Filmes que tocam

Para Sama

MGFamiliar ® - Saturday, April 11, 2020




Há por aí, numa box perto de si, um filme. Um filme que não faz parte do “mainstream”, um filme que, por cá, não foi notícia de relevo. Um filme que não é bem um filme, mas que sem ter sido feito para ser um filme, acabou por ser dos melhores filmes que vi este ano. E não fui só eu a pensar assim. Basta ver a lista de prémios e nomeações que vai dos Óscares aos BAFTA, entre outros.

É um filme cheio de acção, com uma narrativa poderosa, em que quem ama navega constantemente contra uma corrente de ódio. Em que quem ama luta constantemente pela vida. E, ao fim e ao cabo, acaba por nos fazer sentir vergonha por nos queixarmos de ter que estar há meia dúzia de dias metidos dentro de casa.



 

Muito obrigado @waadalkateab  e @hamzaalkateab (nosso colega!)

 

Vejam este filme! Vai valer muito a pena!!!





Roma

MGFamiliar ® - Wednesday, February 20, 2019





O bairro residencial da Cidade do México, onde Cuarón viveu durante a sua infância, é o epicentro escolhido pelo realizador mexicano para o seu último filme. O ponto de vista escolhido é o de Cléo, criada e ama numa família de classe média alta em plena crise e reconfiguração. Galardoado com o Leão de Ouro, "Roma" retrata um drama pessoal, feminino, com a intensidade do México nos anos 70 como cenário de fundo. Uma das memoráveis características do autor de "Gravidade" e de "Os Filhos do homem" é, como descreve Luís Oliveira no Ípsilon, o "efeito imersivo [através das] panorâmicas flutuantes que varrem os décores". Bem sei que o ecrã gigante tem sempre um encanto privilegiado para os cinéfilos, mas se as novas plataformas permitem liberdade de autor, então deixemos as amarras das grandes produtoras de Hollywood dedicadas quase em exclusivo aos super-heróis da BD. "Roma" é sétima arte, independentemente do tamanho do ecrã. 
Por Luís Monteiro 

Meu caro co-editor e amigo Luís, não resisto a comentar este teu texto e este filme que te tocou. Concordo contigo, este filme é arte. É um filme diferente. Construído de forma diferente. Este filme é real. Eu diria mesmo: tão real que até magoa. Fere-nos. Apesar da serenidade da transição daqueles grandes planos, da serenidade das cores e dos sons, fere-nos. Este filme, é uma obra de arte. 
Por Carlos Martins











Melhor é impossível

MGFamiliar ® - Sunday, January 14, 2018




“Melhor é Impossível” / “As Good as It Gets” (James L. Brooks, E.U.A., 1997)

Apontamento pessoal:

Para além de retratar de uma forma brilhante o sofrimento que é viver com uma perturbação obsessivo-compulsiva, este filme deixa-nos esperançosos relativamente ao amor, e a como este nos pode ajudar a ultrapassar os piores obstáculos das nossas vidas. Em vez de alienar as pessoas que sofrem deste ou outro tipo de perturbação, estender uma mão pode ser o suficiente para ajudar e melhorar o seu mundo. Ensina-nos também que, por vezes, as pessoas que nos ajudam nos piores momentos são aquelas de quem menos esperaríamos ajuda. Que ideias pré-concebidas nunca devem ser uma opção, e que o mundo pode ser um lugar melhor se tratarmos o próximo como gostaríamos que nos tratassem a nós.




Sinopse

Melvin Udall (Jack Nicholson), romancista de sucesso em Nova Iorque, é um homem racista, homofóbico, anti-semita e misantropo. Sofre de perturbação obsessivo-compulsiva (POC) que, aliada à sua misantropia, o isola dos seus vizinhos e de qualquer outra pessoa que procure entrar no seu mundo. Almoça todos os dias no mesmo restaurante, na mesma mesa, utilizando talheres descartáveis que leva consigo. Acaba por se interessar pela empregada de mesa Carol Connelly (Helen Hunt), a única funcionária do restaurante que tolera o seu comportamento abusivo.

