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Parte II – Promoção e protecção da saúde nas diferentes fases de vida
2.1. Pessoa, família, saúde e doença

26. Ciclos vitais
Cristina Ribeiro

Documento de trabalho
última actualização em Dezembro 2000

Contacto para comentários e sugestões: Rebelo, Luís

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1. Introdução: o processo de individuação
O estudo do desenvolvimento familiar deverá articular quatro classes de movimento dentro da história evolutiva da família
1. O movimento de cada individuo no seu ciclo vital singular
2. A interacção deste ciclos vital num momento dado da história familiar 
3. O movimento evolutivo da organização familiar inter actuante ao longo do seu ciclo vital
4. A interacção dos ciclos familiares intergeracionais visto que o progenitor jovem de uma família em fase de procriação é por sua vez filho da sua família de origem que se encontra já em processo de maturação
No curso de desenvolvimento familiar existe constantemente uma relação recíproca entre as linhas de desenvolvimento individual, sistémicas e intergeracionais. Desse facto resultará uma unidade integradora do desenvolvimento familiar que se baseia essencialmente nas etapas do ciclo vital. Daremos o conceito de individuação como um meio de integrar no estudo do desenvolvimento familiar, a que abarca a vida individual na sua dinâmica interpessoal. O desenvolvimento desde a infância à idade adulta envolve um processo de individuação. Individuação significa a definição de si próprio em relação aos outros desde o reconhecimento inicial das suas fronteiras corporais com as do corpo materno até ás experiências adultas o que requer reavaliar a sua própria identidade no interior do sistema familiar.
Ainda que constituindo uma das principais causas de mudança familiar, o crescimento dos filhos não constitui a única fonte de desenvolvimento. A etapa evolutiva em que se encontra os progenitores em relação ás suas famílias de origem, a sua formação pessoal de identidade e o seu matrimónio interagem com a etapa evolutiva do filho e determinarão a capacidade da família de lidar com a natureza «stressante» das transições familiares.
Mesmo assim circunstâncias várias externas e sociais podem confrontar os membros da família com situações que exigem mudanças nos seus vínculos. A maioria das famílias experimenta mudanças a que se tem de adaptar todo o grupo familiar; é o caso de uma doença, uma morte prematura, mudanças na situação económica como exemplo. Com a individuação é-nos permitido descrever dois aspectos fundamentais presentes no desenvolvimento familiar: a necessidade simultânea de continuidade e mudança e a necessidade simultânea de intimidade e independência. Portanto existe um equilíbrio óptimo entre a da novidade e a preservação do que se já existe, equilíbrio este que é adequado à idade e a novas situações interpessoais o que torna possível respostas que permitem o crescimento no seio da família.
No desenvolvimento normal de uma família o crescimento inclui a perda de velhas formas relacionais e a aquisição de novas e a capacidade de adaptação 
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2. As fases de ciclo de vida e a intervenção da MGF
O ciclo vital diz respeito a uma sequência previsível de transformações na organização familiar em função de tarefas bem definidas: a essa sequência dá-se o nome de ciclo vital e essas tarefas caracterizam as suas etapas. É de notar que as tarefas de desenvolvimento das famílias para além de se relacionarem com as características individuais dos elementos que as compõem têm que ver com a pressão social para o desempenho adequado de tarefas essenciais à continuidade funcional do sistema/família. Ou seja, tem como funções primordiais o desenvolvimento e protecção dos seus membros (função interna) e a sua socialização, adequação e transmissão de determinada cultura (função externa). Nesta óptica a família terá que resolver com sucesso as duas tarefas que são a criação de um sentimento de pertença ao grupo e a individualização/autonomização dos seus elementos.
O ciclo vital da família expressa uma perspectiva desenvolvimentista e representa um esquema de classificação em estádios que demarcam a sequencia previsível de transformações diferenciando fases e etapas que integram de modo interactivo factores como a dinâmica interna do sistema, os aspectos e características individuais e ainda a relação com os contextos onde a família se insere nomeadamente com a sociedade e outros subsistemas.
Duvall nos anos cinquenta apresentou a primeira classificação de estádios do Ciclo vital onde foi introduzida a noção de tarefas de desenvolvimento no todo familiar considerando a presença de crianças e a idade e evolução do filho mais velho como critério adequado para a sua delimitação. Ele delimitou oito estágios conforme esquema em anexo.

