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Parte IV – Problemas clínicos
4.12. Abordagem do paciente com doenças transmissíveis

372. Infecções por Citomegalovírus
Mª Luz Loureiro
Rosa Pires

Documento de trabalho
última actualização em Dezembro 2000

Contacto para comentários e sugestões: Simões, José Augusto

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Introdução
O Citomegalovirus (CMV) é um membro do grupo vírus herpes beta contendo ADN com duplo filamento, «capside» proteica e invólucro de lipoproteínas.
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Epidemiologia
O CMV tem distribuição mundial, sendo comum no período peri-natal e na infância. A disseminação não ocorre casualmente, mas através da exposição íntima repetida ou prolongada. Há transmissão em creches, através de contacto sexual e após transfusão de derivados de sangue. A taxa de conversão é de 50% em contactos domiciliares susceptíveis.
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Patogenia
Uma vez contraída, a infecção primária pode ser sintomática ou não. O CMV persiste indefinidamente na sua forma latente nos tecidos. Se a função das células T do hospedeiro estiver comprometida, o vírus pode ser reactivado causando várias síndromes.
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Manifestações clínicas
A maioria das infecções congénitas por CMV não é aparente ao nascimento. Cerca de 5 a 25% dos lactentes desenvolvem anomalias psicomotoras, auditivas, oculares ou dentárias nos anos seguintes. A doença ocorre em 5% dos fetos infectados, quase que exclusivamente naqueles cujas mães adquiriram infecção primária durante a gestação.
Os sinais mais comuns são: petéquias, hepatoesplenomegalia e icterícia (60-80%), microcefalia com ou sem calcificações cerebrais, atraso de crescimento intra-uterino e prematuridade (30-50%).
As taxas de mortalidade são altas, 20-30%, nos doentes afectados de forma grave.
A mononucleose heterofilo negativa é a infecção por CMV mais frequente no hospedeiro normal depois do período neonatal. Incubação de 20 a 60 dias com febre alta, mialgias, fadiga e mau estar. A faringite exsudativa e linfadenopatia cervical são raras ao contrário da mononucleose por vírus de Epstein-Barr.
O principal achado laboratorial é a linfocitose periférica com mais de 10% de linfócitos atípicos. Níveis elevados de transaminases, fosfatase alcalina e trombocitopenia.
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Infecção por CMV no hospedeiro imunocomprometido
É a patogenia viral mais importante nos receptores de transplantes de órgãos. As manifestações clínicas incluem febre, leucopenia, hepatite, pneumonite, esofagite, gastrite, colite e retinite. O órgão transplantado parece ser particularmente susceptível, sendo comum a hepatite e pneumonite por CMV nos transplantes pulmonares.
O CMV é um patogéneo importante nos doentes com SIDA provocando cegueira devido a retinite, úlceras esofágicas, colite e infecção disseminada.
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Diagnóstico
O diagnóstico exige o isolamento do vírus na cultura de tecidos. Um aumento de quatro vezes os títulos de anticorpos pode confirmar infecção primária, a elevação de anticorpos pode ir até quatro semanas e as titulações podem permanecer altas durante anos.
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Tratamento
Nos doentes com SIDA o ganciclovir produziu taxas de resposta de 70-80%. A dose de indução de ganciclovir é de 5 mg/kg IV, 12-12 h, durante 14 a 21 dias, e é seguida por terapêutica de manutenção. A neutropenia que constitui o principal efeito tóxico, pode ser reduzida pelo uso de factores de crescimento leucocitário. Em casos de resistência ao ganciclovir utiliza-se o foscarnet que tem toxicidade considerável: em mais de 5% dos doentes há disfunção renal, hipomagnesemia, hipocaliemia, hipocalcemia, convulsões, febre e erupção cutânea.
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Bibliografia
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