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Uretrite é a inflamação da uretra. Pode ser aguda
(maior parte das vezes), sub-aguda ou crónica.
Sintomatologia - corrimento purulento uretral e disúria; pode ser
assintomática.
Doença de transmissão sexual na maioria dos casos.
Aumento da prevalência e incidência neste último quarto
de século, tendo-se tornado epidémica em quase todos os
países do mundo.
Agentes etiológicos variados e habitualmente associados entre si;
a forma de apresentação é sobreponível não
permitindo a identificação do agente pela clínica.
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Etiologia
Transmissão
sexual
A
uretrite masculina de transmissão sexual é tradicionalmente
classificada em gonocócica e não gonocócica, com
aumento da incidência da última nos países ocidentais,
sugestivo da ineficácia das medidas de controlo sanitário.
1. Uretrite gonocócica
- A infecção é sempre de origem venérea;
- Período de incubação - uma a duas semanas;
- Clínica - 2 a 4 dias de disúria e corrimento purulento
espesso por vezes acompanhado de linfadenite inguinal. Em situações
de infecção sistémica pode surgir dor lombar, exantema,
febre e poliartrite;
- Outras manifestações - edema do pénis, tromboflebite
dorsal, infiltração inflamatória subserosa da uretra,
abcesso ou fístula periuretral, inflamação ou abcesso
da glândula de Cowper e vesiculite seminal;
- Diagnóstico - exame directo com coloração de Gram
das secreções uretrais (leucócitos polimorfonucleares
e diplococos intra celulares Gram -);
- As uretrites mistas com Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis
ocorrem em mais de 20% dos doentes;
- Evolução - desde resolução expontânea
a evolução para a cronicidade (com leucorreia escassa);
- Complicações - estenose uretral (mais frequente na doença
não tratada).
2. Uretrite não gonocócica (UNG )
- Período de incubação - cerca de 2 semanas;
- Clínica - apresentação sub-aguda com 3 a 4 semanas
de corrimento pouco abundante, por vezes intermitente, por vezes só
matinal (gota matinal) mucóide ou purulento, com disúria
menos marcada. Pode ser assintomático;
- Diagnóstico - exame directo da secreção uretral
(mais de 5 neutrófilos por campo e alguns organismos pleomórficos
mistos extra celulares);
- Agente mais frequente - Chlamydia trachomatis (23 a 55% conforme a população
considerada); maior prevalência nos adolescentes sexualmente activos;
- Evolução - habitualmente em crescendo-decrescendo nos
casos não tratados, podendo durar várias semanas e resolver
espontaneamente;
- Complicações - raras (epididimite, prostatite e síndroma
de Reiter).
O diagnóstico de uretrite por Chlamydia trachomatis é importante
pela elevada prevalência da infecção nas parceiras
sexuais. A doença do aparelho genital feminino, pode ocasionar
esterilidade e nas grávidas infecção do recém-nascido.
3. Outros agentes da UNG
- Ureoplasma urealyticum - é causa etiológica de cerca de
1/3 das uretrites não causadoras por gonococos e Chlamydia. É
sexualmente transmitido e a uretrite que causa é indistinguível
de outras UNG. Outros microrganismos aparentados, como o mycoplasma hominis
e genitalium podem também ser patogénicos uretrais.
- Tricomona vaginalis - só cerca de metade dos infectados apresentam
sintomas e corrimento uretral visível. Este agente deve ser considerado
nos doentes que tem sintomas, com escasso ou nenhum corrimento uretral
no exame objectivo.
- Herpes Simplex e vírus do papiloma humano
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Sem transmissão sexual
1. Piogénicos não gonocócicos
- Sobreinfecções em doentes com uretrite recidivantes, crónicas
ou mal tratadas e manipulação uretral. Tem sintomatologia
menos marcada e complicações raras;
- Diagnóstico - detecção do agente etiológico
no corrimento uretral em presença de polimorfonucleares;
2. Mycobacterium tuberculosis
A uretrite tuberculosa aparece no contexto de uma tuberculose de aparelho
urogenital.
3. Uretrite amicrobiana
- Rara. Apresentação crónica e sintomatologia atenuada.
- Causas - agentes não detectados, irritação uretral,
química (uso de contraceptivos e lubrificantes) e mecânica
(manipulação repetida).
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Avaliação clínica e laboratorial
Na avaliação clínica são importantes:
- Características e duração dos sintomas;
- Aspecto do corrimento uretral;
- Número de parceiros sexuais e utilização dos métodos
de barreira;
- Sintomas e sinais de complicação local (prostatite e epididimite)
ou infecção sistémica gonocócica ou síndroma
de Reiter.
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Estudo laboratorial
1. Exame directo e cultural do corrimento uretral.
O exame directo com coloração de Gram deverá ser
o primeiro estudo a realizar-se. A amostra deve ser colhida antes da primeira
micção ou várias horas após a última
micção, por zaragatoa uretral.
Os exames directos com a coloração de Gram e culturais permitem
o diagnóstico diferencial entre a uretrite gonocócica e
não gonocócica.
