MaisOpinião - Hélder Teixeira

#COVID19Portugal Dia 28/03


MGFamiliar ® - Sunday, March 29, 2020




#COVID19Portugal atualização 28/03/2020, 27º Dia COVID-19 em Portugal (16º após 100º caso).

O mundo em estado de nervos, à espera de uma recessão enconómica sem precedentes desde a 2ª Guerra Mundial. Começa-se a dizer que o mundo dificilmente será o mesmo depois da era COVID19. (https://foreignpolicy.com/…/the-coronavirus-war-economy-wi…/). Na Europa, Espanha e Itália têm a situação descontrolada em termos de controlo da epidemia, pedem ajuda mas a União Europeia nega-a. (https://edition.cnn.com/…/economy/corona-bonds-eu/index.html).

Resumindo o que foi dizendo nos últimos posts, ao avaliar o gráfico da evolução dos casos a partir do 100º em cada país, temos 3 grupos de países:
➡️ Grupo 1️⃣. Trata-se de uma minoria de países com a situação controlada desde o início. Neste grupo apenas incluo neste momento o Japão. Poderíamos incluir também a Singapura, Macau e Hong Kong, embora sejam micro-realidades em relação aos restantes e sobretudo os dois últimos nem são países. A Alemanha também esteve aqui durante algum tempo. Estes países apenas precisam de se preocupar agora com os casos importados.
➡️ Grupo 3️⃣. Países com a situação descontrolada. Neste grupo de países coloco os que têm um elevado número de casos associada a uma elevada taxa de mortalidade, com colapso dos sistemas de saúde. À cabeça: Itália, Espanha e Irão. A elevada taxa de mortalidade deve-se a uma elevada proporção de casos não detetados na comunidade e que perpetua o descontrolo da situação. Estes países estão numa situação muito complicada, por muito dinheiro que agora invistam, mas para terem esperança de controlar precisam de medidas de isolamento radicais durante 2 a 3 semanas (para começar!).
➡️ Grupo 2️⃣. Países com a situação parcialmente controlada. A maioria dos países está aqui, incluindo Portugal. São países que podem ir para o Grupo 1 ou para o Grupo 3 dependendo sobretudo do rigor das medidas de isolamento social e também da quantidade de testes por milhão de habitante, pois só detetando todos os casos podemos ambicionar quebrar os ciclos de transmissão.

O que esperar de PORTUGAL🇵🇹?

Portugal beneficiou de um início mais tardio da epidemia, numa fase em que já havia algum alarmismo, sobretudo pela situação que assistiamos em Itália, pelo que as pessoas cooperaram mais nas medidas. Esse foi um fator importante. Por outro lado, também beneficiamos de as primeiras cadeias de transmissão serem em áreas de densidade populacional intermédia (como Lousada/Felgueiras) e não no centro de grandes metrópoles como Milão ou Madrid. No entanto, a partir de certo ponto, são as medidas que um país toma e a colaboração dos seus cidadãos que tornam possível controlar ou não a epidemia.

Estamos no 16º dia após o 100º caso e a nossa curva de novos casos está a subir progressivamente, sem ainda dar sinais de abrandamento. Esta situação era prevista, afinal estamos agora a aplicar muitos mais testes. No dia de hoje (28/03/2020) já fizemos um total de 27.000 testes, segundo registos da DGS, ou seja, nem podemos dizer que estamos muito mal em relação à maioria dos outros países: temos cerca de 2600 testes por milhão de habitantes, o que até nos coloca no top dos países com mais testes por milhão de habitantes, se aceitarmos de barato algum diferencial temporal nos dados apresentados (notem que Portugal iniciou 1-2 semanas mais tarde a epidemia em relação a todos aqueles países, por isso estamos até a comparar em datas ajustadas). Temos 280 mil testes encomendados, o que é um bom princípio se atendermos a que a Coreia do Sul, o tal país de sucesso do Grupo 2 que conseguiu aplanar a curva e que aplicou 260.000 testes até ao dia de ontem!

Se analisarmos as TAXAS DE LETALIDADE, Portugal apresenta uma taxa de 1,9%. Dentro do Grupo 2, Portugal é o país que apresenta este valor mais baixo (tirando a Alemanha, mas tenho algumas reservas de que estejam a aplicar os mesmos critérios), embora tenha também iniciado esta epidemia mais tarde e, como sabem, é preciso dar tempo para os óbitos infelizmente aparecerem... Ainda assim, podemos comparar com os períodos equivalente dos outros países (na maioria dos casos, com populações até menos envelhecidas que a portuguesa). Ao 16º dia do 100º caso a taxa de letalidade dos vários países era:
🇮🇹 Itália : 5%
🇪🇸 Espanha: 4,5%
🇬🇧 Reino Unido: 4,4%
🇧🇶 Países Baixos: 1,8%
🇺🇸 EUA: 1,7%
🇰🇷 Coreia do Sul : 0,7%
🇩🇪 Alemanha: 0,2% (tenho as minhas reservas em relação a este valor!)
Ou seja, no mesmo período, Reino Unido, Itália e Espanha já mostravam ter uma taxa de subdiagnóstico bastante mais elevada que a portuguesa, o que parece ser um SINAL POSITIVO.

Uma última questão, qual será a TAXA DE LETALIDADE aproximada do COVID-19 em Portugal?
Sabemos quais as taxas de letalidade por vários grupos etários na população chinesa: 14,8% nas pessoas 80 ou mais anos, 8% no grupo dos 70-79, e por aí fora... (vejam a figura). OK é a população chinesa e pode não se aplicar exatamente o mesmo princípio para a população portuguesa, mas vamos dar isso de barato porque é o que temos. Se analisarmos a estratificação das pessoas confirmadas com a doença em Portugal partilhada pela DGS, e aplicando a fórmula anterior chegamos a uma mortalidade de... 3,7%!

Ou seja, estamos neste momento com 1,9% e temos subdiagnóstico. Provavelmente temos 1,5-2x mais casos por detetar segundo as contas que concordo do meu amigo Hugo Pinto. É previsível que, infelizmente, os óbitos aumentem e muito em Portugal, ainda mais do que o número de novos casos. A maioria dos óbitos são de facto na população mais idosa (gráficos do Edgar Mesquita) pelo que toca a ficar em casa para proteger os pais e os avós!

Só o futuro dirá se conseguimos ser a exceção no meio daqueles países europeus todos do grupo 2, se vamos seguir o exemplo da Coreia do Sul, se ao copiarmos o que eles estão a fazer, um pouco mais tarde, será suficiente. Ou se seguiremos mais as curvas de França ou Alemanha. Só o tempo o dirá. Mas temos que acreditar que sim! A evidência sugere que é possível aplanar a curva num prazo de um mês, sobretudo que até lá o número de casos aumente gradualmente e não dê um pico, como aconteceu na França, Alemanha e agora também no Reino Unido. Para isso temos de manter o isolamento social e aguentar, aguentar!

Um abraço a todos os profissionais que estão na linha da frente por esta luta e a todas as pessoas que fazem o sacrifício pessoal e económico em continuar em casa. Resistam!

Fiquem em casa. Salvem vidas. Vamos fazer de Portugal um exemplo. Ainda estamos a tempo!!

 





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