Hill e Rodgers assinalam três critérios de «marcação» de estádios de ciclo de vida da família:
1. Alterações etárias
2. Estádio expansivo (junção do primeiro filho para constituir, «fechar a família»)
3. Estádio estável (período de educação dos filhos até que o primeiro saia de casa)
4. Estádio de contracção (período de saída, «lançamento» dos filhos para o exterior, até que o ultimo saia de casa)
5. Estádio pós -parental (de novo casal sem filhos)
Repare-se que quase todos estes modelos dizem aparentemente respeito à família dita típica pressupondo nesse tipicíssimo, a família nuclear intacta. Apresentam-se com uma normatividade que obviamente não contempla uma série de variantes que hoje e cada vez mais são importantes em termos da análise da família e de que são exemplos entre outras, os divórcios, as famílias reconstituídas, as famílias de homossexuais, as famílias sem filhos ou as famílias da adopção. Também não podemos esquecer factores com a evolução demográfica, o controlo natalidade, o aumento da esperança de vida, o trabalho feminino, a expansão da civilização urbana com o correspondente aumento de stress e distanciamento afectivo e geográfico que implicam novas vicissitudes no ciclo vital da família.

Por outro lado as etapas do ciclo vital «arrumadas» nas diferentes classificações uma a seguir às outras como se as famílias resolvessem um fase e a seguir passassem a outra não corresponde necessariamente à realidade vivida temporalmente. Em grande número de famílias, os estádios de desenvolvimento sobrepõem-se e podemos encontrar, uma família com uma grande fratria e filhos mais pequenos ao lado de filhos já adolescentes. Estas sobreposições e consequentemente a existência de diferentes níveis de desenvolvimento na mesma família ajudam a alertar para a necessidade de atender à individualidade de cada família não só nos conteúdos mas também nas suas possibilidades de constituição e organização.

O sintoma na família pode sinalizar que a família ficou bloqueada e tem dificuldade em transitar para a fase seguinte pelo que o médico de família se deve centralizar no esforço de lhe devolver a capacidade de retomar o seu processo normal de desenvolvimento. É um ponto de vista que permite ao clínico avaliar não só os problemas familiares mas também as suas forças e recursos.
Logo quando se pretende ajudar a família deve-se tentar situá-la na fase do ciclo vital em que se encontra pois que a conceitualização do ciclo vital da família dá um contributo valioso para o seu estudo ao centrar-se na evolução temporal das interacções (entre os membros da família, entre estes e outros não familiares, entre a família e outras estruturas sociais) transformando-se desta forma num instrumento clínico importante para o diagnóstico e planeamento da intervenção; deve no entanto ser utilizado dentro da individualidade de cada realidade familiar.
Na abordagem da família há dois factores permanentemente implícitos: o tempo e a mudança. Poderíamos falar num tempo familiar que se expressa no desenrolar do quotidiano e que permite o reenquadramento dos «ciclos vitais» das «diversas famílias nucleares» de cada família. Ou seja inclui-se aqui a noção de funcionamento dinâmico do sistema.