2. Métodos de detecção de antigénios
Diagnóstico da infecção por Chlamydia. Os mais utilizados
são a imunofluorescência directa em lâmina e o imunoensaio
enzimático (Elisa). O primeiro método é o mais sensível
e específico e o segundo o mais barato.
A utilização destes exames é útil, porque
os resultados obtidos ajudam no aconselhamento e orientação
terapêutica caso os sintomas persistam e no tratamento dos parceiros
sexuais.
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Tratamento
O tratamento empírico dos sintomas sem confirmação
da uretrite é apenas indicado nos doentes de alto risco que não
possam ser reavaliados (ex. adolescentes com múltiplos parceiros
sexuais). O tratamento deve ser feito para o gonococos e Chalmydia e os
seus parceiros sexuais devem ser tratados ou referenciados para avaliação
e terapêutica.
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Tratamento da uretrite não gonocócica
O tratamento deve ser iniciado logo após o diagnóstico;
a terapêutica com doses únicas melhora a aderência
e pode ser observada directamente.
As indicações terapêuticas para a erradicação
da doença são as seguintes:
- Terapêutica de eleição
Azitromicina 1g, via oral, toma única;
ou
Doxiciclina 100mg, via oral, 2 x dia, durante 7 dias;
- Terapêutica alternativa
Eritromicina 500mg, (via oral) 4 x dia, durante 7dias ;
ou
Etilsucinato de eritromicina 800mg , via oral , 4 x dia durante 7 dias;
ou
Ofloxacina 300mg, via oral , 2 x dia durante 7 dias.
- Na intolerância a doses altas da Eritromicina pode usar-se metade
da dose durante 14 dias.
- Nas doentes grávidas deve ser usada a Eritromicina ou a Azitromicina
, já que os estudos preliminares indicam-na como segura e efectiva.
- Se a uretrite persistir ou recorrer após tratamento com a terapêutica
recomendada os sintomas devem ser reavaliados e deve-se demonstrar laboratorialmente
a presença do agende etiológico.
- Falência terapêutica é habitualmente devida ao tratamento
incompleto e/ou reinfecção por transmissão sexual
de parceira sexual não tratada.
- Devem abster-se da actividade sexual durante o tratamento e referenciar
todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias.
- A exclusão da reinfecção pela história clínica,
deve levantar a suspeita e orientar o estudo laboratorial para a pesquisa
Tricomonas vaginalis.
- Se o doente completou o tratamento recomendado, se se pode excluir reexposição,
recomenda-se a seguinte terapêutica:
Metronidazol 2g, via oral, toma única;
e
Eritromicina 500mg, via oral, 4 x dia, durante 7 dias;
ou
Etilsucinato de eritromicina 800mg, via oral, 4 x dia, durante 7dias.
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Tratamento das uretrites gonocócicas
Na sua maioria, as uretrites gonocócicas causam sintomas que obrigam
a procurar o tratamento curativo, suficientemente cedo para evitar sequelas,
mas não tão cedo que evite a sua transmissão. Concomitante
infecção assintomática no sexo feminino, ajuda a
manter e a aumentar a prevalência, impondo o rastreio das mulheres
de risco.
Doentes com uretrite por Niesseria gonorrhoeae estão frequentemente
infectados com C. trachomatis sendo indicado o tratamento simultâneo
dos dois agentes.
- Terapêutica de eleição da uretrite não complicada:
Cefixime 400mg, via oral, toma única;
ou
Ceftriaxone 125mg, intramuscular, toma única;
ou
Ciprofloxacina 500mg, via oral, toma única;
ou
Ofloxacina 400mg, via oral, toma única;
e
Azitromicina 1g,via oral, toma única;
ou
Doxicilina 100mg, vias oral, 2x dia, durante 7 dias.
- Terapêutica alternativa:
Espectinomicina 2g, intramuscular, toma única - útil em
doentes que não possam tomar cefalosporinas e quinolonas por ex.
grávidas.
- Os doentes com uretrite que façam a terapêutica de eleição
não necessitam de avaliação posterior.
- Se os sintomas persistirem deve-se fazer o exame cultural da N. gonorrhoeae
e testes de sensibilidade aos antibióticos.
- As infecções identificadas após terapêutica
correcta devem-se mais a reinfecção que a falência
do tratamento, indicando a necessidade de educar o doente e referenciar
para o tratamento os seus parceiros sexuais.
- Os doentes devem referenciar, para avaliação e tratamento,
todos os parceiros dos últimos 60 dias, ou o último se não
mantiveram relações sexuais há mais de 60 dias.
- Os parceiros sexuais devem ser avaliados para a infecção
com o gonococo e a Chlamydia.
- Os doentes devem abster-se de toda a actividade sexual até completarem
o tratamento e os parceiros sexuais não apresentarem sintomas.
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Prevenção
e Aconselhamento
Devemos instruir os doentes para a necessidade da prevenção
das D.S.T., pelo uso do preservativo, e terapêutica dos parceiros
sexuais.
Os doentes devem realizar o ciclo completo terapêutico, ser reavaliados
após uma UNG se reaparecerem os sintomas e as suas parceiras sexuais
devem realizar os exames laboratoriais da Chlamydia três semanas
após o tratamento, para garantir a erradicação desta
infecção
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