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Introdução
Urticária é o termo clínico utilizado para designar um grupo de problemas de etiologia diversa, caracterizado pela formação de pápulas cutâneas eritematosas, fugazes e pruriginosas que surgem em surtos agudos e auto-limitados no tempo ou em surtos sucessivos na forma crónica. Estima-se que cerca de 20% das pessoas serão atingidas pelo menos uma vez ao longo da vida por um surto de urticária.
O angioedema é uma situação clínica frequentemente associada a urticária, em que o edema se estende às camadas mais profundas da derme. Aparece em cerca de 50% dos doentes com urticária, mas pode também surgir isoladamente.
A urticária e o angioedema podem fazer parte duma reacção anafiláctica sistémica.
A maioria das urticárias surge na forma aguda. Se os sintomas persistem mais de 6 semanas, o que sucede em cerca de 10 a 25% dos casos, denominam-se crónicas. A maior parte das urticárias crónicas resolve dentro de 1 ano, embora nalguns casos possa persistir muito para além deste período.
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Fisiopatologia e apresentação clínica
A urticária e o angioedema podem resultar de vários mecanismos imunológicos ou não imunológicos ou ainda serem idiopáticos. Podem derivar de hipersensibilidade dependente da IgE (fármacos, alimentos, urticárias físicas), desenvolver-se em associação com activação do sistema do complemento (angioedema hereditário, vasculite necrosante, reacções a derivados do sangue), resultar de acção directa nos mastócitos (opiáceos, polimixina B, meios de contraste radiológico) ou decorrer de anomalias do metabolismo do ácido araquidónico (aspirina e AINE). O substrato final comum à maioria destes mecanismos é o aumento da permeabilidade vascular com extravasamento para o espaço intersticial de fluido rico em proteínas, geralmente em resposta à acção da histamina libertada pelos mastócitos.
Na urticária há acumulação localizada de fluido nas camadas superficiais da derme, formando as características pápulas eritematosas, pruriginosas, de dimensões variáveis, que surgem geralmente de forma súbita e desaparecem ao fim de algumas horas sem deixar sinais residuais. Simultaneamente surgem pápulas noutras áreas, podendo continuar a recorrer por períodos indefinidos. A urticária crónica surge inicialmente como crise de urticária aguda intensa que permanece no tempo. Nalguns casos podem ocorrer manifestações sistémicas. A urticária pode ocorrer com angioedema. Quando tal sucede o prognóstico é pior, com cerca de 75% dos doentes a terem recorrência dos episódios por mais de 5 anos.
No angioedema o edema estende-se aos tecidos subcutâneos e camadas mais profundas da derme, geralmente as mais distensíveis. Os locais mais frequentemente envolvidos são as pálpebras e os lábios, mas também pode atingir a língua, a orofaringe, as mucosas, os membros e o escroto. O prurido está muitas vezes ausente e o edema pode durar 24 a 72 horas. As lesões podem ser únicas ou múltiplas e frequentemente são recidivantes. O tracto respiratório, gastrointestinal e o sistema cardiovascular podem também ser afectados, principalmente na forma hereditária. O angioedema pode ser muito grave quando atinge a laringe, embora esta situação seja rara. O edema da faringe pode causar rouquidão e dificuldade em deglutir, mas estas complicações devem distinguir-se do estridor respiratório e dificuldade em falar, evidenciando compromisso das vias aéreas e envolvimento da laringe, potencialmente fatais. O espectro de causas e mecanismos é semelhante ao da urticária.
Urticária/angioedema agudos
Causas comuns de urticária/angioedema agudos incluem fármacos, alimentos e contacto ou picadas de animais (abelhas, vespas, ofídios, escorpiões, aranhas, alforrecas)
(Quadro I). Os indivíduos atópicos podem ter um ligeiro aumento da prevalência de alguns tipos de urticária. As causas inalatórias são raras excepto em pessoas com atopia evidente.
