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Alopecia
A alopecia pode dever-se a várias causas e, cabe ao médico
de família, fazer a sua abordagem inicial no sentido de investigar
a sua etiologia. Deverá estar apto a fazer o aconselhamento do
doente e instituir a terapêutica das formas mais comuns.
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Ciclo
de Crescimento do Cabelo
Os cabelos crescem de uma forma cíclica que se pode dividir em
três fases:
1. Fase de crescimento (anagénica)
2. Fase de involução (catagénica)
3. Fase de repouso (telogénica)
No couro cabeludo saudável 90 a 95% do cabelo está na fase
de crescimento, menos de 1% está em involução e 5
a 10% está em repouso. Este ciclo é regulado por mensagens
complexas entre o epitélio e a derme, mas o mecanismo ainda não
está bem esclarecido. Os folículos podem aumentar ou diminuir
de tamanho devido a factores locais ou sistémicos que alteram a
duração da fase de crescimento e o volume da matriz pilosa.
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Queda
do Cabelo
Diariamente podem cair até 100 cabelos da fase telogénica
e um número semelhante de folículos entra na fase anagénica,
o que leva a uma renovação total dos cabelos cada 3 a 5
anos. A queda dos pêlos designa-se por eflúvio e a condição
dela resultante por alopecia. A alopecia divide-se em cicatricial e não
cicatricial. A alopecia não cicatricial é reversível
pois os folículos mantêm-se viáveis. Na alopecia cicatricial
há sinais de inflamação tecidual, cicatrização
ou atrofia da pele o que a torna uma situação irreversível.
No
quadro I indicam-se as várias causas de alopecia:
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Quadro
I
|
Causa
de alopecia
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| ALOPECIA
NÃO CICATRICIAL |
ALOPECIA
CICATRICIAL |
|
Androgénica
Alopecia
areata
Eflúvio
telogénico
Eflúvio
anagénico
Tricotilomania
Alopecia de tracção
Sifílis
Hipotiroidismo
Hipertiroidismo
Mal nutrição
Ferropenia
Tinha do couro cabeludo
Pós-gravidez
Lúpus Eritematoso Sistémico
Medicamentos
Infecções
|
Agentes
físicos
- Queimaduras
- Radiações
Infecções
Neoplasias
Doenças do tecido conjuntivo
Pseudopelada
Defeitos congénitos
Lúpus Eritematoso Discóide |
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Alopecia
não cicatricial
As alopecias mais comuns na prática clínica são a
androgénica e areata. Qualquer uma delas é de difícil
aceitação pela parte do paciente e gera grande ansiedade.
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Alopecia
Androgénica - É uma forma de calvície com perda
de cabelos induzida por acção dos androgénios sobre
os folículos pilosos do couro cabeludo em indivíduos com
predisposição genética e tem maior incidência
no sexo masculino. Tem início após a puberdade, geralmente
entre os 12 e os 40 anos. No padrão masculino a perda de cabelo
tem início nas regiões parietais e leva ao aparecimento
de uma reentrância em forma de "M". Posteriormente pode
também surgir uma área de alopecia no vértex. Nas
formas extensas a permanência de cabelos pode limitar-se às
zonas laterais e posteriores do couro cabeludo. A alopecia no sexo feminino
pode também seguir este padrão e nestes casos deve pensar-se
em aumento de androgénios e pesquisar outras alterações
sugestivas desse aumento. No padrão feminino a alopecia é
mais difusa e geralmente menos intensa. As regiões central e frontal
são as zonas mais atingidas.
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Alopecia
Areata - Caracteriza-se por uma perda de cabelo em áreas localizadas
com um padrão circular ou oval e de limites bem definidos. A etiologia
é desconhecida mas pensa-se que estejam envolvidos processos auto-imunes
contra os folículos pilosos. Tem uma incidência igual nos
dois sexos e atinge sobretudo adultos jovens e crianças. Podem
coexistir alterações distróficas das unhas. A evolução
é variável, pode ocorrer reaparecimento espontâneo
dos cabelos ou, mais raramente, vão sempre surgindo novas áreas
de alopecia até à calvície total. As recorrências
são comuns. São indicadores de prognóstico desfavorável
a alopecia total antes da puberdade, a existência de distrofias
ungueais, os episódios repetidos e a confluência das lesões
na região occipital.
A alopecia
não cicatricial pode ainda dever-se a doenças sistémicas,
infecções, alterações metabólicas ou
uso de medicamentos, nomeadamente anticoagulantes varfarinicos, b-bloqueantes
(metoprolol, propanolol), enalapril alopurinol, antitiroideus, glibenclamida,
amiodarona e agentes antineoplásicos.
