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Ciclo de Conferências MGF XXI
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Psicologia
As diferentes especialidades no domínio da saúde mental
Psicologia Infantil
A criança e a morte |
Psicologia
A Criança e a Morte
É normalmente com a morte de um animal de estimação que as crianças são confrontadas com as questões do fim da vida, ou muitas vezes, com a aprendizagem que uma flor floresce e depois murcha e morre. Se falarmos com elas sobre estas mortes elas serão mais capazes de gerir a tensão e a dor, se algum dia tiverem de enfrentar a perda de uma pessoa que amam. As crianças conseguem enfrentar quase tudo, desde que lhes digam a verdade e saibam que possam partilhar os seus sentimentos com outras pessoas que as reconfortem. Pensar que se deve esconder a dor, é deixar a criança sozinha perante todas as questões. Efectivamente, todas as crianças se interessam pela morte. Contudo, como percebem o nosso incómodo, optam não falar no assunto. Se os adultos estiveram mais prontos para admitirem os seus próprios sentimentos, as crianças terão então mais facilidade em expressá-los por palavras. Ao encobrirem as suas próprias emoções os adultos estão implicitamente a dizer à criança que esconda os seus sentimentos, e passam uma mensagem muda de que é esta a maneira correcta de se comportarem. Não existem normas quanto à forma de ajudarmos todas as crianças, mas há linhas condutoras que realçam o que ajuda e o que atrasa o processo. É essencial aceitar que as crianças fazem um luto e que isto lhes pode provocar uma grande tensão. Precisam de toda a nossa compreensão e apoio para se conseguirem libertar com êxito das poderosas emoções que ameaçam submergi-las. Muitas crianças parecem não ficar afectadas, mas cuidado, lembre-se que de certa maneira, as crianças têm de se proteger para não se sentirem esmagadas. Não a pressione, dê-lhe espaço para reagir. Encoraje-a a falar e a sentir-se compreendida e acompanhada na sua tristeza. Realçar que a morte é universal e inevitável, com exemplos do que acontece no resto da natureza, pode muitas vezes aliviar a tensão de algumas crianças. Algumas vezes acontece que a família bem intencionada, mente ou omite à criança com o objectivo de a proteger da dor. No entanto, a criança adivinha o que sucedeu, com a inteligência sensitiva própria das crianças pequenas. Mas é-lhe imediatamente interdito de partilhar e confidenciar o seu pesar, pois teoricamente ela não sabe que alguém morreu. Mais ainda, não utilize justificações como adormeceu ou foi viajar, estas e outras expressões só servem para causar medo nas crianças. Assim, é fundamental dizer a verdade, para ajudar a criança a ultrapassar o doloroso processo da aceitação da morte. Dra. Ivone Duarte, psicóloga Colocado online em 05/10/2009 Comente este artigo: 1 comentário: Oi, adorei o texto. Sempre procurei me relacionar desse modo com a minha filha, que hoje tem quatro anos e já perdeu três bisavós, além de testemunhar com certa frequencia a morte de peixes de aquário que eu sempre procurei mostrar para ela, desde que ela tivesse interesse, como forma de ir intruduzindo o tema da morte. Também passei por uma experiência difícil com minha sobrinha e afilhada de em torno de sete anos, quando a mãe dela esteve entre a vida e a morte, e felizmente todos da famílida se uniram para apoiá-la mas concordaram em dizer a ela a verdade do que estava ocorrendo. A mãe dela sobreviveu e tudo acabou bem. Em todas essas situações notei o aspecto positivo de não termos medo de conversar com as crianças sobre o tema. Por outro lado, acho que faltam bons textos na internet, escrito por bons profissionais sobre a morte de animais de estimação e com lidar com isso junto às crianças. Encontrei o seu texto na tentativa de ajudar um colega de trabalho que tem insistido em omitir a morte de um gatinho do seu filho de 4 anos e diz que enquanto o filho não perguntar nada ele não vai falar nada, além de planejar saídas meio fantasiosas para o caso de ele perguntar algo. Acho que muitas vezes os profissionais se preocupam muito em orientar as famílias sobre a morte de parentes e esquecem que situações como essas, com animais, podem causar sérios danos ao desenvolvimento da criança quando os pais não souberem lidar com isso. Parabéns pelo texto e sugiro um específico sobre animais. O que acha? Anónimo, 12/07/2010
