MaisOpinião - Luís Monteiro

Nanotecnologia


Luís Monteiro - Monday, November 18, 2013

 

“Everything you'll ever need to know is within you; the secrets of the universe are imprinted on the cells of your body” Dan Millman

 

Em 1956 o genial Arthur C. Clarke publica o conto “The Next Tenants”. Apesar da palavra “nano” não ser, ainda, aplicada é um facto que os conceitos da nanotecnologia estão presentes nesse texto inaugural. Desde então a ficção científica tem sido terreno fértil para esta temática. Recordo-me bem do romance “Prey” de Michael Crichton. O enredo tem como tema central os nanorobots produzidos pela empresa Xymos que, inesperadamente, se organizam em enxames destruidores sem controlo. O livro está, obviamente, repleto de fantasia deambulante, pelo que a sua leitura combina melhor com um cenário veranil descontraído.

Na verdade a designada nanotecnologia é bem mais fascinante no mundo real. E não me refiro aos meios poderosos da tecnologia de informação ao alcance de um clique mas antes à comunidade que nos estrutura: as nossas células.

Por isso vale a pena realçar o percurso de James E. Rothman, Randy W. Schekman  e Thomas C. Südhof.

Nos anos 1970, Schekman estudou as bases genéticas do transporte das proteínas, identificando três tipos de genes responsáveis pelo sistema de transporte. De facto, Randy Schekman percebeu que, quando existe erro genético fundamental a célula parece uma cidade com um rede de transporte público caótico e ineficaz.

Mais tarde, nos anos 1980-1990, Rothman enveredou pela investigação dos mecanismos que  permitem a fusão das vesículas com uma determinada membrana-alvo. Descobriu que o funcionamento é semelhante a um porto em que a carga de um navio se liga a um local específico do cais como um zipper.

Por fim, o alemão Südhof, interessado na forma com as células nervosas comunicam entre si, identificou o sinal essencial para que a libertação da carga seja efectuada no local e no momento exacto: a libertação de iões de cálcio.

Os três cientistas foram distinguidos com o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina deste ano “pelas suas descobertas da maquinaria de regulação do tráfego vesicular, um importante sistema de transporte nas nossas células.”

E para quebrar com o lado mais formal do Instituto Karolinska, recomendo a breve entrevista a Randy Schekman em que o cientista confessa "I danced around with my wife and repeatedly said 'oh my god, oh my god'.". Para saber mais basta aceder a: http://tinyurl.com/schekman

Luís Monteiro, Médico de Família

 

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