A não perder

Taxa anual de ruptura ≤0.5% para aneurismas com 3-6 mm


- Sunday, October 28, 2012

Por Ana Mafalda Macedo, IFE MGF - UCSP Carvalhido

Pergunta clínica: Qual a relação entre a história natural de um aneurisma sem ruptura e o seu tamanho e localização?

Comentário: Com a utilização crescente de métodos de imagiologia cerebral, a descoberta incidental de pequenos aneurismas é cada vez maior. Apesar da abordagem destas lesões permanecer controversa, o número de indivíduos submetidos a correcção cirúrgica tem vindo a aumentar. No sentido de obter a melhor evidência no que refere ao curso natural dos aneurismas cerebrais sem ruptura, os investigadores procuraram identificar, entre 2001 e 2004, adultos japoneses que tivessem tido um aneurisma com pelo menos 3 mm de maior eixo. Foram excluídos os indivíduos com história de hemorragia ou com mais do que uma leve deficiência (Escala de Rankin modificada >2).  Foram incluídos 5720 participantes com 6697 aneurismas, seguidos durante um período de até 9 anos, tendo cerca de metade dos pacientes sido submetida a correcção cirúrgica; esses indivíduos eram mais jovens (60 vs. 65 anos), tinham aneurismas maiores (6.1 vs. 5.3 mm) e maior incidência de história familiar de hemorragia subaracnoideia (16% vs. 11%). Durante o período de seguimento que incluiu 11.660 aneurismas-ano, foram documentadas rupturas em 111 pacientes, com uma taxa anual de ruptura de 0,95% (IC 95% 0,79 a 1,15). O risco de ruptura aumentou com o aumento do tamanho do aneurisma. Tendo por referência aneurismas com 3-4 mm de tamanho (taxa anual de ruptura de 0.35%/ano), o risco de ruptura de aneurisma ao longo do tempo (hazard ratio – HR) foi o seguinte para as várias categorias de tamanho: 5-6 mm, 1,13 (IC 95% 0,58 a 2,22); 7-9 mm, 3,35 (IC 95% 1,87 a 6,00); 10-24 mm, 9,09 (IC 95% 5,25 a 15,74) e 25 mm ou maiores, 76,26 (IC 95% 32,76 a 177,54). Comparativamente aos aneurismas das artérias cerebrais médias, os aneurismas das artérias comunicantes anteriores e posteriores apresentaram maior risco de ruptura (HR 1,90 [IC 95% 1,12 a 3,21] e 2,02 [IC 95% 1,13 a 3,58], respectivamente). Os aneurismas com uma protrusão irregular da sua parede também foram mais propensos à ruptura (HR 1,63; IC 95% 1,08 a 2,48). A idade do doente e/ou a presença dos factores de risco cardiovascular “hipertensão arterial” ou “dislipidemia” não alteraram o risco de forma significativa.

Conclusão: O curso natural de um aneurisma cerebral varia de acordo com o tamanho, localização e forma do aneurisma. Os aneurismas maiores que 7mm, localizados nas artérias comunicantes anteriores ou comunicantes posteriores e com protrusão irregular da parede estão associados a maior risco de ruptura.

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