MaisOpinião - Hélder Teixeira

#COVID19Portugal Dia 17/04

MGFamiliar ® - Sunday, April 19, 2020



#COVID19Portugal atualização 17/04/2020, 44º Dia COVID-19 em Portugal (33º após 100º caso)!

Hoje temos uma excelente notícia! Temos pela primeira vez, em muito tempo, menos de 200 casos por dia! Desde o dia 19 de Março que não tínhamos tão poucos novos casos de um dia para o outro, sobretudo se tivermos em linha que estamos num bom ritmo de realização de testes nos últimos dias (cerca de 8.000-10.000/dia). Isto é o primeiro sinal que estamos a chegar ao sopé da curva, se mantivéssemos a estratégia rigorosa das últimas semanas.

Mas.. o que me preocupa, ainda antes de passar à análise. Temos que reforçar o nosso pedido às pessoas: continuamos em estado de emergência até 1 de Maio. Isto continua a significar que temos o dever quarentena obrigatória em casa, salvo motivo de força maior. Nos últimos dias à entrada e saída do meu serviço vejo cada vez mais pessoa na rua, cada vez mais carros a circular, cada vez mais pessoas nas filas dos supermercados. Um estudo recente, baseado em tracking aos nossos telemóveis, revelou que a taxa de isolamento desceu de 79 para 56% depois da Páscoa (https://observador.pt/…/entre-54-e-79-da-populacao-tem-fic…/). Não podemos aceitar isto! Se deixarmos de ter rigor, vamos criar novas cadeias de transmissão. Vamos voltar a aumentar a taxa de contágio (o R0) que atingiu o valor mais baixo de sempre, de apenas 1! Significa isto que, neste momento, cada pessoa infetada apenas transmite, em média, a uma outra pessoa. No início o nosso R0 provavelmente era de cerca de 4 ou perto disso, é o que mostram os estudos (cada caso COVID-19 transmite em média para 3,7-3,8 outras pessoas)! Com um R0 de 1 é possível manter controlada a epidemia.

Passando então aos números e aos gráficos:

➡️ 19.022 casos confirmados, 18.841, apenas +181 casos e +1% que ontem (wow!). 1º dia <200 novos casos! É o primeiro sinal que estamos cada vez mais próximos do "sopé" da curva epidémica depois do pico. Se continuarmos a ter dias assim, estamos na mesma situação da Áustria, vamos aplanar a curva e sair para o Grupo 1, o grupo dos países que aplanem a curva. É a minha convicção que conseguiremos antes do fim do período atual do estado de emergência e, nesse caso, o país poderá não ter que renovar o mesmo. Mas, reforço, é preciso manter a taxa de isolamento nos >70% que tínhamos antes da Páscoa!! Hoje também coloquei o gráfico das curvas na escala logarítmica, para dar outra perspetiva.

➡️ 657 óbitos (+4% em relação a ontem, para uma taxa de letalidade de 3,45%, a 12ª mais baixa da UE-27. O modelo quadrático do Edgar Mesquita continua a ser o que mais se ajusta à realidade, tem estado "on target" a cada dia, e para amanhã prevê 703 óbitos (oxalá sejam menos!!).

➡️ 1.285 pessoas internadas (-1% em relação a ontem).

➡️ 222 pessoas em UCI (-1% em relação a ontem).

➡️ 21.679 testes/milhão habitantes: mantém 5º lugar na UE (mantém posição, à frente da Alemanha) e 13º a nível mundial (subiu 2 posições). Para terem ideia, se contarmos com países com mais de 5 milhões de habitantes, Portugal está em 1º na UE em testes/milhão de habitante e em 3º lugar no mundo, atrás da Noruega e Suiça. A nível mundial somos o país com mais testes por habitantes com 10 milhões de habitantes ou mais.

➡️ Hoje coloco um quadro comparativo da velocidade das medidas tomadas pelos vários países: cancelamento sistemático de eventos, encerramento generalizado das escolas, quarentena populacional, encerramento de serviços não essenciais, encerramento de fronteiras (parcial ou mais) e utilização de máscaras (recomendação ou uso mandatório). Coloquei a verde os países do grupo 1 (curva plana) e a vermelho os países do grupo 3 (curva exponencial). Os resultados são referentes ao tempo de implementação da medida após o dia do 50º caso confirmado. Como poderão observar, os países do grupo 1 têm muito mais ações antecipadas (a verde) que os países do grupo 3 (a vermelho), mas é difícil retirar conclusões sobre quais as medidas com maior eficácia só de olho sem aplicar testes estatísticos numa análise multivariada (o que é extremamente complexo).

A todos: cumpram o vosso dever. Motivem os outros a cumprir também: fiquem em casa!! Porque ao ficarmos em casa salvamos vidas e garantimos o nosso futuro. Continuemos a fazer de PORTUGAL um exemplo.


