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| Documento
de trabalho última actualização em Dezembro 2000 |
Contacto para comentários e sugestões: Baleiras, Sebastião |
Designa-se por criptorquidia ou testículos não descidos a inexistência de um ou dos dois testículos no escroto. Na idade embrionária dos rapazes, os testículos não se formam no escroto. Formam-se no interior da cavidade abdominal, perto dos rins, descendo para o interior do saco escrotal até ao 5º mês de vida fetal. Este processo migratório pode sofrer anomalias, resultando a inexistência de um ou dos dois testículos no escroto. Se um ou os dois testículos não são observados/manipulados no saco escrotal, é necessário um exame cuidadoso para verificar se são ou não palpáveis fora do escroto. 1 Testículos palpáveis fora do escroto Testículos retrácteis (pseudo-criptorquidia) Situação frequente. Resulta de um exagero do reflexo cremastérico. O diagnóstico pode ser feito pela história (os testículos podem já ter sido observados/manipulados no interior do escroto durante a infância) e por um exame físico cuidadoso. Geralmente é possível manipular o testículo para o interior do saco escrotal onde permanecerá sem tensão ou restrição. Se a manipulação for fácil e bem sucedida, deve aguardar-se e rever periodicamente. Se a manipulação for difícil ou existirem dúvidas, deve ser feita a referência para cirurgia pediátrica. Síndrome do testículo ascendente ou subido Surge habitualmente em rapazes dos 8 aos 10 anos de idade. Testículos anteriormente normais ou retrácteis tornam-se subidos devido à existência de um cordão espermático curto que os impede de permanecerem no interior do escroto. É necessária correcção cirúrgica. Testículos ectópicos Cerca de 10% dos testículos palpáveis fora do escroto. São testículos que desceram normalmente através do canal inguinal, mas que depois se desviaram para o períneo ou o triângulo femoral. São normais, mas é necessária orquidopexia. Testículos não descidos Podem ser definidos como os testículos que “foram travados”, em qualquer localização, no seu trajecto de descida para o escroto. Podem variar desde testículos intra-abdominais (impalpáveis), até testículos de localização inguinal superficial, palpáveis logo à saída do saco escrotal. Cerca de 5% dos recém-nascidos de termo (25% dos prematuros) podem ter um testículo não descido na altura do nascimento. Aos 12 meses de vida, apenas em 2% se mantém a situação. 2 Testículos impalpáveis (dentro e fora do escroto) Anorquidia Não existem testículos. Testículos displásicos São pequenos e histologicamente anormais. Testículos intra-abdominais Testículos não descidos com localização no interior da cavidade abdominal. É importante tentar “encontrar” um testículo impalpável, dado que existe um risco aumentado de degenerescência maligna. Meios complementares de diagnóstico a utilizar: - Ecografias abdominal e pélvica, TAC abdominopélvico - exames não invasivos, muito úteis em crianças pequenas; - Laparoscopia diagnóstica. Exame invasivo, mas de grande certeza diagnóstica. Detecta a anorquidia e os testículos displásicos (muito pequenos) e permite uma planificação terapêutica apropriada dos testículos intra-abdominais. Nas crianças com testículos impalpáveis bilaterais, é grande a probabilidade de terem outras anomalias congénitas tais como o Síndrome de Klinefelter ou o eunucoidismo. Devem ser referenciadas precocemente para estudo genético e/ou endocrinológico. Avaliação/Tratamento cirúrgico Depende da idade e dos testículos serem ou não palpáveis fora do escroto (Figura 1). Cerca de 10-20% dos testículos não descidos estão associados a hérnia inguinal (indirecta) congénita. Deve ser feita referência para herniorrafia precoce com orquidopexia no mesmo tempo cirúrgico. Actualmente a idade recomendada para efectuar a orquidopexia programada é de 1-4 anos, preferencialmente até aos 2 anos. Razões que apoiam a orquidopexia precoce: - Possibilidade de melhorar o desenvolvimento testicular e a espermatogénese, - Possibilidade de reduzir o risco de degenerescência maligna, - Melhoria cosmética. 3 Pontos práticos a reter - Se um ou os dois testículos não são observados/manipulados no saco escrotal, é necessário um exame cuidadoso para verificar se são ou não palpáveis fora do escroto. - Causas de testículos palpáveis (fora do escroto): 1. Testículos retrácteis (pseudo-criptorquidia); 2. Testículos ectópicos; 3. Testículos não descidos, com localização inguinal superficial - Causas de testículos impalpáveis (dentro e fora do escroto): 1. Anorquidia; 2. Testículos displásicos; 3. Testículos não descidos, com localização intra-abdominal. - Os testículos não descidos intra-abdominais têm um risco aumentado de degenerescência maligna. - A criptorquidia (diagnóstico duvidoso ou de certeza) é sempre de referir para cirurgia pediátrica para opinião diagnóstico/terapêutica.
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Bibliografia |
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