Existem momentos de transformação que correspondem aos marcadores do ciclo vital ou seja, ao início dos seus diferentes estádios de transição ou de fases de transição. Tais momentos correspondem às chamadas crises pois implicam stress na vida familiar. Com efeito a crise é sentida no sistema como algo diferente uma vez que comporta uma dimensão de imprevisibilidade ao exigir a transformação de um modelo de relações que o sistema conhece e controla. A manutenção da coerência do sistema exige uma continuidade entre a estrutura passada e a presente; ou seja requer-se uma transformação do modelo relacional.
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As fases de transição do ciclo de vida e as crises
É conveniente referir que as crises familiares não se esgotam nos momentos de transição do ciclo vital; essas são as crises esperadas.
A crise pode ter que ver com exigência de mudança; pode ter que ver com as tarefas normativas do evoluir familiar ou com situações e fontes de stress acidentais que de alguma forma intersectam ou colidem com o caminho da família ao longo do ciclo vital. Toda e qualquer família está sujeita a mudanças e passa necessariamente por várias crises. As famílias diferenciam-se na forma como são capazes de as elaborar isto é de encontrar vias que lhe permitam a reestruturação e que as faz avançar enquanto família.
Diferenciam-se na flexibilidade, na possibilidade de reencontrarem um equilíbrio dinâmico. As famílias capazes de criarem essa flexibilidade de evoluir através das crises para outro nível mais complexo, permitem a mudança sem perturbar a evolução estável dessa mesma família. As famílias que não conseguem ser flexíveis ou rigidificam o sistema em fase de transição ou entram num espaço de caos transaccional, não encontrando caminho para a evolução, entrando em disfuncão podem cristalizar-se na patologia de um ou mais elementos. A história da família será pois a história da sucessiva progressão dos seus momentos de crise e períodos de transição bem como da evolução ou dificuldades que a sua elaboração comporta no chamado ciclo vital e no entrecruzar das gerações.
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Alguns problemas específicos nas etapas do Ciclo de Vida
O ciclo de vida familiar permite ao médico de família entender o desenvolvimento individual dos elementos da família e as interacções dos seus elementos na família como um todo. O ciclo de vida familiar pode estar relacionado a doença e manutenção da saúde. Pelo facto de o ciclo de vida consistir numa série de eventos mais ou menos previsíveis na formação e crescimento familiar é possível situar o papel do médico de família como o que providencia os cuidados de saúde à família enquanto esta passa por sucessivas fases do ciclo de vida. Utilizando estas premissas é possível relacionar o desenvolvimento da família num conjunto de situações clínicas directamente relacionadas com as fases de formação e expansão da família.
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A formação do casal
O ciclo vital da família tem que ver com a sequência de estádios que atravessa a família desde a sua criação até à sua dissolução. Quando o ciclo familiar se altera ou se interrompe ou quando a família tem dificuldade para cumprir as funções específicas inerentes a cada etapa produzem-se situações que alteram a homeostasia familiar que podem levar a crise do sistema familiar. O mesmo pode suceder nas transições de ciclo de vida já que requerem mudanças de papéis, de tarefas que nem todas as famílias se conseguem ajustar. O modelo básico passa pelas fases de formação, expansão seguida de contracção e dissolução. O médico de família como conhece a estrutura familiar deve fazer por identificar a fase de ciclo em que a família se encontra. Há que optar por um dos modelos, apesar de muitas vezes a reorganização das famílias torne difícil situa-la nestes contextos de ciclo de vida como já se referiu.Um dos modelos mais vulgarmente conhecido e utilizado é o modelo de Duvall que corresponde a 8 fases que decorre desde a fase do casal sem filhos, com filhos passando pela idade pre-escolar, escolar, adolescentes e ainda saída dos filhos, e finalmente sem filhos e desde a reforma á morte de um dos conjugues. O médico de família tem a oportunidade de poder contemplar as diversas fases do ciclo familiar e por isso ocupa um lugar privilegiado para prevenir alguns problemas clínicos e psicossociais e na prestação de ajuda perante situações de crise. Em cada etapa do ciclo de vida decorrem problemas de saúde determinados de acordo com o papel e as tarefas que desempenham os seus membros. A gravidez, o recém-nascido, o adolescente, o adulto jovem, e o idoso que monopolizam determinados estádios na vida da família podem levar a um conjunto específico de morbilidade. Por outro lado uma mesma patologia diagnosticada em diferentes etapas do desenvolvimento pode ter implicações distintas no que se refere a cuidados e tratamentos de aspectos físicos, emocionais e sociais. Numa perspectiva comportamental e emocional cada etapa do ciclo de vida implica mudanças, adaptações que afectam a saúde dos seus membros e a função da família. Na seguinte tabela exemplificamos os mais significativos. Nas fases de transição de uma etapa para outra como foi referido, quando as modificações estruturais e funcionais que acompanham a transição dificultam o desenvolvimento de tarefas e actividades familiares. As situações que mais frequentemente perturbam a evolução de cada etapa do ciclo de vida são as seguintes:
1. Famílias em formação: mudanças de estatuto, más relações com as famílias de origem
2. Famílias em crescimento: nascimento de filhos não desejados, novos nascimentos que modificam a situação da família, nascimento de um filho deficiente, começo do período escolar e a adolescência.
3. Famílias na fase de contracção: choque entre as diferentes gerações, modificações nas relações pais/filhos, «ninho vazio» e perda de um dos conjugues.
A importância da utilização das fases de ciclo de vida tem fundamentalmente que ver com os seguintes aspectos:
1. Permite actividades preventivas que evitam os acontecimentos vitais «stressantes» relacionados muitas vezes com fases de transição de ciclo de vida ou que tenham a ver com problemas próprios de cada etapa do ciclo.
2. Permite a utilização dos recursos terapêuticos, individuais ou familiares tendo em conta as características emocionais e sociais de cada etapa.
3. Em terceiro lugar permite adequar cada etapa do ciclo de vida a determinados programas de saúde comunitários
Para situar a família no seu ciclo de vida familiar pode-se pôr um conjunto de questões:
Data do casamento
Idade dos conjugues ao casar