Pode consultar aqui os restantes gráficos:



#COVID19Portugal Dia 09/04

MGFamiliar ® - Friday, April 10, 2020



#COVID19Portugal atualização 09/04/2020, 36º Dia COVID-19 em Portugal (25º após 100º caso)!

Hoje vamos responder às seguintes questões:
1. Continuamos no bom caminho?
2. O uso obrigatório de máscaras na comunidade, é essencial?
3. O que podemos antecipar em relação ao futuro?

1. Continuamos no bom caminho?
O POSITIVO: A evolução da curva portuguesa indica que chegamos, nos últimos dias, a uma fase relativamente estável do número de novos casos. Desde o dia 4 que temos tido um crescimento diário médio de cerca de 6%! Depois de termos tido um pico de 1035 novos casos no dia 31/03, desde então temos tido à ordem de 650-850 casos/dia. O meu receio, que partilhei numa das análises anteriores, era o de, num cenário mais pessimista, o número de novos casos estabilizasse na ordem dos 1000-1500/casos por dia durante vários dias, o que poderia colocar em risco a capacidade de resposta dos serviços. Felizmente isso não aconteceu e, do mesmo modo, parece cada vez mais longe de poder vir a verificar-se, o que é excelente! Continuamos com uma curva epidémica a evoluir de uma forma que permite aos serviços de saúde cobrir de grosso modo as necessidades, com um maior esforço e dedicação.

Como positivo ainda, e não menos importante, pela primeira vez observamos uma descida no número absoluto de pessoas internadas e do número de pessoas em UCI. Talvez possamos não continuar a observar isto todos os dias (era tão bom que sim!) mas se analisarmos sob ponto de vista de um período mais alargado, a variação percentual diária de pessoas em UCI está em decréscimo desde o dia 29/03 nos gráficos do Edgar Mesquita mas agora em terreno negativo! Para colegas e para todos os profissionais que trabalham em cuidados intensivos, espero que não haja surpresas, esta é mesmo a luz ao fundo do túnel para vocês!
O MENOS POSITIVO: os resultados de testes continuam a aparecer em força todos os dias (à volta de 6000-7000/dia) mas houve uma procura muito grande nas últimas semanas. Se não todas, grande parte das pessoas com febre ou tosse pediram a realização do teste, pelo que é compreensível que a capacidade de resposta se tenha agravado, e muito. Hoje os testes não são realizados de um dia para o outro, ou sequer na mesma semana, e muitas pessoas só o vão ter passadas duas semanas ou mais. Isto não é de todo o ideal e é compreensível que as pessoas se sintam angustiadas por este motivo. Não é um problema específico do nosso país, grande parte dos países mostra dificuldade na realização de testes. Portugal até é dos que se tem esforçado mais para disponibilizar o mais possível, se repararem no gráfico comparativo do nº de testes por milhão de habitantes. Se excluirmos os territórios e micropaíses com menos de 1 milhão de habitantes, Portugal, apesar de tudo, é a 14ª nação do mundo com mais testes por milhão de habitantes (https://www.worldometers.info/coronavirus/). Para as pessoas que não têm um teste no prazo de 1 semana ou menos o que costumo dizer para tranquilizar é que, se a pessoa se mantém em isolamento no período recomendado e mantém a estratégia de vigilância de sintomas e está sinalizada na plataforma Trace-Covid, o facto de ter um teste positivo não iria alterar nenhuma estratégia em termos clínicos.

Como dado também menos positivo, a nossa curva ainda não aplanou de forma expressiva, tal como a da Coreia do Sul. Estamos melhores que Reino Unido, Países Baixos e Bélgica, os nossos parceiros no Grupo 2, mas temos três países na UE que nos deveriam agora servir de modelo: a República Checa, a Hungria e a Eslováquia.
A República Checa (a 6ª bandeira a contar do fim), a Hungria (5ª bandeira a contar do fim) e a Eslováquia (a 2ª bandeira a contar do fim) são países que começaram a epidemia mais ou menos na mesma altura que Portugal, um pouco mais tarde que os outros países, mas beneficiaram de um aplanamento mais precoce, sobretudo a Eslováquia e a Hungria. Em relação à declaração do estado de emergência, a Hungria declarou 7 dias antes do 100º caso, a Eslováquia declarou 3 dias antes, a República Checa no próprio dia do 100º caso (a 12 de Março) e Portugal 6 dias após o 100º caso (a 19 de Março). E de facto se analisarmos as curvas, os países que iniciaram medidas de quarentena obrigatórias antes do 100º caso têm curvas muito aplanadas desde o início e a República Checa, que as iniciou no dia do 100º caso, já demonstrou uma dificuldade acrescida mas melhor que Portugal.

