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Escolha da especialidade: MGF


MGFamiliar ® - Monday, April 13, 2015

 

 

Questionaram-me sobre as razões que me levaram a escolher Medicina Geral e Familiar (MGF) como especialidade. A resposta não é imediata uma vez que, para esta escolha, contribuíram alguns fatores.

Creio que, desde o meu quinto ano, tive em mente esta especialidade. Até lá nunca tinha pensado “a sério” no assunto. Mas, talvez, o que mais contribuiu para a opção tomada foram os estágios em Centro de Saúde que o meu curso me proporcionou, em diversos anos curriculares. Foi o acolhimento feito pelas equipas destes centros, bem como a diversidade de situações desafiantes e nada rotineiras que verdadeiramente me aliciaram. Neste sentido, em boa verdade, não ponderei muito outras, embora a decisão da minha escolha não tivesse sido, de todo, fácil.

Após ter tido uma boa classificação no temido Harrison que me permitiria ter escolhido entre um leque significativo de opções, foi-me questionado, por diversas vezes e com certo desprezo, como fora possível ter ido para MGF, quando tinha muitas outras especialidades hospitalares à escolha...

Infelizmente há uma tendência negativa de associar a opção por MGF como recurso para quem não consegue uma especialidade “melhor”. Ainda há uma certa descriminação, inclusive entre médicos, a seu respeito. Contudo, acredito que esta forma de pensar tem-se alterado nos últimos anos, devido a uma maior afluência a esta especialidade por médicos que vêem, na MGF, a sua primeira escolha para exercer medicina. Tive a felicidade de esta opção ser, para mim, não um recurso mas uma decisão! É claro que MGF é muito diferente das especialidades hospitalares, mas não menos digna e menos importante. Para tal, urge ter-se um conhecimento geral, o mais aprofundado possível, de todas as outras. É preciso também saber trabalhar em equipa e, sobretudo, ter uma relação de empatia com o utente.

Quem escolhe ir para MGF ambiciona uma medicina de contacto, com as pessoas, as famílias e os problemas sociais e comunitários envolventes. Neste âmbito, são extremamente importantes ter em linha de conta os valores humanísticos: a compaixão, a empatia, as aptidões comunicacionais, a capacidade de inspirar confiança e também os aspetos biopsicossociais, olhando para o doente como um ser único, com os seus pontos de vista. É uma das poucas especialidades holísticas que proporciona um acesso aberto e ilimitado aos seus utentes e lida com todos os problemas de saúde, independentemente da idade, sexo ou qualquer outra característica da pessoa.

Para finalizar, gostaria de dizer que me sinto muito realizada e muito satisfeita com a escolha que fiz. Fascina-me o contacto que tenho com os doentes e as suas famílias que tornam esta especialidade única e cada vez mais reconhecida pela sociedade. Cada médico deve escolher a sua especialidade olhando para aquilo de que mais gosta; para aquilo de que se sente mais capaz e para aquilo que o torna num profissional que sabe SER, ESTAR e FAZER Medicina.

Por Isabel Machado, USF do Minho

 

 

 

Comments
Joana Parente commented on 14-Apr-2015 09:59 PM
Bom texto, Isabel! Subscrevo na íntegra.


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