Com estas respostas situamos o inicio do ciclo de vida familiar e se a idade com que se casam responde ás expectativas normativas.
Tempo decorrido desde o inicio do matrimónio até o nascimento do primeiro filho
Idade dos filhos
Com estes dados estabelece-se o tempo em que o casal esteve sem filhos assim como o início e a passagem pelas etapas I, II e III
Numero de filhos que vivem em casa 
Data do abandono dos filhos de casa
Estes dados permitem situar o princípio e o fim das etapas III, IV e V
Falecimento de um dos conjugues
Deve-se identificar o ciclo vital da família perante determinadas situações crónicas, problemas agudos graves com compromisso vital ou em situações terminais e sempre que se realize um genograma.
Durante as primeiras fases o casal tenderá a assumir funções e tarefas específicas em cada etapa e deverá preparar-se para as modificações que ocorram na transição de uma etapa do ciclo noutra. A necessidade de adaptação a novas fases do ciclo e de assumir mudanças provoca quando não assumidos, tristeza, ansiedade e indignação. O médico deve estar atento à evolução da família sobretudo de forma a poder prevenir os conflitos e as situações de sofrimento que daí advêm.
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Primeira etapa do ciclo de vida
Na primeira etapa os membros do casal adaptam-se ao casamento assumindo as mudanças que requerem a aceitação mútua aos níveis emocional, cultural e sexual.
Após o nascimento do primeiro filho o casal vai enfrentar novos problemas que passam pelo facto de o filho ter ou não sido desejado, o existir ou não de problemas económicos ou laborais e o tempo de duração do período sem filhos.
Ao terem decidido casar-se constituem um grupo primário que estabelece mudanças nas suas relações anteriores com os seus pais, irmãos e amigos. Neste período têm que encontrar respostas ou improvisar soluções sobre múltiplas questões muitas delas não previstas antes do casamento como por exemplo se a esposa continua a trabalhar, as relações com os amigos do outro.
À medida que vão adquirindo experiência nas suas relações o casal vai desenhando estratégias para enfrentar as suas próprias diferenças. Nesta fase evitam-se as discussões abertas ocultando os seus respectivos sentimentos ou suavizando a diferença pelos sentimentos. Com o tempo as áreas de controvérsia vão-se ampliando, a tensão cresce e o casal mostra-se mais irritável.
O casal que no período sem filhos se organizou de um modo equilibrado, com o nascimento de um filho vai de novo confrontar-se com um novo contexto de vida. Concretamente já no período de gestação o próprio humor da mulher pode ser muito variável e o médico de família deve estar atento e conhecer as reacções emocionais associadas à gestação. Neste período a mulher está muito susceptível e muitos pensamentos que possa ter reprimido e para os quais tinha estabelecido mecanismos de defesa vêm à superfície e podem-se manifestar ao menor estimulo. Muitas vezes são velhos problemas não resolvidos e relacionados com membros da família. Por outro lado a expectativa em relação ao filho que vai nascer e alguns receios que tem a ver com a própria gestação são preocupações que podem surgir na grávida. Uma boa relação conjugal e um bom investimento do casal e a do marido na sua tarefa de futuro pai permitirão uma melhor transição de ciclo de vida
Segundo Medalie o casal que aguarda um filho deve enfrentar novas cargas e papéis dentro dos quais se destacam os seguintes:
Adaptação à realidade biológica da gravidez: alterações nas relações sexuais, maior dependência, modificações físicas da mulher como exemplo.
Problemas económicos relacionados com novas despesas que agravam se a mulher deixar de trabalhar.
A habitação e a necessidade de um novo espaço para o filho.
As mudanças nas relações e actividades extra familiares para se adaptarem às mudanças da própria mulher como a ver com os novos papéis como futuros pais incluindo actividades sociais e lúdicas relacionadas com parentes, vizinhos, amigos, colegas de trabalho etc.
Quanto aos problemas de saúde serão as patologias relacionadas com a gestação que ocupam o lugar mais significativo nesta fase do ciclo.
Junto a um grande número de pequenos problemas (náuseas, pirose, varizes) destacam-se como entidades mais significativas hemorragias (por aborto, placenta prévia), as incompatibilidades Rh e a depressão pós parto.
Investigar antecedentes pessoais e factores de risco familiares. Nestas famílias o programa de consultas de gravidez com o correcto cumprimento das consultas contempladas no programa de saúde materna é fundamental. Neste contexto situar o papel da grávida durante a gestação prepará-la para o trabalho de parto e desanuviar os temores decorrentes da gravidez sempre que possível com envolvimento sistémico é fundamental.
Por outro lado preparar a mulher para a visita puerperal com diferentes objectivos desde a sua própria situação física como recomendações relativamente ao seu filho em relação a todo outro conjunto de procedimentos clínicos.
Estar atento nesta fase do ciclo a alguns aspectos que permitem prevenir a dificuldade de o casal se adaptar à nova fase de ciclo que são por exemplo:
As relações com as famílias de origem
Analisar as características de personalidade de cada elemento do casal.
Detectar as mudanças que decorreram em termos relacionais nesta nova fase de ciclo de vida.
Abordar os problemas sexuais
Analisar qual a posição da grávida face à gravidez e ao nascimento do filho.
Procurar apoio social durante a gestação.
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Etapas do ciclo de vida de expansão (nascimento do primeiro filho, etapa preescolar e escolar-Fases II, III e IV)
A chegada do primeiro filho provoca uma mudança na vida do casal que se deve adaptar essencialmente ao estatuto novo de pais. Há diferenças consoante se trate da fase de um filho recém-nascido, na fase pré-escolar ou na fase escolar. Durante o período de recém-nascido e pré-escolar decorrem as seguintes transformações:
A mulher deverá ter capacidade de gerir as tarefas de mãe com as de mulher no âmbito do casal e com as funções a nível profissional e relacional
Com a chegada do filho a díade marido/mulher transforma-se em tríade. Por vezes este facto cursa com alianças e coligações de forma que a parte da comunicação complementar ou simétrica se realize através do filho.
As relações com as famílias de origem são alteradas; há quase sempre uma aproximação e muitas vezes as mesmas funcionam como rede e apoio social sempre que o factor proximidade física o permita. Do ponto de vista económico é um período em que a gestão dos custos deverá ser ponderada eficazmente pelo casal e o mesmo poderá transformar-se num problema se existirem poucos recursos.