2. O uso obrigatório de máscaras na comunidade é essencial para controlar a epidemia?
Os 4 países ou territórios asiáticos que melhor controlaram a epidemia (Coreia do Sul, Singapura, Hong Kong e Japão) utilizaram como uma das estratégias o uso generalizado de máscaras (https://www.dn.pt/…/dgs-estuda-alargar-uso-de-mascara-a-mai…). Mas voltemos ao caso dos 4 países da análise anterior. Dois desses países, a República Checa e a Eslováquia têm a particularidade de serem os ÚNICOS países da UE e do mundo ocidental a declararem o uso obrigatório de máscara cirúrgica ou tecido a revestir boca e nariz. A República Checa a 19 de Março e a Eslováquia a 25 de Março. Efetivamente, ambos os países são também dos que melhor aplanaram a curva a nível europeu. No entanto, há bastantes fatores contraditórios. Por um lado, a República Checa decretou o uso 6 dias antes da Eslováquia e isso não beneficiou o país em termos de controlo epidémico: na verdade a Eslováquia beneficiou de uma curva muito mais aplanada. O fator decisivo para esta diferença creio que poderá estar no ponto anterior: a antecipação de outras medidas - a Eslováquia declarou o estado de emergência 3 dias antes do seu 100º caso. Essas medidas - isolamento, distanciamento social e higienização das mãos/espaços - parecem ser mais importantes. Por outro lado, temos países como a Hungria e a Grécia que nunca precisaram de generalizar o uso de máscaras para beneficiarem de curvas aplanadas desde o início (apesar de tudo, a Hungria generalizou o uso de máscaras de forma precoce nos profissionais de saúde, um importante grupo de risco). A Grécia foi especialmente feliz em tomar medidas de forma precoce: por exemplo, ainda em Fevereiro, com apenas 3 casos no país, decidiu cancelar todos os eventos de Carnaval do país. Portanto, perante esta análise e a falta de evidência convincente, diria que o uso de máscaras não é de facto essencial para se controlar a epidemia COVID-19. No entanto, é perfeitamente admissível que pode ser um fator favorável. As máscaras cirúrgicas têm na verdade um efeito pobre para proteger o utilizador das secreções respiratórias dos outros, não estão construídas para isso. O mesmo se pode dizer de qualquer revestimento de tecido. No entanto, são boas para evitar a dispersão das próprias secreções. Portanto, imaginando uma comunidade onde todos os que estão infetados, sintomáticos ou não, as usam, é óbvio que teoricamente pode ter um efeito positivo acrescido em relação às medidas anteriores, porque o isolamento social ou o distanciamento social nunca são absolutos. Mas reforço, não parece ser, de todo, o fator mais importante em relação às outras medidas.Se usarem máscara, saibam que um estudo da Stanford mostra que é possível reutilizar uma máscara sem perder significativamente as suas propriedades (obrigado Carlos Menezes), ou por aquecimento no forno a 70ºC durante meia hora (preferível) ou 10 minutos em água em ebulição. Vejam a figura. Esta é uma estratégia que está a ser usada no estado do Michigan (https://www.youtube.com/watch?v=QFr_12_M8TQ), segundo a análise deles dá para reutilizar desta forma pelo menos 20 vezes (Obrigado Marco Ameixa por partilhares).

3. O que podemos antecipar em relação ao futuro?
Notem, já tive que fazer alguns trabalhos de investigação com análises estatísticas de complexidade intermédia mas não tenho muita experiência neste tipo de análises de tendências em curvas epidémicas. Há muitos fatores e não é possível prever a médio-longo prazo com muito rigor. No entanto, pelos dados atuais e aplicando uma linha de tendência polinomial como o recomendado (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5348083/) é possível que o número de novos casos/dia continue a descer, mesmo em termos absolutos até à 3ª-4ª semana de Abril, e possivelmente <300 casos/dia a partir da última semana de Abril. Isto seria um bom cenário. Notem que nada disto é certo, ainda paira muita incerteza, é apenas uma mera possibilidade matemática tendo por base os dados atuais. Mas serve como esperança, uma chama para nos agarrarmos e acreditarmos que tudo isto que estamos a fazer está e vai resultar no objetivo que queremos: voltar a um novo normal, onde possamos voltar a abraçar os nossos pais e os nossos avós.

Daí que para que este futuro se concretize, é preciso DAR TUDO agora. Nunca poderíamos relaxar nas festividades da Páscoa. Precisamos de ser especialmente rigorosos agora na Páscoa, para que as coisas corram bem. Para os religiosos, encarem-no como um sacrifício pedido e necessário. Para os não religiosos, aceitem-no apenas com racionalidade. Para os melhores resultados, o melhor de nós. E o melhor é não sair de casa desnecessariamente.

