuel Jorge Marmelo - Editorial Caminho, 2005 É um livro da autoria de ANA PAULA TAVARES e de MANUEL JORGE MARMELO- OS OLHOS DO HOMEM QUE CHORAVA NO RIO, edições Caminho, sem dúvida o livro que mais me “tocou” do muito que li até hoje, e gostaria de o partilhar convosco, abrindo novos horizontes de leitura... Leitura que embala em sonhos que podem preencher a vida, faz apreciar e valorizar coisas simples que existem no quotidiano e que tantas vezes passam despercebidas, e permite perceber que se pode amar sem palavras... ... “ a menina anda na terra como se andasse nas águas...nas águas do Douro ...tem um “ vulto” protector com quem não fala mas ....sente-o ela e guarda-a ele...a menina antes de dormir, gosta de imaginar o mundo como um sítio onde as pessoas fossem substituídas por pequenas luzes de todas as cores...” Deixar que as emoções se soltem, chorando e sorrindo, e sentir que existe alguém que nos protege... é interiorizado na leitura deste pequeno- grande livro. “...e o tipografo chora...segue...procura...nas maciezas das margens...a noite avança e o livro não se esgota”. “...pressente que alguém espreita e lê por cima do seu ombro, mas sabe que o que ali está é um sorriso. Não olha para trás sequer, tão segura está da bondade que encontrará nos olhos de quem espreita...”. “O tipografo chora em sossego, as lágrimas que verte são felizes, leves, rasto de um explosão de coisas boas...” “...lenta como a noite, a menina espera a história abre os olhos respira mansa sobre a superfície do rio...é como escolher entre a nascente e a foz quando se quer estar na melhor no melhor sitio do rio- qual a ponta do rio que melhor enche os sentidos?” São duplas muito felizes (autores e personagens), e fazem com que a poesia se alie à prosa num complemento que torna a leitura quase musical! Não percam...e deixem-se levar pelas emoções...e por este rio- O DOURO- que como diz MIGUEL TORGA, é no mapa da pequenez que nos coube a única evidência incomensurável com que podemos assombrar o mundo! Ana Sardinha
Carlos Martins, médico de família, CS s. João, Porto Leitura
médica:
Manual de Medicina
Familiar de Ian R. McWhinney Ed. Inforsalus, 1994 Do prefácio à edição portuguesa, escrito por Vítor Ramos: "Uma disciplina científica caracteriza-se por nela poderem ser identificados um objecto de estudo, uma metodologia e um conteúdo minimamente delimitável. Ian McWhinney demonstra neste seu "Manual de Medicina Familiar" que a medicina geral e familiar cumpre, de facto, aqueles três requisitos: 1. Centra-se na PESSOA (doente ou não)... 2. Dispõe de um Método Clínico... 3. Possui um CONTEÚDO..." Esta versão traduzida por Maria Teresa Noronha de Andrade e revista por Armando Brito de Sá mantém-se actual em muitos dos seus aspectos. Foi o livro com que iniciei o meu internato complementar, marcou todo o meu internato e por vezes ainda o vou consultar. É uma excelente porta de entrada para a especialidade de Medicina Geral e Familiar. A versão original, em inglês, poderá ser adquirida na Livraria MGF.zon Outras leituras: Falai-me de Amor de Michel Quoist Edições Paulistas, 1986 "AMIGO, Senta-te. Vamos conversar... ESCUTA com o teu coração, de contrário, ouvirás o murmúrio, mas não saborearás a essência das palavras..." É assim que começa este livro. Tocou-me pela primeira vez na minha juventude e, de vez em quando, revisito-o. Relata as visitas de um jovem a um amigo "sábio". Fala da relação entre o homem e Deus, de um amor difícil de compreender à luz da razão, mas que se justifica à medida que se vai descobrindo. Fala da relação entre o homem e a mulher e do amor que os pode realizar numa plenitude difícil de imaginar. Tocou-me. Termina assim: "Na vida, não há necessidade de muita bagagem para partir. Basta amar! Lá fora o sol raiava." Um outro comentário poderá ser lido aqui...
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