No período escolar se focaliza na saída do filho do mundo familiar pelo que o casal terá que se reorganizar com a confrontação com outros estilos de vida, com a presença de companheiros de escola e de outras famílias e com as novas relações com os educadores. Uma nova realidade existe face aos resultados escolares e face à capacidade de adaptação do filho a esta nova realidade no que tem que ver com gestão de horários, hábitos de estudo e adaptação a todo um novo ambiente sócio cultural. O equilíbrio familiar pré-escolar, o equilíbrio emocional da criança é factor importante para a adaptação ao novo espaço relacional que lhe é exigido com a entrada e estadia na escola. O médico de família deverá estar atento a todos os aspectos equilíbrio familiar pré-escolar, o equilíbrio emocional da criança é factor importante para a adaptação ao novo espaço relacional que lhe é exigido com a entrada e estadia na escola. O médico de família deverá estar atento a todos os aspectos para que possa prever dificuldades de inserção e adaptação escolares. Durante o tempo escolar as perturbações de comportamento na infância, as perturbações no sono, o não querer ir para escola, as crises de choro, a enurese nocturna, a recusa alimentar são alguns exemplos de problemas comuns nesta fase do ciclo de vida onde cabe ao médico de família essencialmente situar o problema em termos clínicos, relacionais e sociais tendo em conta que o sintoma reflecte a dificuldade na interacção dos contextos existentes nomeadamente família -escola. Há que estar atento a:
Adaptação da família ao meio escolar
Canalizar as relações com as famílias de origem
Avaliar a repartição de tarefas e funções do casal em relação ao cuidado dos filhos
Estar atento a aspectos relacionados com as vacinações das crianças, prevenção de acidentes na infância e a importância do exame global de saúde como factor preventivo e de detecção precoce de factores de risco clínicos, familiares e sociais a control
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Familia com filhos adolescentes (FASE V)