Conheçam o risco de transmissão da vossa zona geográfica aqui: https://cerena.ist.utl.pt/…/daily-infection-risk-maps-covid…

Protejam-se. Fiquem em casa. Resistam! Salvem vidas!!

 











#COVID19Portugal Dia 04/04

Carlos Martins - Saturday, April 04, 2020

Gráfico 1

#COVID19Portugal atualização 04/04/2020, 31º Dia COVID-19 em Portugal (20º após 100º caso), hoje com um apelo especial no fim!

Felizmente continuamos sem surpresas:

1. A curva portuguesa continua a dar sinais de aplanamento numa fase intermédia (GRÁFICO 1), a seguir o exemplo da Coreia do Sul um pouco mais tarde, tal como havia dito no update de 27/03! Olhando lá para cima para os países com o maior número de casos, a curva de Itália também já começa a dar sinais mais seguros de aplanamento e a de Espanha também o começa a demonstrar (GRÁFICO 2)

Gráfico 2

2. A % de novos casos continua com tendência de descida de dia para dia! Hoje temos +6% de novos casos, a mais baixa de sempre! Como podem observar pelo GRÁFICO 3 a evolução continua estavelmente regressiva!

Gráfico 3

3. Não podemos culpar muito a realização de testes. O número de testes/dia continua alto, na ordem dos 6000-7000 testes realizados por dia. À data de hoje realizamos 75569 testes (obrigado Marco Rego) e a % de testes por milhão de habitantes é de 7266 (GRÁFICO 4), o que nos coloca comparáveis com os países que lideram esse número . Isto significa que os valores de novos casos de Portugal refletem mais a realidade que os outros países com menor número de testes e ao conhecermos melhor a realidade temos condições de a controlar melhor, isso é BOM. Como já fui dizendo, foi o fator essencial para a Coreia do Sul controlar eficazmente a epidemia. Os valores de letalidade em Portugal (ponto a seguir) são condizentes com este cenário.

Gráfico 4

4. A taxa de letalidade por COVID-19 em Portugal continua felizmente estável, na ordem dos 2.5% (GRÁFICO 5). Reparem como é tão diferente do Reino Unido, Itália, Países Baixos, Espanha que estão lá para cima! Esses países estão a falhar claramente na deteção de novos casos. A variação da taxa de letalidade está a subir ligeiramente acima da taxa de variação do número de novos casos, mas felizmente abaixo das previsões, e mantém tendência regressiva também! O gráfico do Edgar Mesquita, da previsão de tendência do número de óbitos, confirma isso mesmo - nos últimos dias o número de óbitos tem sido inferior às previsões dos modelos matemáticos, reforçando que não estamos a falhar assim tanto na deteção de novos casos.

Gráfico 5

5. O número de internamentos e internamentos em cuidados intensivos, felizmente, tem-se mantido relativamente estável nos últimos dias, depois de uma fase de subida. Este dado é crítico, era excelente se assim se mantivesse. Este é o ponto fraco de Portugal, temos menos camas de cuidados intensivos por milhão de habitantes que os restantes países. De momento estamos a conseguir cobrir as necessidades, mas a margem de manobra já é reduzida. Era bom que os colegas que trabalham nos cuidados intensivos conseguissem começar a ver a luz ao fundo do túnel já nos próximos dias!

6. A caracterização dos óbitos por grupo etário não mostra variações de tendência em relação aos dados dos últimos dias.

7. Apesar de sermos apenas 10 milhões, temos números per capita inferiores a países com muito mais população, como Alemanha, Itália ou Espanha. Estamos numa situação equiparável à da maioria dos países da UE, excepto Polónia, Eslováquia, Hungria e Roménia. Deixo também a estratificação por concelhos em Portugal.

Uma nota final importante. Sinto que a maioria das pessoas está a cumprir a sua missão de só sair em caso imprescindível. Mas ainda se observam muitas saídas desnecessárias. Um estudo mostra que são as pessoas com mais de 60 anos que mais infringem as regras saindo apenas "para passear" (https://www.publico.pt/…/covid19-maiores-60-anos-sao-saem-r…). À conversa com alguns dizem-me que já viveram o suficiente, que não têm medo de um vírus ou da morte. Meus amigos, quando a hora aperta, todos nós não queremos morrer. Todos. E sobretudo ninguém quer morrer com falta de ar numa sala de emergência privado dos seus familiares. Isto não é uma morte digna. Temos de ser responsáveis. Como referi atrás, se o número de pessoas com necessidade de cuidados intensivos aumenta, os médicos vão ter que passar a ter critérios para quem usa ou não o ventilador. É a pior sensação de todas, como profissional de saúde. Por favor, SEJAM RESPONSÁVEIS. Se têm mais de 60 anos, já passaram por MUITO, isto não é nada. Tudo voltará a ser o mesmo, se cumprirmos o nosso DEVER!!

