MaisOpinião - Luís Monteiro

Literacia em ciência


MGFamiliar ® - Wednesday, March 07, 2018



A investigação intitulada "Limited Health Literacy in Portugal Assessed with the Newest Vital Sign" publicada na Acta Médica concluiu que 3 em 4 pessoas da população portuguesa alfabetizada têm literacia em saúde limitada (72.9%). Um valor muito elevado quando comparado com os outros países europeus avaliados pelo mesmo método: 23,7% na Holanda e 63,1% em Espanha.
Este artigo teve o seu merecido destaque e comentário 
aqui, e a literacia em saúde foi já tema de crónica prévia.
Neste texto não pretendo repetir argumentos, mas sim enquadrar estes resultados no âmbito mais alargado da literacia em ciência.
As novas tecnologias de informação são uma realidade ubíqua. Aposto que o leitor tem no seu bolso um telemóvel (mais ou menos smart) que lhe permite aceder a informação de uma forma que, há uns anos, seria apenas argumento de um filme de ficção científica.
O paradoxo atual é que estes meios também fomentam a criação de ilhas anti-ciência.
É claro que estes movimentos não são recentes. As panaceias, por exemplo, acompanham a medicina desde o seu início.
Mas as atuais redes sociais virtuais fomentam estas "bolhas", em que muitos se aglutinam apenas para concordarem entre si, sem espaço para contraditório ou leitura crítica.
Eu bem sei que os problemas complexos não têm soluções simplistas ou imediatas.
A cultura científica dos portugueses depende muito das medidas dos nossos decisores que têm impacto pelo seu exemplo de racionalidade (recordemos o legado do Prof. Mariano Gago) ou de cedência ao populismo.
E, sejamos francos, o empenho das famílias é fundamental na valorização do mérito, da leitura e do excelente trabalho dos professores que, apesar das actuais limitações, motivam os alunos. 
Não posso, é claro, deixar de destacar o nosso portal 
MGFamiliar.net que após 11 anos na rede afirmou-se como uma referência que continua a inovar: o leitor não pode perder o recente podcast
Outros exemplos disponíveis em linha são o 
site da Comunidade Cépitca Portuguesa (COMCEPT) e as crónicas do Prof. David Marçal e do Prof Carlos Fiolhais no "Público".
Para uma leitura mais aprofundada recomendo os livros 
"A Ciência e os seus inimigos" de Carlos Fiolhais e David Marçal e "Não se deixe enganar" de Diana Barbosa, João Lourenço Monteiro, Leonor Abrantes e Marco Filipe.

Por Luís Monteiro, Médico de Família



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