Um dia, um vizinho de Melvin, o artista plástico homossexual Simon Bishop (Greg Kinnear), é internado num hospital, depois de ser agredido enquanto a sua casa estava a ser assaltada. Melvin vê-se obrigado a cuidar de Verdell, o cão de Simon. Apesar de Melvin não gostar do cão, acaba por criar laços com ele ao mesmo tempo que começa a receber mais atenção de Carol. As suas vidas começam-se a entrelaçar a partir do regresso de Simon do hospital. (Fonte: Wikipedia


Uma sugestão de Joana Seabra, USF Porto Douro





Paula Rego, Histórias e Segredos

MGFamiliar ® - Thursday, August 03, 2017




Confesso que não tenho talento para perceber se uma pintura tem qualidade ou não. O leitor poderá ser como eu, modesto nas suas críticas artísticas, ou então poderá ser um grande “connoisseur”.

Qualquer que seja a sua qualidade crítica, poderá apreciar a história que Nick Willing conta sobre a sua mãe. Uma história que mistura a pintura, a ditadura salazarista, a legalização do aborto e uma família.

Neste filme, percebemos o impacto da pintura de Paula Rego na sua doença mental, ou vice-versa e descobrimos de onde surgem as suas representações “grotescas”, que tanto impacto têm nos seus admiradores.



Sinopse:
Maria Paula Figueiroa Rego nasceu em Lisboa, a 26 de Janeiro de 1935. Iniciou os estudos no Colégio Integrado Monte Maior, em Loures, seguindo para a St. Julian's School, em Carcavelos. Revelou, desde muito cedo, um grande talento para as artes. Incentivada pelo pai, partiu para Londres, onde estudou na Slade School of Fine Art, até 1956. Ali conheceu o pintor Victor Willing (1928-1988), com quem veio a casar. No início da década de 1970, com a falência da empresa familiar, vende a quinta da Ericeira, onde morava, e radica-se em Londres com o marido e os três filhos: Victoria, Caroline e Nick Willing (o realizador deste filme). Em 2014, Nick sentou-se com a mãe, então com 80 anos, e durante um período dois anos ouviu o que ela tinha para contar. Com isso, fez um filme. "Eram histórias que eu nunca tinha ouvido, que explicam muito da minha vida e da dela, de uma maneira que me fez entender várias das suas obras", explica. "O meu filme não é sobre a artista, é sobre a pessoa", sublinha. "O que acontece é que ela foi sempre artista primeiro, pessoa depois e mãe em terceiro. Eu queria descobrir a pessoa por trás da pintora." Conta que a mãe "foi sempre um grande mistério" e que quando, na tal conversa que veio a resultar neste filme, ela abriu uma porta para o seu mundo, ele aproveitou para fazer todas as perguntas que guardava.

Fonte: Cinecartaz Público

Ficha técnica:
Título original: Paula Rego, Secrets and Stories
De: Nick Willing
Género: Documentário
Outros dados: GB, 2017, Cores, 92 min.



Por Mariana Rio





O homem que viu o infinito

MGFamiliar ® - Sunday, July 17, 2016




De vez em quando surgem-nos filmes com aspectos biográficos de homens notáveis do mundo das ciências e do mundo académico. Uma das características deste tipo de filmes é o facto de permitirem aos espectadores descobrir algum do trabalho científico desses notáveis e descobrir, em simultâneo, aspectos daquele lado humano tantas vezes desconhecido. Nesta linha, recordo filmes como “Uma mente brilhante” ou “A teoria de tudo”. E tudo isto a propósito de um filme que é possível ver por estes dias nas nossas salas de cinema: “O homem que viu o infinito”.

Este filme fala-nos do matemático notável, Srinivasa Ramanujan, que viveu no princípio do século XX. O filme é bem revelador do conflito recorrente na história da humanidade entre os preconceitos de uma sociedade que se julga superior, e a evidência que a ciência revela, tantas vezes desconcertante e surpreendente. Um filme que toca também pela abordagem da crueldade do mundo académico e a nós, médicos, permite o contacto com uma doença infecto-contagiosa na era pré-antibióticos...

Jeremy Irons e Dev Patel têm neste filme um desempenho de excepcional qualidade.