Estamos em condições de começar a reduzir o numero absoluto de novos casos na próxima semana. Daí ser tão importante não sair de casa na Páscoa. Um sacrifício que vale por dezenas de vidas. Vale a pena, acreditem! Obrigado a todos os que me têm ajudado, em especial o Edgar Mesquita, o André Rodrigues e o Marco Rego, bem como um abraço ao meu amigo Hugo Pinto que continua a fazer previsões diárias espetaculares (a de hoje aqui -> https://www.facebook.com/hugojpinto/posts/10158289643742048).

Se puderem USEM MÁSCARA se saírem. Se só tiverem uma, saibam que a podem reutilizar. Um estudo mostra que forno meia hora a 70°C elimina os agentes infecciosos sem degradar de forma significativa a máscara! Em tempos de grande necessidade faz a diferença! Obrigado Carlos Menezes por partilhares!

Não se esqueçam: Fiquem em casa! Resistam! Cumpram o vosso dever! Salvem vidas!!



#COVID19Portugal Dia 02/04

MGFamiliar ® - Thursday, April 02, 2020



#COVID19Portugal atualização 02/04/2020, 29º Dia COVID-19 em Portugal (18º após 100º caso).

Continuamos na luta. O nosso país está mais unido que nunca! Quando tantas vezes só identificamos os aspetos menos positivos da nossa cultura, temos também de reconhecer as nossas qualidades. Não somos nós, o nosso país está a ser elogiado lá fora (https://visao.sapo.pt/…/2020-04-01-covid-19-os-elogios-a-p…/), desde a imprensa americana à Francesa, passando também pelo próprio embaixador britânico que destaca a bondade, generosidade, cordialidade e alegria dos portugueses “São diferentes de tudo que experimentei em qualquer outro lugar”, assumindo que essas qualidades são as que “permitirão a Portugal vencer a batalha contra esse vírus”.

Analisemos os gráficos.

A nossa curva de novos casos a partir dos 100 casos subiu um pouco desde a última análise (já era previsível dado que estamos a aplicar muitos mais testes) mas parece estar a ter tendência de aplanar e de cruzar a própria curva dos Países Baixos, o país que tem uma evolução mais contida dentro dos países europeus ali representados Isto é um dado POSITIVO, significa que estamos a demorar mais tempo que os Países Baixos a incrementar o número de casos.

O número de novos casos continua abaixo dos 1000 novos casos/dia o que é BOM. Para já continuamos sem evidência de um pico de novos casos. Hoje acrescento um gráfico que representa a evolução da % diária de novos casos (GRÁFICO 2) e como verificamos mantemos a redução gradual da % de novos casos (o meu amigo Hugo Pinto já vinha a publicar há uns dias). Isto é muito positivo, sobretudo se tivermos em conta que a percentagem de testes por milhão de habitante é das melhores a nível europeu. Esta tendência é ótima e permite ter esperança.

Outro dado positivo, a curva de mortalidade (GRÁFICO 3), a partir do Excel do André Rodrigues, mantém-se surpreendentemente estável, bastante mais baixa que todos os países europeus, tirando Alemanha e países nórdicos. Gostaria que assim se mantivesse. Sugere que: não estamos a falhar assim tanto na deteção dos novos casos e, por outro lado, o nosso sistema de saúde continua, neste momento, a conseguir dar resposta!

Hoje também acrescento, a pedido de muitos, o gráfico do número de novos casos por 100.000 habitantes (a partir do Excel do André Rodrigues) - GRÁFICO 4. Não tenho colocado até agora porquê?

A velocidade ou ritmo de evolução da epidemia obedece às mesmas regras em todo o lado e não tem em consideração a população total de um país: se colocarmos 1 pessoa infetada com perfil semelhante em todos os países do mundo e se nada se fizer, ao fim de 100 dias em média o número de casos será semelhante entre todos. Claro que não será exatamente igual porque haverá outros fatores em conta: a densidade populacional, a cultura de socialização do país, o número de eventos em massa, a temperatura, etc. Os países com mais população naturalmente são beneficiados nesta análise, partindo sempre de um número de casos por milhão de habitantes menor e por isso ficam à direita no gráfico. É o que verificamos com os EUA por exemplo, um país com mais de 320 milhões de habitantes, precisa de muito mais tempo para que a epidemia cause um impacto per capita tão grande como no Luxemburgo, na Áustria ou Portugal, por muito pior controlo que tenham da epidemia que os países mais pequenos. Por isso quando consideramos que estamos a ser justos em comparar per capita, e efetivamente o é na grande maioria das avaliações que possamos fazer (rendimento, mortalidade, etc.), nesta análise em específico, de avaliação da velocidade de propagação epidémica, não o é tanto.

