MaisOpinião - Luís Monteiro

Z06


Luís Monteiro - Sunday, January 19, 2014








  "O desemprego é o maior problema social de um país. Um povo sem trabalho não pode ser feliz. (...) Sem trabalho, não há pão. Sem pão, não há razão.

Razão de ser. Razão de existir. Razão de possível convivência humana.", Francisco Providência

 

Naquele final de dia intenso, ao percorrer o asfalto no regresso a casa, recordei a resignação do casal de desempregados: o encolher de ombros dele, a voz sumida dela: “Aqui não há nada, Dr. . Temos de ir lá para fora. Por cá ficam os filhos e os meus pais”.

Esta é a face real de uma crise profunda que ameaça os alicerces da nossa comunidade.

O desemprego, nos moldes actuais, limita as opções, ensombra o futuro, contribui para a fragilidade da saúde familiar e pessoal.

Muitos levantam a bandeira do empreendedorismo, outros exigem provas científicas irrefutáveis que provem o impacto negativo da ausência de trabalho.

Mas se há algo que aprendi nos últimos anos é que o gabinete do médico de família é muito mais do que um espaço para indicadores e evidência.

A cada encontro entre médico e utente há uma janela que se abre.

E estes vislumbres podem mostrar uma realidade ampla de esperança ou um abismo incontornável.

Ainda que a espuma noticiosa insista na avalanche dos números, o decantar da história escrita pelas gerações futuras apontará culpados entre silêncios e fervores.

O médico de família fiel aos princípios hipocráticos estará sempre do lado dos mais frágeis.

 

Luís Monteiro, Médico de Família

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