 



Sinopse
Srinivasa Ramanujan (Dev Patel) é um génio autodidata de 25 anos de idade, que não conseguiu entrar na universidade devido ao seu estudo quase obsessivo e solitário da matemática. 
Determinado a prosseguir a sua paixão, Ramanujan escreve uma carta a um eminente professor do Trinity College, em Cambridge. 
O Professor Hardy (Jeremy Irons), reconhece a originalidade e o génio do talento puro de Ramanujan e, apesar do ceticismo dos seus colegas, empenha-se em trazê-lo para Cambridge para que as suas teorias possam ser exploradas.
Ramanujan deixa a família e a sua jovem noiva, e cruza o mundo até Inglaterra para, sob a orientação de Hardy, trabalharem nas suas teorias. 
Juntos, vão lutar para que o seu trabalho seja finalmente visto e reconhecido por um meio matemático que não está preparado para os seus métodos não convencionais. 
O Homem Que Viu o Infinito é a improvável história verídica de um génio único, cujas inovadoras teorias o levaram a sair da obscuridade, num mundo em plena guerra, e da sua luta incansável para mostrar ao mundo a genialidade da sua mente.
Fonte: UCI Cinemas


Ficha técnica
Título original: The Man Who Knew Infinity
2015; Género: Drama, Biográfico; Estados Unidos, 108 min.
Realização: Matt Brown
Argumento: Matt Brown
Produção: Matt Brown, Jon Katz, Edward R. Pressman, Joe Thomas, Jim Young
Elenco: Jeremy Irons, Dev Patel, Toby Jones, Stephen Fry, Jeremy Northam, Kevin McNally, Enzo Cilenti, Shazad Latif, Pádraic Delaney



A família Bélier

MGFamiliar ® - Thursday, August 27, 2015


Nem sempre acertamos na escolha do filme aquando da ida ao cinema... Mas, de tempos a tempos, surge um filme que nos faz vibrar, que nos faz viver sensações e emoções fortes. E, no fim do filme, saímos leves, com uma vontade enorme de voltar a ver o mesmo filme. Foi isso que senti ao visionar o filme “A família Belier”.  Tocou-me pelo argumento, mas também pelo encanto das imagens, da música, e pela alegria contagiante que transmite. Uma história de uma família, como tantas outras, mas contada com muito engenho e arte. 

O único aspecto negativo que saliento é o descuido que houve ao não se apresentar no filme a linguagem gestual de forma correcta. Com isso, desrespeita-se toda a comunidade de pessoas que usa a linguagem gestual para comunicar.

Algumas curiosidades:

Este filme recebeu 6 nomeações para os Césares (prémios do cinema francês), tendo a actriz Louane Emera, que interpreta a personagem principal, recebido o prémio de de Melhora Actriz Revelação.

O jovem que interpreta o papel de irmão da actriz principal tem surdez na vida real.














Por Carlos Martins



Amigos improváveis

MGFamiliar ® - Saturday, May 31, 2014

Eu diria: tocante e hilariante! Regra geral, os filmes que abordam os temas de saúde têm um fim dramático… mas este não. Todo ele é divertido! Até a banda sonora!

Intouchables é um filme francês de 2011, escrito e realizado por Olivier Nakache e Éric Toledano, adaptado de um livro autobiográfico de Philippe Pozzo di Borgo.

Conta a história de Phillippe, um tetraplégico milionário que procura um auxiliar de ação médica, e de Driss, um jovem dos subúrbios de Paris que precisa de emprego. Driss, apesar de não ter qualquer formação para o cargo e contra tudo e todos, é contratado. Forma-se assim uma relação peculiar entre um rico aristocrata e um jovem acabado de sair da prisão, pois Driss não vê Philippe como um inválido! Estes dois amigos improváveis acabam por questionar tudo: a ética, a condição social, a raça e até a cultura musical e a pintura!

Envolvemo-nos nesta relação genuína entre “paciente e cuidador”, onde são trazidos à tona assuntos tabus como higiene pessoal, desejo e sexo num tetraplégico, entre outros. Uma leitura rica do mundo, das suas ambiguidades, das suas hipocrisias e preconceitos!

Recomendo.

O trailer:

 

Informação técnica


Paula Mendes – USF Maxisaúde

 

 

 

A rapariga que roubava livros

MGFamiliar ® - Friday, February 07, 2014

 

Confesso que ainda não acabei de ler o livro em que se baseia, mas gostei mesmo muito deste filme.