Ainda assim, é possível complementar a análise, concordo convosco. Se compararmos Portugal com a Áustria, Noruega e Países Baixos, países com populações totais mais comparáveis com Portugal, verificamos que Portugal:
• Não está assim tão longe do ritmo de evolução da Noruega, um país do grupo 1 (ainda assim temos que considerar que eles têm uma população de quase metade da Portuguesa).
• Estamos bem melhor que a Áustria!
• Começamos naturalmente pior que os Países Baixos (porque têm 1,7x mais população, os mesmos 100 casos dão um pior resultado em Portugal que os Países Baixos) mas conseguimos estabilizar a um ritmo de evolução de casos por 100.000 habitantes semelhante.

Dêem também uma olhada aos gráficos que caracterizam e analisam a evolução dos óbitos, doentes internados e internados em UCI do Edgar Mesquita. Os dados aqui também são felizmente estáveis, o que também, neste momento é um bom sinal!

Apesar de todos estes dados positivos, também não posso mentir. Vamos provavelmente ter que fazer este sacrifício por vários meses! Possivelmente não sob estas condições tão restritas sempre, vamos continuando a seguir o que as autoridades nacionais nos recomendam de acordo com a avaliação a cada semana. E todo este percurso pode ser comprometido se deixarmos de cumprir a nossa missão. A minha missão como profissional de saúde é trabalhar, trabalhar, trabalhar. A missão de muitas pessoas pode ser simplesmente ficar em casa. Também É DURO! Não deixa de ser também uma missão nobre na mesma. A missão de uns pode ser inviabilizada pelo não cumprimento da missão dos outros! A todos os que ficam em casa, acreditem, também estão a salvar vidas! Bem sei que é um enorme sacrifício para muitos, e a saúde mental é colocada à prova. Peço-vos para resistirem!! Também não vou desistir da minha missão!

Vamos continuar a fazer de PORTUGAL um EXEMPLO! Fiquem em casa. Protejam-se! Salvem vidas!!




#COVID19Portugal Dia 30/03

MGFamiliar ® - Wednesday, April 01, 2020




#COVID19Portugal atualização 30/03/2020, 29º Dia COVID-19 em Portugal (18º após 100º caso).

Comparando com há 2 dias atrás sinais POSITIVOS em Portugal. Os testes continuam-se a aplicar em larga escala e a % de novos casos está a reduzir há 2 dias consecutivos. De ontem para hoje foram +7% de casos (desceu de +15 e de +21% há 1 e 2 dias, respetivamente). Mas também ainda é precoce afirmar que esta tendência está para se manter.

A nível internacional, Espanha ultrapassou a China no número de casos e em Itália já se contabilizam, infelizmente, mais de 10.000 mortos. Os EUA são neste momento o país com a maior % de novos casos e o seu presidente refere que um cenário de menos de 100.000 mortes (!) no país é um bom cenário (https://www.theguardian.com/…/trump-says-keeping-us-covid-1…). Já no Brasil, Bolsonaro diz que "todos morremos um dia" em alusão à sua intenção de parar com as quarentenas (https://dioguinho.pt/bolsonaro-ameaca-acabar-com-quarenten…/). É o que dá eleger presidentes com 2 neurónios e meio. O Reino Unido mantém a tendência de subida em exponencial, assim como França. Como nota positiva, Espanha e Itália viram reduzir a % de novos casos, parecendo pela primeira vez poder haver uma luz ao fundo do túnel!

A boa notícia é que se olharmos para o gráfico 1, PORTUGAL mantém a tendência de seguir a curva da COREIA DO SUL, o tal país de sucesso do Grupo 2 ao qual estamos a copiar a estratégia, o que é positivo.

Analisando o gráfico 2 continuamos com uma taxa de letalidade baixa quando comparada com os outros países e a progredir lentamente, o que também é um dado positivo. Os dados de letalidade não mostram surpresas: mais de 95% dos casos são acima dos 60 anos e mais de metade das mortes são acima dos 80 anos.

É certo que Portugal beneficiou de algum atraso da epidemia em relação a outros países, mas as medidas foram tomadas mais CEDO que os outros países e isso FEZ DIFERENÇA. Segundo a análise do jornal Observador (https://observador.pt/…/portugal-mais-rapido-a-tomar-medid…/):
- Portugal suspendeu eventos desportivos e culturais dois dias após ter 50 pessoas infetadas, a Espanha e o Reino Unido 13 dias depois e a Itália 16 dias depois. Os três países já contabilizavam mortos e Portugal não (a Itália já tinha 366).
- Em Portugal as escolas fecharam quatro dias após os primeiros 50 casos de covid-19. Em Espanha passaram 12 dias, em Itália 16 e no Reino Unido 18.
- A suspensão de serviços não essenciais aconteceu em Portugal quando se registavam 14 mortes mas em Itália a medida só foi tomada quando o número de óbitos era de 1.016. Quando as escolas fecharam Portugal não tinha ainda mortes por Covid-19 a assinalar mas a Espanha já tinha 84, o Reino Unido 233 e a Itália 366.
- As restrições em transportes foram em Portugal ao fim de sete dias dos primeiros 50 casos de infeção, também um pouco antes do que os outros três países, e a quer a suspensão de serviços não essenciais e distanciamento social aconteceram passados 12 dias das primeiras 50 infeções, também mais cedo do nos três países em análise.

