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| Documento
de trabalho última actualização em Dezembro 2000 |
Contacto para comentários e sugestões: Lourenço, Rui |
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1 Apresenta-se
como pápulas ou placas vermelhas, geralmente simétricas,
bem delimitadas, com escamas prateadas e aderentes. O prurido é
variável. A remoção das escamas resulta no aparecimento
de hemorragia punctiforme (Sinal de Auspitz). Aparece mais frequentemente
nos cotovelos, joelhos e couro cabeludo, mas pode surgir em qualquer localização.
Raramente atinge a face. Pode apresentar-se de diversas formas: O mesmo indivíduo
pode apresentar ao longo da sua vida as várias formas da doença.
Esta cursa com períodos de melhoria e agravamento, sem se poder
geralmente identificar uma causa óbvia para as modificações. Tratamento 1. Emolientes e Queratolíticos - Os emolientes podem ser úteis em todos os doentes e em todos os estádios da doença, no alívio dos sintomas e prevenção das exacerbações. A remoção das escamas deve ser feita diariamente com água e sabão e aplicação de um creme hidratante. O uso de ácido salicílico, em concentrações de 5 a 10% em vaselina, faz a remoção mais eficaz das escamas e pode aumentar a acção de outros agentes tópicos. Nas palmas e plantas pode ser usado em concentrações superiores (10 a 20%), em tratamentos de curta duração devido ao perigo de salicilismo. Outros queratolíticos considerados úteis incluem produtos contendo alfa-hidroxiácidos ou ureia. 2. Corticóides
tópicos - Os corticóides tópicos são efectivos
e amplamente utilizados. A sua eficácia clínica está
directamente relacionada com a potência. 3. Calcipotriol - Na psoríase em placas moderada é já considerado uma alternativa relativamente aos corticóides. É utilizado duas vezes ao dia, sendo necessário um uso durante no mínimo dois meses. Tem poucos efeitos laterais se usado nas doses recomendadas (não exceder 100 g por semana). Estes incluem irritação ligeira da pele, em cerca de 20% dos doentes. Deve ser usado com precaução nos doentes com diminuição da função renal. Doses superiores a 200 g por semana elevam os níveis de cálcio urinário e sérico, podendo causar nefrolitíase. É eficaz em cerca de 50 a 80% dos doentes com doença moderada. Não deve ser colocado na face. A segurança em crianças e grávidas ainda não foi estabelecida. Está disponível em creme, pomada e loção capilar. Estudos sugerem que tem efeito aditivo quando usado em conjugação com USB, PUVA e ciclosporina. 4. Coaltar - O coaltar tem odor desagradável e tinge a roupa. Antes de ser aplicado deve limpar-se a pele com óleo de amêndoas doces ou parafina líquida. Seguidamente tomar banho de imersão com 2 a 3 colheres de sopa de coaltar saponificado, onde permanece 15 a 20 minutos, massajando as lesões. Alternativamente coloca à noite o produto e toma banho no dia seguinte. Também pode ser aplicado directamente nas lesões sob a forma de produto manipulado com ácido salicílico e vaselina. Não deve ser aplicado nas pregas. É útil na psoríase do couro cabeludo. Pode ser utilizado nas crianças. Discute-se ainda o potencial carcinogéneo dos produtos com coaltar, mas no momento não há evidência epidemiológica que confirme a sua relação com o aparecimento de cancro. 5. Ditranol
- O ditranol provoca coloração da pele, dos cabelos loiros
e leito ungueal, mancha a roupa e é desagradável de aplicar.
