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O livro que mais me tocou

Armando Brito de Sá, médico de família, professor da Faculdade de Medicina de Lisboa

Leitura Médica

 

Aequanimitas. With other Addresses to Medical Students, Nurses and Practitioners of Medicine de Sir William Osler. New York: The Blakinston Division, McGraw-Hill, Inc. 1937

 

Sir William Osler (1849-1919) é uma das figuras marcantes da prática e do ensino da medicina do Século XX. Um conjunto de comunicações e conferências por si produzidas foi editado pela primeira vez em 1904...  (cont.)

 

Outras leituras

 

Cidadela de Antoine de Saint-Exupéry. Prefácio e tradução de Ruy Belo. Lisboa: Editorial Presença. 1996 (1ª Edição)

 

Os livros do final da adolescência são, por norma, os mais marcantes nas nossas vidas. Não foi excepção comigo – algumas das obras que mais prezo li-as nesse tempo. (cont.)

 

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Compreender e conhecer a “zona”

 

 

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O que é a zona?

A “zona”, também designada por “herpes zoster”, é uma infecção que se manifesta na pele por uma reactivação do vírus que provoca a varicela. Após a varicela, o vírus fica como que “adormecido” nas células nervosas. Pode nunca voltar a manifestar-se. Por vezes, com a idade ou por alguma fragilidade do sistema imune (o sistema natural de defesa do corpo humano), o vírus pode reactivar-se sob a forma de zona.

 

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Como se apresenta a zona?

Habitualmente, surge primeiro um formigueiro que vai evoluindo para ardência e dor.

Depois, aparecem umas manchas vermelhas e pequenas bolhas contendo um líquido transparente. A ardência e a dor vão aumentando, provocando um desconforto muito intenso. Durante a noite, pode ser difícil de suportar o peso do lençol em cima das lesões.

As bolhas vão-se transformando em crostas que vão cicatrizando lentamente ao longo de 7 a 10 dias. Por vezes, a alteração da cor da pele pode perdurar para sempre.

Todo este quadro pode ser acompanhado por febre, dor de cabeça e mal-estar geral.

 

Em que local do corpo se manifestam as lesões?

As lesões aparecem mais frequentemente no tronco, mas também podem ocorrer na face e à volta do olho. Normalmente, aparecem ao longo do trajecto de um nervo e daí o nome de zona.

 

Podem surgir complicações?

Cerca de 1 em cada 5 pessoas que têm zona pode ficar com dor, mesmo depois de as lesões da pele terem desaparecido. Isto designa-se por “nevralgia pós-herpética”. Esta dor pode prolongar-se por alguns meses ou até anos, mas tende a aliviar à medida que o tempo vai passando.

Outra possível complicação relaciona-se com a infecção das feridas por bactérias: o líquido das bolhas deixa de ser transparente e assume uma cor amarelada (pús).

Quando a zona envolve o olho, pode afectar o olho (“zona oftálmica”), perturbar a visão e até conduzir à perda total da visão. Nesta situação, sente-se dor no olho, lacrimejo e diminuição da visão.

 

A “zona” é contagiosa?

Ninguém poderá contrair zona por contactar com um doente com zona, mas poderá contrair varicela se ainda não a tiver tido. O doente com zona deve evitar o contacto com grávidas e com bebés de idade inferior a 12 meses.

 

Em quem aparece?

A zona é mais comum acima dos 50 anos. Pode ocorrer em pessoas saudáveis, mas o risco é maior nas pessoas que tenham doenças que diminuam a sua imunidade (p.ex. certos cancros, pessoas a fazer quimioterapia, pessoas com SIDA).

 

Como se trata?

O doente com zona deverá recorrer ao médico. Existem medicamentos antivirais (p.ex. aciclovir, valaciclovir) que estão indicados e são mais eficazes se iniciados nos 3 primeiros dias de aparecimento da doença. Estes medicamentos aceleram a cicatrização e reduzem a severidade e a duração da dor.

Um medicamento “tipo cortisona” poderá ser usado para reduzir a dor, a inflamação e o risco de desenvolver nevralgia pós-herpética.

Um gel de anestésico local (p.ex. lidocaína) pode ser aplicado directamente na pele, o que contribui para aliviar a dor.

Existem medicamentos (p.ex. amitriptilina, gabapentina) que poderão ser usados para tratar a dor que permanece mesmo depois de as feridas terem cicatrizado (nevralgia pós-herpética).

 

O que pode fazer?

Se não for possível recorrer ao médico, poderá adquirir directamente na farmácia medicamentos para aliviar a dor (p.ex. paracetamol ou anti-inflamatórios) e o gel anestésico.

Use uma roupa larga e leve.

Se o olho estiver afectado (dor no olho, lacrimejo, alteração da visão), deve recorrer de imediato a um oftalmologista, pois existe risco de perda de visão desse olho.

 

Carlos Martins

Núcleo de Actividades Preventivas da APMCG

Departamento de Clínica Geral da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP)

 

 

 

 

 

Tópicos:

Alergias: asma, rinite e conjuntivite

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