Durante a adolescência que o subsistema familiar estenda as suas relações com meios extra familiares que vão desde a escola, o bairro, os amigos. Por outro lado o jovem que vai amadurecendo cria novas tensões no seio da família de modo que a ansiedade está muitas vezes presente pelo facto de sentimentos como a perda de controlo, a perda do respeito e o amor dos filhos decorre na mente dos pais
Podemos dividir a adolescência em três etapas:
A primeira que ocupa o período dos onze aos treze anos
A segunda entre os catorze e os dezanove 
E a terceira entre os vinte e vinte e três anos.
Cada uma delas tem as suas peculiaridades e afectam de forma distinta a família. Durante este período decorrem mudanças biológicas e psicológicas importantes.
De acordo com Duvall todas estas transformações se relacionam com o modo como o adolescente se adapta ás transformações do seu corpo, com a sua socialização e relacionamento nomeadamente com o genero oposto e o seu grau de autonomia nomeadamente em relação aos pais.Para poder dar este passo para a autonomia o adolescente tem que saber lidar com a ansiedade e a frustração de uma forma equilibrada e apesar de ser um periodo da vida em que em que menos se procura os serviços de saude por razões de doença, as estruturas de saúde devem proporcionar um atendimento deste grupo populacional.
Por outro lado no momento em que o filho mais velho chega á adolescencia é 
O momento ideal para que o médico de familia inicie um trabalho de aconselhamento e de ajuda antecipada aos pais com o intuito por um lado de perceber que recursos o sistema familiar tem para ser capaz de permitir a autonomização do adolescente sendo contudo capaz de definr regras e situar as fronteiras existentes.
Isto pode ser feito como refere Revilla do seguinte modo
1.Analizando a situação dos recursos da familia no que refere á diade liberdade/responsabilidade
2.Investigar as interelações entre pais e filhos adolescentes
3.Valorizar os possiveis comportamentos de risco do adolescente em função das particularidades do contexto familiar