Deve ser aplicado com luvas, assim como o coaltar. Provoca grande irritação
da pele, não devendo ser utilizado nas pregas e na face. Aplica-se
o creme nas lesões, deixando actuar durante 10 minutos e remove-se
com água e sabão ou óleo. Inicia-se em baixas concentrações
(0.1- 0.25%), que se vão aumentando lentamente. Pode ser usado
em conjunto com o coaltar e UVB para tratamento da psoríase mais
extensa (Método de Ingram). 1. UVB - É um bom método para utilizar nas grávidas, dado a maioria das terapêuticas tópicas e sistémicas estarem contra-indicadas. É também utilizado nas crianças e na psoríase guttata. Na doença moderada, o uso de UVB em associação com o coaltar é mais eficaz do que utilizado isoladamente (esquema de Goekerman). A fototerapia apresenta risco de queimaduras e cancro da pele. Os doentes com história de neoplasia cutânea, lúpus eritematoso disseminado e xeroderma pigmentosum devem ser excluídos do tratamento. 2. PUVA - Consiste na utilização de psoraleno com a radiação UVA. O psoraleno é tomado oralmente 2 horas antes da exposição à radiação ultra-violeta. Também pode fazer-se a aplicação tópica do psoraleno nas lesões mas é um método possivelmente menos eficaz. É provavelmente a terapêutica sistémica menos tóxica, sendo geralmente considerado o fármaco sistémico de primeira escolha. O doente deve proteger os olhos com óculos escuros durante o tratamento e até 24 horas depois, pois existe risco de aparecimento de cataratas. O psoraleno causa náuseas, prurido, cefaleias e vertigens, e está contra-indicado na gravidez. Está associado a maior risco de carcinoma espino-celular e carcinoma genital de células escamosas, no sexo masculino, e foto envelhecimento. 3. Metotrexato - É muito eficaz nos doentes com psoríase, em especial nos quadros de psoríase extensa, eritrodérmica, pustulosa e na artrite psoriática. Pode ser utilizado em esquemas curtos, para controlar as formas instáveis da doença, ou como terapêutica de manutenção a longo prazo. O uso do metotrexato obriga a controles sanguíneos regulares devido aos seus efeitos sob a medula óssea, rins e fígado. Está indicada a realização de biopsia hepática após uma dose cumulativa de 1.5 g. Os efeitos laterais mais comuns são as náuseas, por vezes de difícil controlo. Tem interacção com vários fármacos de uso corrente, como os anti-inflamatórios não esteróides, salicilatos, trimetropim, furosemido, fenitoína, e também com o álcool. Está contra-indicado nas grávidas e nos consumidores excessivos de álcool. 4. Acitretina - A acitretina é teratogénica, devendo respeitar-se um período de dois anos após a sua suspensão para engravidar, pelo que não deve ser usada em mulheres em idade reprodutiva. Necessita de controlos regulares da função hepática e do perfil lipídico. Causa em praticamente todos os doentes lesões mucocutâneas, como secura e descamação, queda de cabelo, fragilidade cutânea e das unhas. Usa-se na psoríase pustulosa e eritrodérmica. 5. Ciclosporina - Nos casos de psoríase resistente e grave utiliza-se a ciclosporina. Não pode ser usado nas grávidas, nos doentes com cancro e imunodeprimidos. Pode causar insuficiência renal e hipertensão arterial. Outros efeitos laterais incluem a hiperplasia gengival, hipertricose, artralgias, alterações gastrointestinais, cefaleias, parestesias e trémulo. Existe um pequeno risco de aparecimento de neoplasias. Tem interacções medicamentosas com vários fármacos de uso corrente (diltiazem, eritromicina, itraconazol, verapamil, carbamazepina, fenitoína, rifampicina, anti-inflamatórios não esteróides). 6. Outros
fármacos - Os corticóides orais utilizam-se esporadicamente,
em casos de psoríase eritrodérmica ou pustulosa. No entanto,
são frequentes as exacerbações da doença após
a sua suspensão. Quando todos os agentes anteriores falham ou estão
contra-indicados pode ainda utilizar-se a hidroxiureia ou a azatioprina.
Em investigação permanecem outros fármacos quer para
uso tópico, quer sistémico. Cox NH. Doenças inflamatórias da pele: uma actualização. Update, Edição Portuguesa, Maio 1996; 44-47 Donaldson L, DouglasWS. Current thinking on psoriasis. The Practicioner, February 1996; 241: 66-72 Farber EM. Psoriase juvenil. Postgraduate Medicine, Edição Portuguesa, Junho 1999; Vol 11, nº6, 97-108. Gawkrodger DJ, et al. Current management of psoriasis. Journal of Dermatological Treatment, 1997; 8: 27-55 Massa A. Psoríase.Tempo/ Medicina, Julho 1986; 2 Phillips TJ. Opções terapêuticas actuais na psoríase. Hospital Practice, Edição Portuguesa, Junho 1997; 54-60 Workshop of the Research Unit of the Royal College of Physicians of London, the Department of Dermatology, University of Glasgow, and the British Association of Dermatologists. Guidelines for the management of patients with psoriasis. BMJ, Outubro 1991;Vol 303: 829-835 |