A Depressão A depressão é uma situação clínica que se explica pela existência de um determinado período de tempo em que o sentimento predominante é a tristeza. No dia-a-dia, frequentemente nos deparamos com situações, que têm ou não a ver connosco, e que nos deixam tristes, isto é, interferem no nosso estado de humor. Tal não significa que estejamos deprimidos. Assim, a depressão difere da tristeza. Normalmente, a depressão apresenta vários sintomas, como o choro fácil, o humor predominantemente depressivo, a tendência para o isolamento social, aumento da sensação de fome ou saciedade com consequente aumento ou perda de peso e, em alguns casos, pensamentos sobre acabar com a vida. As causas da depressão são, também elas distintas, podem ser de origem genética ou então reactivas a problemas ou a situações adversas que a pessoa experiencia. O seu tratamento é possível, através do acompanhamento psiquiátrico e psicológico, que ajudam a pessoa a restabelecer o seu humor e a sentir-se melhor. Contudo, o primeiro passo tem de ser dado pela pessoa, é necessário que esta faça um compromisso consigo sobre o seu processo de recuperação, pois esse é possível, existindo técnicos especializados que podem encaminhá-la no sentido do restabelecimento do seu bem-estar. Dra. Catarina Canário, psicóloga Colocado online em 25/06/2008 Comente este artigo:
A Ansiedade A ansiedade é uma resposta normal do corpo humano, que está presente em vários momentos do quotidiano. Resulta dos estímulos que o meio ambiente nos transmite e da forma como os percepcionamos. É a ansiedade que nos impulsiona a agir e a realizar comportamentos. Acompanha-nos ao longo da vida e, em dose moderada, é considerada normal, todos a sentimos. Em alturas de maior preocupação, de tensão emocional, ou nos momentos em que estamos sujeitos a situações adversas, a ansiedade intensifica-se misturando-se com outras emoções. Tal não deixa de ser uma resposta emocional perfeitamente comum. Nos momentos em que a ansiedade se intensifica, e vai além da simples resposta e do mecanismo activador do comportamento, surgem sintomas físicos e psicológicos que indiciam a sua presença. Estes sintomas são variados, diferindo de pessoa para pessoa. Os físicos podem incluir taquicardia, taquipneia, dores no peito, astenia, boca seca, dores de cabeça, entre outros. Os sintomas psicológicos reflectem-se sobretudo em incapacidade de manter a atenção e a concentração, dificuldades de sono e angústia, muitas vezes o choro fácil e as alterações de humor estão também presentes. Contudo, quando não somos capazes de gerir adequadamente estas respostas emocionais, deturpando-as com erros cognitivos, isto é, quando temos formas de pensar deformadas, a ansiedade intensifica-se e pode surgir uma perturbação relacionada. A manutenção de um estilo de vida calmo e saudável, assim como a ponderação racional face às situações vividas no quotidiano são a melhor forma de viver saudavelmente a ansiedade, minimizando assim o seu impacto. Dra. Catarina Canário, psicóloga Colocado online em 14/05/2008
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Anónimo escreveu em 23/05/2008:
muito interessante