Para CONCLUIR a análise de hoje:
- Os dados NESTE MOMENTO são positivos, continuamos a mostrar uma tendência de aplanamento da curva ao contrário de praticamente todos os países da Europa (exceto talvez os Países Baixos neste ponto).
- AS MEDIDAS DE ISOLAMENTO SOCIAIS RESULTAM. Todo este sacrifício que estamos a fazer VAI RESULTAR! A evidência já mostra que sim.

Temos uma estratégia excelente montada no terreno:
1. Temos uma política de prescrição de testes sem restrições a pessoas com sintomas suspeitos (febre 38ºC ou mais, tosse persistente e/ou falta de ar) e o incentivo às pessoas contactarem as linhas criadas para o efeito (ponto 2).
2. Para além de SNS 24, que estava saturadíssimo, temos agora a serem criadas linhas telefónicas exclusivas para os residentes em cada Agrupamento de Centros de Saúde. Os médicos que atendem podem prescrever o teste de forma desmaterializada.
3. Temos também os Médicos de Família a poderem prescrever facilmente, sem restrições e de forma desmaterializada, o teste para as pessoas com sintomas suspeitos ao contacto telefónico.
4. Para os casos de dúvida e necessidade de avaliação clínica, temos os centros de avaliação e orientação (ADC) nos Centros de Saúde e, para os casos emergentes ou com necessidade de estratificação do risco (por comorbilidades) os ADC nos Serviços de Urgência.

Hoje gostaria de dar os meus Parabéns à SAÚDE PÚBLICA portuguesa que organizou e estruturou toda esta estratégia em colaboração com as entidades competentes (DGS). Mais uma vez, um abraço a todos os profissionais que estão a dar tudo no terreno e a todas as pessoas que estão a resistir estoicamente em casa! Resistam.

Fiquem em casa. Salvem vidas! Vamos fazer de PORTUGAL UM EXEMPLO. Coragem. Força!!







#COVID19Portugal Dia 28/03

MGFamiliar ® - Sunday, March 29, 2020




#COVID19Portugal atualização 28/03/2020, 27º Dia COVID-19 em Portugal (16º após 100º caso).

O mundo em estado de nervos, à espera de uma recessão enconómica sem precedentes desde a 2ª Guerra Mundial. Começa-se a dizer que o mundo dificilmente será o mesmo depois da era COVID19. (https://foreignpolicy.com/…/the-coronavirus-war-economy-wi…/). Na Europa, Espanha e Itália têm a situação descontrolada em termos de controlo da epidemia, pedem ajuda mas a União Europeia nega-a. (https://edition.cnn.com/…/economy/corona-bonds-eu/index.html).

Resumindo o que foi dizendo nos últimos posts, ao avaliar o gráfico da evolução dos casos a partir do 100º em cada país, temos 3 grupos de países:
➡️ Grupo 1️⃣. Trata-se de uma minoria de países com a situação controlada desde o início. Neste grupo apenas incluo neste momento o Japão. Poderíamos incluir também a Singapura, Macau e Hong Kong, embora sejam micro-realidades em relação aos restantes e sobretudo os dois últimos nem são países. A Alemanha também esteve aqui durante algum tempo. Estes países apenas precisam de se preocupar agora com os casos importados.
➡️ Grupo 3️⃣. Países com a situação descontrolada. Neste grupo de países coloco os que têm um elevado número de casos associada a uma elevada taxa de mortalidade, com colapso dos sistemas de saúde. À cabeça: Itália, Espanha e Irão. A elevada taxa de mortalidade deve-se a uma elevada proporção de casos não detetados na comunidade e que perpetua o descontrolo da situação. Estes países estão numa situação muito complicada, por muito dinheiro que agora invistam, mas para terem esperança de controlar precisam de medidas de isolamento radicais durante 2 a 3 semanas (para começar!).
➡️ Grupo 2️⃣. Países com a situação parcialmente controlada. A maioria dos países está aqui, incluindo Portugal. São países que podem ir para o Grupo 1 ou para o Grupo 3 dependendo sobretudo do rigor das medidas de isolamento social e também da quantidade de testes por milhão de habitante, pois só detetando todos os casos podemos ambicionar quebrar os ciclos de transmissão.

O que esperar de PORTUGAL🇵🇹?