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Diagnóstico
Anamnese - Deve ser esclarecida a duração da queda do cabelo,
a sua evolução e forma (localizada ou difusa), se há
sintomatologia sugestiva de doenças sistémicas ou alterações
metabólicas. Perguntar se há antecedentes de traumatismo
físico dos cabelos, dietas ou gravidezes recentes. Esclarecer se
há antecedentes familiares de alopecia androgénica de padrão
masculino ou feminino. Verificar se há ou houve toma de medicamentos
que possam causar alopecia.
Exame objectivo - Determinar o padrão de queda de cabelo. Procurar
alterações cutâneas como inflamação
ou zonas cicatriciais. Nas mulheres com alopecia de padrão masculino
interrogar sobre irregularidades menstruais, infertilidade, hirsutismo
ou acne.
Exames laboratoriais - A decisão sobre os exames a pedir baseia-se
na história clínica e no exame físico. Considerar
a realização de hemograma, VDRL, pesquisa de anticorpos
anti-nucleares e doseamentos séricos das hormonas tiroideias, ferro,
todos eles úteis para exclusão das causas de alopecia.
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Terapêutica
Todas as formas de alopecia causam uma grande perturbação
nos doentes.
O médico de família deverá esclarecer, aconselhar
e tranquilizar o doente que o procura devido à queda do cabelo.
O tratamento da alopecia varia com a sua etiologia e deve ser dirigido
à patologia subjacente.
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Alopecia Androgénica - O objectivo da terapêutica
é atrasar a progressão da alopecia e aumentar o número
de cabelos do couro cabeludo.
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Padrão Masculino - A aplicação de uma solução
tópica de minoxidil disponível nas concentrações
de 2% e 5%, permite diminuir a queda de cabelos e aumentar a espessura
dos cabelos existentes. Um bom candidato para esta terapêutica é
um homem com calvície há menos de 5 anos e com uma área
de alopecia inferior a 10 em e localizada no vértex. A aplicação
no couro cabeludo deve ser feita duas vezes por dia na dose de 1 ml de
solução. O doente deve ser avisado que os resultados podem
demorar cerca de seis meses até serem perceptíveis. Após
este período de tempo é necessário continuar o tratamento
para que os benefícios se mantenham. Se o tratamento for interrompido
os resultados obtidos desaparecem num espaço de 6 a 12 meses e
a densidade dos cabelos será a mesma do que seria sem tratamento.
Os efeitos secundários mais frequentes são prurido e irritação
local do couro cabeludo. Pode ocorrer hipertricose. Mais recente é
a terapêutica com finasteride na dose de 1 mg diário em dose
única oral. Esta substância é um inibidor de 5a-reductase
e da sua acção resulta um aumento da espessura, comprimento
e pigmentação dos cabelos. Os seus efeitos secundários
são sobretudo a nível sexual com a diminuição
da libido, disfunção eréctil e ejaculatória.
Estes efeitos diminuem gradualmente com o tratamento prolongado e desaparecem
ao fim de dois a três dias após interrupção
do tratamento. Não deve ser usado em grávidas e crianças.
Nas mulheres
com alopecia de padrão masculino cuja investigação
revele excesso de androgénios pode ser usada espironolactona que
se liga aos receptores androgénicos e bloqueia a acção
da díhidrotestosterona.
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Padrão
Feminino - A solução tópica de minoxidil é
a única terapêutica disponível para promover o crescimento
de cabelo em mulheres com alopecia androgénica. Deve ser aplicada
duas vezes ao dia e no caso de lavagem do cabelo, este deverá ser
totalmente seco antes da sua aplicação. Os efeitos secundários
são semelhantes aos descritos para o sexo masculino, à excepção
da hipertricose que é mais comum. O finasteride está contra-indicado
pelo seu efeito teratogénico.
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Alopecia Areata - Na maioria dos casos é autolimitada e
o reaparecimento dos pêlos é espontâneo. É muito
importante o apoio do doente e o esclarecimento da sua situação.
Ao nível dos cuidados primários as substâncias usadas
são os corticóides e o minoxidil em aplicação
tópica. As outras abordagens terapêuticas existentes devem
ser reservadas para o Dermatologista e incluem para além das anteriores
a injecção intralesional de corticóides, a aplicação
local de antralina e os psoralenos com radiação ultravioleta
(PLTVA). A decisão terapêutica baseia-se na idade do paciente
e na extensão da alopecia.
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Bibliografia
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