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Quadro I
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Causas frequentes de urticária/angioedema agudo
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1. Fármacos (penicilina, aspirina e outros AINE, opiáceos, ferro parentérico, IECA)
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2. Alimentos (marisco, peixe, nozes, amendoins, morangos)
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3. Meios de radiocontraste, transfusões, derivados do sangue, soros e vacinas
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4. Contacto com plantas (urtigas) ou animais (cavalos, cães, gatos)
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5. Picadas de insectos, nomeadamente abelha ou vespa (angioedema)
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Urticária/angioedema crónicos
Quando a urticária dura mais de 6 semanas denomina-se crónica. As crises podem prolongar-se por meses ou anos. A urticária crónica predomina nos adultos e é cerca de 2 vezes mais prevalente nas mulheres.
Contrariamente à expectativa dos doentes, o factor etiológico não é encontrado na maioria dos casos. Ainda que alguns estudos em serviços especializados consigam determinar a etiologia em cerca de 50% dos doentes (Quadro II), a urticária/angioedema crónicos permanecem de causa desconhecida em cerca de 70 a 90% dos casos, mesmo em doentes seguidos em meio hospitalar. A seguir à forma idiopática, as urticárias físicas parecem ser a etiologia mais frequentemente encontrada. Os fármacos e os alimentos, que os doentes frequentemente valorizam, só ocasionalmente são causa de urticária crónica. As doenças gerais são também uma causa pouco frequente. A etiopatogenia da urticária crónica pode ainda ser mista.
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Quadro II
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Causas de urticária e/ou angioedema crónicos
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Causa desconhecida (idiopática ou física + idiopática)
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46,9 %
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Urticária física
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33,2 %
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Reacções adversas a fármacos
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9 %
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Reacções adversas a alimentos
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6,8 %
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Infecções
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1,8 %
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Doença interna
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1,4 %
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Urticária de contacto
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0,9 %
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Alergénios inalados
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0 %
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Neoplasia
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0 %
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Estudo exaustivo por um comité de Dermatologistas. Adaptado de Kozel MMA et al. The Effectiveness of a History-Based Diagnostic Approach in Chronic Urticaria and Angioedema. Arch Dermatol 1998; 134: 1575-80.
Algumas causas de urticária e angioedema merecem especial referência pela sua frequência ou potencial gravidade.
Fármacos
Vários fármacos e agentes terapêuticos ou de diagnóstico estão associados a urticária e/ou angioedema, sobretudo na forma aguda. Penicilina, salicilatos, sulfonamidas, sedativos, narcóticos, IECA, ferro parentérico, compostos iodados, anticolinérgicos, vasodilatadores, anticoagulantes, hormonas, enzimas, sais biliares, vitaminas B1 e B12, dextrano, transfusões, soros e vacinas têm sido incriminados.
Os IECA, nomeadamente o captopril, o enalapril e o lisinopril podem causar angioedema em cerca de 0,1 a 0,7% dos doentes, estando a urticária geralmente ausente. Em 60% dos casos o angioedema ocorre nas primeiras semanas, contudo pode surgir vários anos após início do tratamento.
Alimentos
Os alimentos e aditivos alimentares causam geralmente urticária/angioedema agudo e só raramente urticária crónica. Os alimentos mais frequentemente associados a urticária são marisco, peixe, frutos secos, ovos, chocolate e morangos.
Urticária física
Algumas urticárias são desencadeadas por estímulos físicos, como pressão ou irritação mecânica, frio, exercício, calor, raios solares, água ou vibração.
O dermografismo é a forma mais frequente das urticárias físicas. Define-se pelo aparecimento de lesões lineares quando a pele é “riscada” com um objecto rombo. A
urticária pelo frio é uma reacção local da área exposta, mas pode progredir para colapso vascular se todo o corpo é atingido, como na imersão em água fria, pelo que deve veementemente ser desaconselhado nadar em águas frias. A
urticária colinérgica afecta geralmente adultos jovens. As crises são precipitadas por aumento da temperatura corporal como após um banho quente, exercício ou episódio febril. A erupção é característica deste tipo de urticária: pápulas com 1 a 2 mm, muito pruriginosas, rodeadas por um halo eritematoso, surgindo predominantemente no tronco e membros superiores.
