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Enquanto ao nível da população infantil a vacinação tem sido reconhecida como tendo um papel positivo na diminuição das doenças, a vacinação dos idosos, que apresenta evidência crescente da sua importância, não tem sido suficientemente aceite.
Neste grupo etário as imunizações recomendadas são as seguintes (Quadro I):
4
Quadro
I
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Imunizações
recomendadas nos Idosos
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| VACINAS |
PERIODICIDADE |
| Antigripal |
Anualmente |
Anti-tetânica
Se não está Imunizado:
1ª Administração
2ª Administração
3ª Administração
Posteriormente
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0,5 ml intramuscular
4 a 8 semanas após a 1ª
6 a 12 meses após a 2ª
10 em 10 anos |
| Antipneumocócica |
Geralmente
uma só administração em doentes com idade >=
65 anos |
1
Vacinação
Antigripal - deve ser efectuada anualmente, no Outono que antecede a época de gripe, para diminuir os riscos de morbilidade e mortalidade devidas a complicações de infecções respiratórias. Tem existido alguma diminuição das complicações das infecções respiratórias desde que se iniciou a recomendação de vacinação deste grupo etário. O risco de ocorrer uma síndrome semelhante à gripe, após a vacina, é actualmente muito pequeno, da ordem dos 4 a 5%.
Na profilaxia e no tratamento de doentes expostos ao vírus influenza A tem sido utilizada a
amantadina tendo-se revelado eficaz, sendo particularmente útil em doentes idosos directamente expostos à gripe, como no caso de surtos em lares de idosos. A administração de
amantadina como adjuvante a pessoas de alto risco, anteriormente imunizadas, intensifica o efeito protector da vacina. Quando for utilizada nas 48 horas após o início dos sintomas pode encurtar substancialmente a doença e minorar os sintomas.
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Vacinação Anti-tetânica - é outra vacinação importante que deve ser aconselhada e da qual não se devem excluir os idosos.
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Vacinação Anti-Pneumocócica - Apesar da utilização dos antibióticos a pneumonia pneumocócica continua a ser uma causa de morbilidade e mortalidade, principalmente no grupo etário de idade superior a 65 anos. Por vezes esta doença não é diagnosticada correctamente, sendo a 4ª causa de morte entre os idosos em muitos países, nomeadamente no Canadá. A resistência à penicilina é um problema importante e vacina abrange até 90% de todas as estirpes. Alguns autores recomendam a vacinação anti- pneumocócica de rotina a partir dos 55 anos, antes que comecem a aumentar as infecções pneumocócicas relacionadas com a idade e comecem a aparecer as doenças debilitantes. A vacina de 1977 continha 14 tipos de polissacáridos responsáveis por cerca de 80% das infecções por pneumococos. Em 1983 apareceu uma vacina melhorada com 23 polissacaridos responsáveis por cerca de 90% dos casos de infecção pneumocócica, substituindo a anterior. Aparentemente a vacina parece ter pelo menos 70% de eficácia na prevenção da pneumonia e tem sido bem tolerada e é segura, tendo assim uma boa relação custo/eficácia. A dor e eritema no local da inoculação e febre ligeira ocasional são os efeitos laterais descritos. Após a revacinação parece haver aumento de efeitos laterais e os níveis de anticorpos persistem durante anos, não sendo recomendada a revacinação. Os doentes que receberam a vacina de 14 valências, utilizada entre 1977 e 1983, não deverão receber a nova vacina de 23 valências, uma vez que os riscos de reacções locais parece não justificar a ligeira protecção adicional. Têm sido descritos riscos de reacções anafiláticas em doentes com asma, provavelmente devido à caseína usada no processo de fabricação da vacina.
Outras imunizações como a vacina da hepatite, febre amarela, raiva, cólera, etc, são reservadas para situações específicas de doentes que façam viagens para certos países onde exista risco aumentado de contacto ou noutras situações pontuais.
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