As ultimas etapas do ciclo de vida

Relativamente às últimas etapas do ciclo de vida tem em comum o facto que decorrem perdas tanto no número de elementos como de funções, papeis e estatutos.
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A Fase VI é caracterizada com a saída desde a saída primeiro filho de casaaté á saída do ultimo. Os problemas com que enfrentam as famílias durante esta etapa podem encontrar-se a três níveis: a nível individual, a nível interpessoal e por ultimo no espaço relacional com os filhos. O casal situa-se na idade adulta e tem consciência de que já passaram um conjunto de anos importantes na trajectória de vida e que o «tempo se vai de certa forma esgotando». Há um confronto com sonhos e projectos que se alcançaram ou não.Com a saída dos filhos que constituía um dos principais elos de comunicação há que redescobrir ou reiniciar um novo espaço em que o apoio recíproco é fundamental mediante a estima e o afecto.
Os pais vão aceitando ou aprendendo a aceitar a saída dos filhos de casa e só surge crise ou maior dificuldade nesta mudança quando sai aquele que funcionou essencialmente como o sistema de comunicação dos progenitores. Algo de semelhante acontece com a saída do filho se for único já que com a sua saída decorre de imediato a síndrome do ninho vazio. O casamento dos filhos pode levar a uma nova situação que é o envolvimento demasiado intenso dos pais neste novo espaço relacional.
As doenças cardiovasculares fundamentalmente a doença coronária, as alterações cerebrovasculares e a hipertensão arterial constituem as principais causas de morbimortalidade nesta etapa do ciclo vital familiar. Para além destes problemas há ainda a destacar os do foro reumatológico e um grande número de problemas emocionais. É importante portanto:
Analisar as relações entre pais e filhos e as do casal. Estes dados permitem aperceber de quais são os futuros aportes afectivos das famílias. Avaliar quais os riscos de saúde de cada cônjuge e estabelecer um plano de medidas preventivas a médio prazo. Estudar as mudanças de papel nos membros da família e permitir a compreensão dos mesmos.
Comentar as perdas que se produziram na família tanto de pessoas como de funções. O papel do casal na fase de ninho vazio é cada vez mais restrito.
As funções fundamentais da família como sejam a procriação e o acompanhamento dos filhos no crescimento foram cumpridas. Isto pode mudar se algum filho não se casa e fica com os pais. 
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Fases VI e VIII
Nestas etapas as alterações que ocorrem nas suas actividades e nas relações interpessoais obrigam a um reajuste na relação de casal. A permanência dos filhos em casa nas etapas anteriores implicava que os pais tivessem alguma dificuldade de investimento em si próprios tanto individualmente como casal. A restruturação da sua relação em moldes diferentes, após a saída dos filhos, é portanto necessária já que estão isentos das mais absorventes tarefas parentais. Apesar de importante, esta vertente de vazio pós saída dos filhos que é tão valorizada nos estudos sobre ciclo vital da família é contrabalançada por um espaço próprio de investimento como casal. 
A reforma é outro aspecto que pode ter aspectos positivos e negativos individualmente e essencialmente na renegociação conjugal. Numa perspectiva sociológica, a reforma corresponderia a um estatuto cultural que estaria relacionado com uma liberdade tardia e com o lazer mas, na prática, por limitações de natureza financeira e por uma provável não preparação para se situar temporalmente nessa fase, a reforma consiste tão sómente, na exclusão do trabalho. Traduções como o não ter nada que fazer, quebra de rendimento, perda do sentido de finalidade, diminuição dos contactos sociais e ainda declínio da saúde reflectem este estado. Se ambos os conjugues se reformam simultaneamente terão que aprender a estar juntos a tempo inteiro e sem se cansarem um com o outro. Mas se um deles obtém a reforma mais cedo do que o outro, o seu sentimento de solidão em casa e sem ocupação poderá exigir uma disponibilidade e atenção pelo que trabalha; logo a grande transformação nos hábitos do quotidiano do casal tem que corresponder a um reajuste. É importante referir que a evolução pós parental positiva está fundamentalmente associada á capacidade que o casal teve durante a fase parental para manter autonomia como subsistema conjugal.
O médico de familia deverá estar atento ao periodo pré reforma de modo a poder juntamente com o casal prever estas modificações e tambem avaliar qual a importancia atribuida pelos proprios á nova etapa da vida. Poderá assim prever que capacidade de adaptação poderá existir neste contexto.
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Bibliografia
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Medalie JH. Principios y prática. Ciudad de Mexico: Limusa; 1987.

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