Formas mais raras incluem a urticária por pressão, a urticária adrenérgica (desenvolve-se durante stress emocional), a
urticária aquagénica, a urticária por calor, a urticária solar e o
angioedema vibratório.
Todos estes tipos de urticária física podem apresentar numerosas variantes, nomeadamente formas retardadas, formas que necessitam da coexistência de 2 estímulos e formas hereditárias. Todas podem apresentar-se sob a forma de angioedema.
Angioedema hereditário
É uma doença hereditária autossómica dominante, muito rara, que resulta duma deficiência quantitativa ou qualitativa do inibidor do primeiro elemento do complemento (o inibidor da C1 esterase). Caracteriza-se por ataques recorrentes de angioedema que envolve a pele e mucosas, tracto respiratório e tracto digestivo, podendo simular uma urgência cirúrgica abdominal. Os episódios de angioedema são frequentemente precedidos por stress ou trauma, como extracção dentária; são auto-limitados e desaparecem dentro de 72 horas. Geralmente manifesta-se antes da puberdade. O envolvimento das vias respiratórias pode causar morte por asfixia. A urticária e prurido estão ausentes. O diagnóstico é sugerido por ataques intermitentes de edema grave da pele e mucosa desde a infância, acompanhado de obstrução respiratória, quadro abdominal com dor intensa, vómitos e diarreia e história familiar.
Urticária/angioedema ligados a doenças sistémicas
Ocasionalmente a urticária e/ou o angioedema podem estar associados a doenças sistémicas. Infecções virais (hepatite B e C, mononucleose) podem apresentar erupções urticariformes na fase prodrómica. Tem também sido sugerida associação a infecções focais (como infecções dentárias e sinusite), candidíase e parasitoses, mas o seu tratamento frequentemente não melhora a urticária. Algumas colagenoses, como o lúpus eritematoso disseminado e a doença de Still (artrite crónica juvenil), podem manifestar-se com urticária. O risco de doença maligna subjacente, frequentemente referido na literatura, não tem sido confirmado em alguns estudos.
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Avaliação clínica
O diagnóstico clínico da urticária não oferece geralmente dificuldades e baseia-se no aspecto característico das pápulas, sua fugacidade e prurido. Se as pápulas individualmente duram mais de 24 horas deve suspeitar-se de outra etiologia, nomeadamente vasculite. Infelizmente o diagnóstico etiológico é bastante mais difícil, sobretudo na urticária crónica.
A avaliação do doente com urticária e/ou angioedema deve basear-se essencialmente na história clínica. O exame físico e eventualmente um hemograma e uma velocidade de sedimentação completam a avaliação na maioria dos casos. A frequência de doença subjacente grave é baixa. As raras formas ligadas a doenças sistémicas são quase sempre detectáveis pelo interrogatório e a investigação laboratorial, mesmo quando exaustiva, pouco acrescenta ao diagnóstico inicial. Devem procurar-se causas múltiplas e evitar-se conclusões precipitadas.
História clínica – Os doentes devem ser interrogados sobre profissão, passatempos, duração das pápulas, padrão das crises, suspeita de desencadeantes e sintomas associados. Inquirir sobre medicamentos de venda livre, nomeadamente aspirina, picadas de insectos, anestesias, administração de derivados do sangue ou meios de radiodiagnóstico. Inquirir sobre sintomas constitucionais, como febre, mal-estar, perda de peso e artralgias. Pesquisar factores físicos desencadeantes (frio, exercício, calor, luz, pressão, vibração, água) e relação com stress psicológico. Repetir o interrogatório em visitas subsequentes, dado frequentemente surgirem novas informações.
Exame físico – Avaliar cuidadosamente a extensão e severidade das lesões, sobretudo no angioedema. Raramente as características clínicas da urticária sugerem o diagnóstico. Pequenas pápulas com halo eritematoso, desencadeadas pelo calor e sudação podem sugerir urticária colinérgica. Deve pesquisar-se existência de dermografismo. Para além da pele, deve fazer-se um exame físico geral, incluindo orofaringe, ouvidos, pulmões, articulações, pesquisa de adenopatias e hepatosplenomegalia.