O seu filho não é um adulto Muitos pais olham para as suas crianças como se de adultos se tratassem, vários são os factores que contribuem para isso. As próprias crianças, por vezes, também se vêem como mais crescidas, comparando-se com os adolescentes das famosas series de televisão que consomem, tentando imitar atitudes e formas de relacionamento. Com isto, apagam muitas vezes o tempo de ser crianças que, mais tarde, poderão querer reviver, e então nunca conseguirão voltar atrás. Muitas vezes as crianças estão à espera para ocupar o lugar das pessoas crescidas, mas não são pessoas “crescidas”. Os pais são os adultos em quem os filhos necessitam de se apoiar e que, paulatinamente, os orientam no caminho da independência e da autonomia. Os pais não podem ter receio de assumir as suas responsabilidades e orientar as crianças com confiança. Os pais não devem atribuir às crianças um saber que elas não têm, nem que estas mostrem interesse em tudo o que as rodeia, não as devem confrontar constantemente com escolhas possíveis que as ultrapassam, nem mesmo com informação que não têm capacidade para compreender, hipervalorizando muitas vezes aspectos que as fazem sofrer e gerar ansiedade. Realçamos contudo, que a criança tem necessidades específicas que devemos valorizar, sem nunca a infantilizar. É preciso ter calma, não acelerar a todo o custo o ritmo natural do desenvolvimento, apesar de o actual contexto nos pressionar nesse sentido, estimulando a vontade de querer tudo no “agora”. Os pais devem orientar os seus filhos com confiança para que estes possam ser mais serenos vivendo o seu tempo de criança. Comente este artigo! Dra. Ivone Duarte, psicóloga
Colocado
online em 29/04/2008
Marília Sá comentou:to interessante Olá, Sou professora na Escola Secundária do Lumiar Lisboa, do grupo de Filosofia e estou a leccionar Psicologia numa turma de um curso profissional – Técnico de Apoio à Infância (10º ano). Procurava material de apoio para as minhas aulas sobre o tema da relação da Psicologia com as outras ciências(medicina …) e encontrei o seu artigo. Vou usá-lo na aula, porque é um tema que normalmente é referido entre outros. Está escrito de um modo acessível e permite a discussão. Esse erro comum a que refere, faz muitas vezes parte das vivências das próprias alunas através das próprias famílias e a sua tendência será repeti-lo com naturalidade. Só posso retribuir com uma frase de Rousseau: “A natureza quer que as crianças sejam crianças antes de serem homens. Se quisermos perverter essa ordem, produziremos frutos temporões, que não estarão maduros e nem terão sabor, e não tardarão em se corromper; teremos jovens doutores e velhas crianças. A infância tem maneiras de ver, de pensar e de sentir que lhe são próprias.” Jean-Jacques Rousseau
Foto: Carlos Martins
As diferentes especialidades no domínio da saúde mental
Actualmente os problemas de saúde
mental são a principal causa de incapacidade e um dos mais
importantes factores de doenças nas nossas sociedades.
Efectivamente, as necessidades no âmbito da saúde mental são
de tal relevância que exigem respostas atempadas e criativas
dos serviços de saúde. Assim, a psiquiatria é um ramo da medicina que, de um ponto de vista estrutural, e de um vasto conhecimento da biologia humana, particularmente do sistema nervoso central e periférico, encara os problemas da saúde mental como doenças ou perturbações. No seu tratamento, além dos psicofármacos, podem ser utilizados alguns métodos e técnicas de intervenção psicoterapêutica. Neste ramo da medicina, podemos distinguir entre a psiquiatria destinada a adultos e a pedopsiquiatria, destinada às perturbações mentais que se possam manifestar e desenvolver em crianças e adolescentes. Por seu turno, a psicologia, não sendo parte da medicina, consiste na ciência que se dedica ao comportamento e aos processos mentais. Diz então respeito ao conhecimento do indivíduo através do seu comportamento, das suas emoções e cognições. No tratamento das problemáticas que se repercutem ao nível da saúde mental do indivíduo, a psicologia foca o sujeito, privilegiando a utilização de métodos e técnicas psicoterapêuticas, o apoio e o aconselhamento psicológico. As duas especialidades são importantes em função da problemática apresentada pelo indivíduo e particularmente eficazes nos casos de maior relevo e importância quando combinadas. Dra. Ivone Duarte e Dra. Catarina Canário Colocado online em 06/04/2008
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