Um filme que pode ser visto com jovens adolescentes e que a todos prende ao desenrolar da narrativa. Numa reflexão sobre a vida mantém-nos em suspenso, ansiosos por descobrir o desfecho da história. Um outro aspecto que muito me agradou: a forma pedagógica como se aborda a morte. Este filme poderá vir a ser uma ferramenta interessante para quem trabalha com crianças adolescentes, quando surgir a necessidade de trabalhar o tema “morte”.

Em breve, na secção "O livro que mais me tocou", falar-vos-ei do livro... :))

 

Um filme a não perder que está agora no cinema... Eis o trailer...

  

 

 

 

  Por Carlos Martins

O Escafandro e a borboleta

MGFamiliar ® - Thursday, January 16, 2014

 

Le scaphandre et le papillon é um filme franco-americano de 2007, realizado por Julian Schnabel adaptado de um livro autobiográfico de Jean Dominique Bauby.

Conta a história de um jornalista, editor da revista Elle, bem-sucedido e apaixonado pela vida. Após sofrer um acidente vascular cerebral, desenvolve um síndrome raro – síndrome do encarceramento (locked in syndrome), causado pela lesão de partes específicas do cérebro e do tronco cerebral inferior, sem qualquer dano para o cérebro superior. Jean-Dominique fica completamente paralisado, movimentando apenas o olho esquerdo. A sua paralisia e os aparelhos nos quais vive recluso, simbolizam o escafandro. A partir daí deparamo-nos com um homem que recusa aceitar o destino e aprende a comunicar: pisca o olho uma vez para dizer sim e duas vezes para dizer não. Com a ajuda da de uma fonoaudióloga, que lhe mostra as letras do alfabeto, forma palavras e frases “escrevendo” a sua obra ao longo de 15 meses. Cria um mundo próprio através daquilo que não se paralisou: a sua imaginação e sua memória. Assim, assemelha-se a uma borboleta que se liberta do seu casulo e voa livremente!

O livro de Jean Dominique Bauby foi publicado em Março de 1997. Três dias depois o autor morre subitamente de uma pneumonia.

Trago-vos este filme por ter conseguido transmitir, sem artifícios, toda a angústia desse homem prisioneiro no próprio corpo. Em parte foi conseguido por uma filmagem peculiar: o uso constante da câmara a partir da personagem principal, pelo que raramente vemos a personagem de frente, explorando assim a realidade que o rodeia. É uma história incrível de como o ser humano pode ultrapassar obstáculos e como a força de vontade e a convicção podem levar ao alcance daquilo que aparentemente é impossível!

Deixo-vos aqui o trailer do filme…

 

 

 

 

 

E aqui a versão integral em francês e sem legendas...

 

 

 

 

 

 

 Paula Mendes

 

 

Um Método Perigoso

MGFamiliar ® - Saturday, December 07, 2013

 

 

Em “Um Método Perigoso” David Cronenberg aborda a génese da psicanálise através das relações entre Sigmund Freud, Carl Jung e Sabina Spielrein.

Spielrein, apesar do nome germânico era russa e vinha de uma família judaica rica.

Estas suas raízes, a par com a sua elevada cultura e patologia, contribuiriam para catalisar os laços e as fronteiras entre Jung e Freud que neste filme são encarnados, respectivamente por Michael Fassbender e Viggo Mortensen. Estas duas representações mereceram críticas francamente positivas na imprensa especializada.

Desafiado pelo produtor Jeremy Thomas (é curioso este pormenor de “fita encomendada”) o realizador canadiano filma, afinal, o seu universo: as sombras escondidas pelas máscaras conscientes.

Cronenberg, baseando-se no texto do excelente dramaturgo Christopher Hampton (recordemos “Expiação), acrescenta profundidade ao que poderia ser apenas um filme biográfico e de época.

Sob as tensões deste triângulo notável o espectador depreende a fragilidade e firmeza de Emma Jung bem como o fantasma das duas guerras que se avizinham, com a barbárie nazi como exemplo colectivo e individual dos instintos que permanecem ocultos pela capa do progresso.

 

Pode ver o filme aqui...

 

 

 

Luís Monteiro
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