Exames laboratoriais – O doente com uma história clínica e exame físico normais e com lesões de curta duração deve ser tratado empiricamente com anti-histamínicos. Se ao fim de 6 semanas a urticária não desaparecer poderá iniciar-se uma investigação criteriosa. Um hemograma completo e uma velocidade de sedimentação ajudam a excluir doença subjacente. Uma eosinofilia pode sugerir alergia mediada pela IgE ou reacção a fármacos. Uma velocidade de sedimentação elevada pode sugerir vasculite necrosante e indicar uma biopsia cutânea. Eventualmente testes de função hepática e renal poderão completar a investigação. Se os resultados forem negativos, o doente deve ser tranquilizado e o tratamento empírico continuado.
Numerosos outros exames têm sido sugeridos, como exame parasitológico de fezes, Rx seios peri-nasais, IgE total, RAST, anticorpos anti-tiróideus, complemento sérico, Ag HBs, crioproteínas, etc., mas não devem ser pedidos por rotina. Os testes cutâneos também são geralmente pouco esclarecedores, dado que são frequentemente positivos a uma multiplicidade de agentes.
Alguns testes de provocação podem ser tentados para despistar urticárias físicas, mas a sua investigação pode ser complexa e de difícil interpretação. Aplicar um cubo de gelo durante 5 minutos, aplicar pressão, aplicar compressas de água, ou pedir ao doente para fazer exercício até provocar sudação pode, nalguns casos, sugerir o diagnóstico. Poderá ainda pedir-se ao doente para fazer um diário alimentar à volta de cada ataque.
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Diagnóstico diferencial
Em certas dermatoses surgem ocasionalmente pápulas urticariformes. Na vasculite alérgica as pápulas duram mais de 24 horas, pode haver púrpura, hiperpigmentação, dor, sinais sistémicos e velocidade de sedimentação elevada. No
eritema multiforme as típicas lesões em alvo e a sua distribuição com predomínio distal ajudam o diagnóstico. Na urticária pigmentosa (mastocitose) a urticária surge quando a pele é coçada, mas as lesões são pigmentadas.
O diagnóstico diferencial do angioedema inclui anafilaxia (presentes também sinais de colapso cardiovascular), erisipela e celulite (edema mais superficial e calor, rubor e dor presentes), epiglotite aguda, corpo estranho e abcesso peritonsilar ou retrofaríngeo.
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Tratamento
O tratamento ideal da urticária e angioedema é identificar e evitar o agente ou condições causais. Nas urticárias agudas isto é conseguido mais frequentemente quando é precipitada por alimentos ou fármacos. São as urticárias crónicas que colocam maiores problemas ao médico e ao doente. A atitude clínica terá que ser paciente. É importante tranquilizar e aliviar sintomaticamente o doente, mesmo sem identificação do agente causal. Na maioria dos casos pode conseguir-se um controlo sintomático aceitável.
Formas moderadas – Os anti-histamínicos H1 são os fármacos de primeira escolha no controle da urticária e angioedema. Os fármacos de 2ª geração (pouco sedativos) incluem a terfenadina (Terdina®, Triludam®), astemizol (Hismanal®), loratadina (Claritine®), cetirizina (Zyrtec®), acrivastina e fexofenadina. Ainda que raramente, todos eles foram associados a eventos cardiotóxicos, pelo que se requer alguma precaução no seu uso. A terfenadina e o astemizol não devem ser administrados simultaneamente com antifúngicos imidazóis ou com macrólidos, dado o risco de prolongamento do intervalo QT e de «torsade de pointes». O astemizol deve ser tomado com o estômago vazio e pode aumentar o apetite. A cetirizina pode provocar alguma sedação. A hidroxizina (Ataraxâ), um anti-histamínico de 1ª geração utilizado frequentemente como tranquilizante, é igualmente eficaz e bem tolerada.
