índice parcial
Parte IV – Problemas clínicos
4.12. Abordagem do paciente com doenças transmissíveis

371. Mononucleose infecciosa
Mª Luz Loureiro
Rosa Pires

Documento de trabalho
última actualização em Dezembro 2000

Contacto para comentários e sugestões: Simões, José Augusto

1
Introdução
A mononucleose infecciosa é provocada pelo Vírus Epstein-Barr (VEB), vírus com ADN do grupo do herpes vírus humano e linfotrópico para as células B.
2
Epidemiologia
O VEB é transmitido pela saliva, por transfusão de sangue, e não sendo muito contagioso, a infecção primária tende a ocorrer em idades precoces, nos grupos sócio-económicos mais baixos e nos países em desenvolvimento. A infecção primária por VEB em adolescentes e adultos jovens é a responsável pela maioria dos casos de mononucleose infecciosa na clínica. Na idade adulta a maioria dos indivíduos é seropositiva para o VEB. Após a infecção primária o vírus é «expulso» da orofaringe até aos 18 meses.
3
Manifestações clínicas
A mononucleose infecciosa tem uma incubação entre 4 a 8 semanas. Apresenta sinais e sintomas prodrómicos de mal-estar, «rash», anorexia, calafrios, febre alta, faringite difusa com exsudado. Em 1/3 dos doentes existe linfadenopatia cervical posterior e/ou anterior, e esplenomegalia. 
A evolução clínica da doença é: faringite (5-7 dias), febre (7-14 dias), linfadenopatia com resolução até três semanas, o mal estar geral pode persistir por meses.
As complicações são raras mas graves: anemia hemolítica, trombocitopenia, rotura esplénica, encefalite, pericardite e miocardite.
4
Diagnóstico
Em cerca de 75% dos casos existe linfocitose e serologia positiva para anticorpos do VEB e citomegalovírus (CMV).
Nas crianças com mononucleose confirmada serologicamente encontra-se anticorpos IgM para CMV, o que pode ser explicada pela coincidência das duas infecções, ou por estimulação não específica dos linfócitos B no decurso da mononucleose. O doseamento de anticorpos IgM para CMV ao fim de 3 meses e presença concomitante de IgG depois de 6 meses sugere mononucleose infecciosa.
5
Tratamento
É um tratamento de suporte, devem ser evitados desportos violentos para prevenir a rotura esplénica. Na obstrução das vias aéreas e na anemia hemolítica grave ou trombocitopenia utilizam-se glicocorticoides.
6
Bibliografia
Coll L; Sànchez C; Sierra M; Lite J; Garau J, Enferm Infecc Microbiol Clin, 13(4): 224-8 1995Apr

Cozad J, Nurse Pract, 21(3):14-6,23,27-8 1996 Mar

Harrison, Medicina Interna, 14ª edição

Sànchez Echàniz J; Mintegui Raso S; Benito Fernàndez J; Corral Carrancejo JM, Na Esp Pediatr, 45(3)-4 1996 Sep