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Aconselhamento

Rastreio do cancro da próstata: fazer ou não fazer?

 

 

Destaques

 

Ferramentas: Electronic Preventive Services USPSTF

PDA: EPOCRATES Rx

Ferramentas: Risco cardiovascular

Educação: Uso de imagens e vídeo

Revistas: edição especial RPCG

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O livro que mais me tocou

Armando Brito de Sá, médico de família, professor da Faculdade de Medicina de Lisboa

Leitura Médica

 

Aequanimitas. With other Addresses to Medical Students, Nurses and Practitioners of Medicine de Sir William Osler. New York: The Blakinston Division, McGraw-Hill, Inc. 1937

 

Sir William Osler (1849-1919) é uma das figuras marcantes da prática e do ensino da medicina do Século XX. Um conjunto de comunicações e conferências por si produzidas foi editado pela primeira vez em 1904...  (cont.)

 

Outras leituras

 

Cidadela de Antoine de Saint-Exupéry. Prefácio e tradução de Ruy Belo. Lisboa: Editorial Presença. 1996 (1ª Edição)

 

Os livros do final da adolescência são, por norma, os mais marcantes nas nossas vidas. Não foi excepção comigo – algumas das obras que mais prezo li-as nesse tempo. (cont.)

 

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Rastreio do cancro da próstata:

devo ou não efectuá-lo?

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O cancro da próstata é frequente?

A probabilidade de se ter cancro da próstata ao longo da vida é elevada. Em média, em cada 6 homens, 1 terá cancro da próstata. Contudo, a probabilidade de se morrer por cancro da próstata é bastante menor. Em média, apenas 1 em cada 33 homens morrerá devido a este cancro.

 

A que se deve esta diferença de probabilidades?

Um dos factores que contribui para a menor probabilidade de morrer por cancro da próstata em relação à probabilidade de poder ter a doença, é o facto de uma percentagem significativa de cancros da próstata ter uma evolução muito lenta, sem qualquer repercussão na qualidade de vida do homem e sem nunca se manifestar. Autópsias efectuadas em homens que morreram por outras causas demonstraram que cerca de 80% dos homens entre os 70 e 79 anos tinham cancro da próstata. Contudo, esses cancros nunca se manifestaram. A medicina actual não permite saber, no momento do diagnóstico, se um cancro da próstata é do tipo agressivo ou se, pelo contrário, é daqueles cancros que nunca se irá manifestar por ter uma evolução muito lenta.

 

Como é feito o rastreio do cancro da próstata?

O rastreio do cancro da próstata pode ser feito pelo toque rectal e pelo teste PSA. O toque rectal é um exame em que o médico, através da introdução do dedo no recto, faz a palpação da próstata no sentido de tentar detectar irregularidades ou possíveis nódulos. O teste PSA corresponde a uma análise sanguínea. Um valor elevado de PSA ou alterações detectadas ao toque rectal implicam a realização de uma biopsia prostática transrectal: através do recto, com uma agulha, recolhe-se uma amostra da próstata para ser analisada ao microscópio.

 

Quais os benefícios em efectuar o rastreio?

Os benefícios do rastreio e o respectivo tratamento agressivo ainda não estão cientificamente demonstrados. Não se conseguiu demonstrar que o rastreio consiga aumentar o tempo de sobrevida, nem que consiga diminuir a mortalidade por cancro da próstata. Contudo, o resultado de um cancro da próstata quando diagnosticado precocemente, é significativamente melhor do que se diagnosticado em fase avançada.

 

Quais os malefícios em efectuar o rastreio?

 O toque rectal e o PSA podem ter falsos positivos ou falsos negativos. Em média, em cada 10 pessoas com o PSA elevado e que serão submetidas a biopsia, apenas 3 terão cancro da próstata. A biopsia implica desconforto físico significativo (p.ex. dor) e, quando negativa, pode conduzir a desconforto psíquico (p.ex. ansiedade), pois cerca de 20% das biopsias são falsos negativos.

O rastreio efectuado por rotina conduz a um diagnóstico excessivo de cancro da próstata. Estima-se que em cada 2 cancros da próstata diagnosticados num programa de rastreio, 1 corresponda a um cancro diagnosticado desnecessariamente que nunca se manifestaria clinicamente. Em caso de cancro, será necessário tratamento agressivo com um elevado risco de efeitos secundários: disfunção eréctil, incontinência urinária ou problemas intestinais.

O paciente que efectua o rastreio tem uma elevada probabilidade de necessitar de realizar exames adicionais mais invasivos.

 

Quem apresenta um risco aumentado de cancro da próstata?

Os homens que tenham um pai ou um irmão com cancro da próstata apresentam um risco aumentado de poder vir a ter esta doença.

 

Será que me devo submeter ao rastreio do cancro da próstata?

A decisão deve ser tomada por si, em conjunto com o seu médico. Deve ter em consideração o seu risco pessoal em relação ao cancro da próstata e deve tomar uma decisão tendo em consideração os prós e os contras do rastreio.

 

Prós: “Eu vou submeter-me ao rastreio porque isso me vai deixar mais descansado. Isso pode significar ter que efectuar exames adicionais e tratar um cancro da próstata que poderia ser grave. E como não há forma de saber se um cancro da próstata vai ou não originar problemas graves no futuro, eu prefiro diagnosticá-lo numa fase em que os tratamentos são mais eficazes.”

 

Contras: “ Eu não vou efectuar o rastreio até que os médicos concluam que o diagnóstico e o tratamento do cancro da próstata numa fase precoce reduzem a probabilidade de morrer devido a esse problema. Os testes de rastreio poderão conduzir à realização de outros testes e ao tratamento de um cancro da próstata que poderia não causar qualquer problema. Além disso, o tratamento pode prejudicar significativamente a minha qualidade de vida devido aos seus efeitos secundários.

Mais informação: http://www.cdc.gov/cancer/Prostate/publications/decisionguide/

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Nota: a impressão e distribuição do folheto pdf é permitida!

 

Carlos Martins

Núcleo de Actividades Preventivas da APMCG

Departamento de Clínica Geral da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP)

 

 

 

 

 

Tópicos:

Alergias: asma, rinite e conjuntivite

Rastreios de cancros

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