Formas resistentes – Alguns doentes respondem mal aos anti-histamínicos H1. Nestes casos poderá ensaiar-se a associação de bloqueadores H1 e H2 (cimetidina na dose de 200 a 400 mg qds ou ranitidina 150 mg bd). O antidepressivo doxepina, que tem actividade nos receptores H1 e H2, na dose de 25 mg id ou bid, é outra alternativa.
Os anti-histamínicos e corticosteróides tópicos não têm interesse na urticária crónica. Os corticosteróides sistémicos também não devem ser usados regularmente no tratamento da urticária crónica.
Outros fármacos, nomeadamente a nifedipina, a tiroxina, o cetotifeno, podem ter efeito benéfico em alguns doentes. Imunoterapia de dessensibilização, plasmaforese, dapsona, ciclosporina e PUVA, têm sido utilizadas em meio especializado em doentes afectados severamente e resistentes ao tratamento convencional.
O papel da manipulação dietética na urticária e angioedema é difícil de avaliar, mas, por rotina, dietas de eliminação não têm interesse na maioria dos doentes.
Formas graves – Na urticária aguda, em formas extensas e graves, está indicada a administração de corticosteróides e anti-histamínicos parentéricos, por vezes em administração repetida: prednisolona (Solu-Dacortina®) na dose de 250 mg iv até 2 g /24 h e clemastina (Tavist®) na dose de 2-4 mg iv. Se houver compromisso do tracto respiratório o fármaco de escolha é a adrenalina, dado que é mais eficaz e rápido a actuar. Administrar 0,5 ml de adrenalina a 1:1000 i.m. ou s.c., podendo repetir passados 10 minutos. Vigiar pulso e tensão arterial. Administrar simultaneamente corticosteróides e anti-histamínicos parentéricos (ver UT
502. Anafilaxia). Poderá ser necessária intubação oral.
Angioedema hereditário – Os anti-histamínicos, corticosteróides e adrenalina não são eficazes na crise aguda. Deve ser administrado plasma fresco ou concentrado de inibidor do C1, se disponível. Pode também ser necessária intubação ou traqueotomia. A profilaxia das crises é feita com
danazol.
Evicção de factores potenciadores – Mesmo quando nenhum agente é isolado deve aconselhar-se evicção de factores potenciadores, como aspirina (pode exacerbar urticária em 40% dos doentes) e compostos relacionados, bebidas alcoólicas, café, chá, condimentos, calor, stress emocional e exercício físico violento. Do mesmo modo devem aconselhar-se os cuidados locais (vestuário e calçado, evitar excesso de lavagem e fricção com toalha, uso de água de colónia, etc.).
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Indicações para referenciar
Quando há suspeita de serem causadas por IECA ou angioedema hereditário, as formas agudas graves devem ser referenciadas para um hospital, dado que não respondem aos anti-histamínicos, corticosteróides ou adrenalina e podem necessitar traqueotomia.
Doentes com formas crónicas refractárias ao tratamento devem ser referenciados para um dermatologista. Nestes casos poderá estar em causa uma urticária física que muitas vezes oferece dificuldade no diagnóstico. Na suspeita de angioedema hereditário é também aconselhável referenciar para confirmação do diagnóstico e orientação terapêutica.
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Sumário
O diagnóstico etiológico da urticária e angioedema é frequentemente frustrante e inconclusivo. A investigação deve basear-se fundamentalmente na história clínica, dado que estudos laboratoriais exaustivos pouco acrescentam ao diagnóstico. É fundamental dar ao doente uma expectativa realista que a avaliação pode ser inconclusiva, mas excluirá causas subjacentes graves. O doente deve ainda ser avisado sobre possíveis recorrências. No entanto deve ser tranquilizado em relação à possibilidade de controlo sintomático. A maioria dos casos responde bem aos anti-histamínicos, mas o angioedema pode ser fatal quando atinge a laringe. Neste caso deve ser administrada adrenalina.
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