Portugal beneficiou de um início mais tardio da epidemia, numa fase em que já havia algum alarmismo, sobretudo pela situação que assistiamos em Itália, pelo que as pessoas cooperaram mais nas medidas. Esse foi um fator importante. Por outro lado, também beneficiamos de as primeiras cadeias de transmissão serem em áreas de densidade populacional intermédia (como Lousada/Felgueiras) e não no centro de grandes metrópoles como Milão ou Madrid. No entanto, a partir de certo ponto, são as medidas que um país toma e a colaboração dos seus cidadãos que tornam possível controlar ou não a epidemia.

Estamos no 16º dia após o 100º caso e a nossa curva de novos casos está a subir progressivamente, sem ainda dar sinais de abrandamento. Esta situação era prevista, afinal estamos agora a aplicar muitos mais testes. No dia de hoje (28/03/2020) já fizemos um total de 27.000 testes, segundo registos da DGS, ou seja, nem podemos dizer que estamos muito mal em relação à maioria dos outros países: temos cerca de 2600 testes por milhão de habitantes, o que até nos coloca no top dos países com mais testes por milhão de habitantes, se aceitarmos de barato algum diferencial temporal nos dados apresentados (notem que Portugal iniciou 1-2 semanas mais tarde a epidemia em relação a todos aqueles países, por isso estamos até a comparar em datas ajustadas). Temos 280 mil testes encomendados, o que é um bom princípio se atendermos a que a Coreia do Sul, o tal país de sucesso do Grupo 2 que conseguiu aplanar a curva e que aplicou 260.000 testes até ao dia de ontem!

Se analisarmos as TAXAS DE LETALIDADE, Portugal apresenta uma taxa de 1,9%. Dentro do Grupo 2, Portugal é o país que apresenta este valor mais baixo (tirando a Alemanha, mas tenho algumas reservas de que estejam a aplicar os mesmos critérios), embora tenha também iniciado esta epidemia mais tarde e, como sabem, é preciso dar tempo para os óbitos infelizmente aparecerem... Ainda assim, podemos comparar com os períodos equivalente dos outros países (na maioria dos casos, com populações até menos envelhecidas que a portuguesa). Ao 16º dia do 100º caso a taxa de letalidade dos vários países era:
🇮🇹 Itália : 5%
🇪🇸 Espanha: 4,5%
🇬🇧 Reino Unido: 4,4%
🇧🇶 Países Baixos: 1,8%
🇺🇸 EUA: 1,7%
🇰🇷 Coreia do Sul : 0,7%
🇩🇪 Alemanha: 0,2% (tenho as minhas reservas em relação a este valor!)
Ou seja, no mesmo período, Reino Unido, Itália e Espanha já mostravam ter uma taxa de subdiagnóstico bastante mais elevada que a portuguesa, o que parece ser um SINAL POSITIVO.

Uma última questão, qual será a TAXA DE LETALIDADE aproximada do COVID-19 em Portugal?
Sabemos quais as taxas de letalidade por vários grupos etários na população chinesa: 14,8% nas pessoas 80 ou mais anos, 8% no grupo dos 70-79, e por aí fora... (vejam a figura). OK é a população chinesa e pode não se aplicar exatamente o mesmo princípio para a população portuguesa, mas vamos dar isso de barato porque é o que temos. Se analisarmos a estratificação das pessoas confirmadas com a doença em Portugal partilhada pela DGS, e aplicando a fórmula anterior chegamos a uma mortalidade de... 3,7%!

Ou seja, estamos neste momento com 1,9% e temos subdiagnóstico. Provavelmente temos 1,5-2x mais casos por detetar segundo as contas que concordo do meu amigo Hugo Pinto. É previsível que, infelizmente, os óbitos aumentem e muito em Portugal, ainda mais do que o número de novos casos. A maioria dos óbitos são de facto na população mais idosa (gráficos do Edgar Mesquita) pelo que toca a ficar em casa para proteger os pais e os avós!

Só o futuro dirá se conseguimos ser a exceção no meio daqueles países europeus todos do grupo 2, se vamos seguir o exemplo da Coreia do Sul, se ao copiarmos o que eles estão a fazer, um pouco mais tarde, será suficiente. Ou se seguiremos mais as curvas de França ou Alemanha. Só o tempo o dirá. Mas temos que acreditar que sim! A evidência sugere que é possível aplanar a curva num prazo de um mês, sobretudo que até lá o número de casos aumente gradualmente e não dê um pico, como aconteceu na França, Alemanha e agora também no Reino Unido. Para isso temos de manter o isolamento social e aguentar, aguentar!

Um abraço a todos os profissionais que estão na linha da frente por esta luta e a todas as pessoas que fazem o sacrifício pessoal e económico em continuar em casa. Resistam!

Fiquem em casa. Salvem vidas. Vamos fazer de Portugal um exemplo. Ainda estamos a tempo!!