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Atividade física reduz risco de depressão

MGFamiliar ® - Saturday, December 29, 2018




Pergunta clínica: A prática de atividade física está associada a um menor risco de desenvolvimento de depressão?

Enquadramento: As perturbações depressivas constituem a segunda causa de carga global de morbilidade, contribuindo também para um aumento dos custos associados à saúde e mortalidade prematura. Devido ao impacto desta patologia, é fundamental a identificação de estratégias que possam reduzir a sua incidência. Um fator de risco potencialmente modificável para o desenvolvimento de depressão é o baixo nível de atividade física.

Desenho do estudo: Revisão sistemática com meta-análise de estudos de coorte prospetivos com o objetivo de avaliar o papel da atividade física na redução do risco de incidência de depressão. Foram selecionados estudos com pelo menos um ano de seguimento que incluíam participantes de todas as idades que inicialmente não apresentavam diagnóstico de depressão ou sintomas depressivos, sendo avaliado o seu nível de atividade física através de um questionário de auto-avaliação; o outcome definia-se como o aparecimento de sintomas depressivos ou diagnóstico de depressão ao fim de um determinado tempo de seguimento.

Resultados: Foram incluídos 49 estudos (n=266.939, 47% de participantes do género masculino) com tempo de seguimento médio de 7.4 anos, sendo a avaliação da qualidade média dos estudos incluídos moderada a alta. Verificou-se que os participantes com maiores níveis de atividade física (>150 minutos semanais de atividade moderada a intensa) apresentaram menor probabilidade de incidência de depressão comparativamente aos que apresentavam níveis mais baixos de atividade física (OR=0.83; 95% CI=0.79,0.88; p<0.001). Este efeito protetor foi verificado em todas as regiões geográficas (Ásia, Europa, América do Norte e Oceânia) e idades (subgrupos de <18 anos, 18-65 anos e >65 anos). Foram considerados vários potenciais confundidores como idade, género, IMC, tabagismo e sintomas sub-depressivos basais, sem alteração significativa dos resultados. Foram ainda avaliados alguns fatores variáveis nos diferentes estudos como tamanho da amostra, ano de publicação, tempo de seguimento, número de pessoas-ano, percentagem de indivíduos do género masculino, número de co-variáveis incluídas e qualidade do estudo, sendo que nenhum destes parâmetros demonstrou um impacto significativo na associação entre a prática de exercício físico e a redução da incidência de depressão.

Comentário: A depressão é uma patologia muito frequente e com um elevado impacto na qualidade de vida. Este estudo aponta para a possibilidade da sua prevenção, nomeadamente através da promoção da prática de atividade física. Estudos posteriores poderão ser desenvolvidos de forma a perceber se o exercício físico apresenta igualmente um efeito protetor em doentes com risco basal aumentado de depressão.

Artigo original: Am J Psychiatry

Por Ana Pinho, UCSP Chaves IB



Revisão USPSTF: rastreio de doença coronária por ECG

MGFamiliar ® - Tuesday, December 11, 2018




Pergunta clínica: Em adultos assintomáticos e com baixo risco cardiovascular, o rastreio de doença coronária por ECG traz mais benefício do que dano?

Enquadramento: As doenças cardiovasculares são a causa mais comum de morte nos Estados Unidos da América. A prevenção de eventos cardiovasculares através da modificação de fatores de risco é atualmente determinada pela avaliação de risco de doença cardiovascular com ferramentas como o Framingham Risk Score ou o Pooled Cohort Equations. Em 2012, a United States Preventive Services Task Force emitiu um parecer contra o rastreio de doença coronária com ECG em adultos de baixo risco.

Desenho do estudo: Revisão da evidência pela United States Preventive Services Task Force.

Resultados: Para adultos assintomáticos e com baixo risco de eventos cardiovasculares (risco a 10 anos < 10%), é muito pouco provável que as informações do ECG (em repouso ou de exercício) resultem numa mudança na categoria de risco do doente, avaliada pelos scores de risco. Possíveis danos estão associados ao rastreio com ECG de repouso ou de exercício, especificamente os potenciais efeitos adversos de testes invasivos subsequentes. Para adultos assintomáticos com risco intermédio ou alto para doença cardiovascular a evidência disponível é insuficiente para determinar até que ponto as informações do ECG em repouso ou de exercício complementam os modelos atuais de avaliação de risco de doença cardiovascular.

Conclusão: A United States Preventive Services Task Force não recomenda o rastreio com ECG em repouso ou exercício para prevenir eventos cardiovasculares em adultos assintomáticos com baixo risco (Força de Recomendação D). A evidência disponível é insuficiente para concluir relativamente ao risco-benefício do rastreio com ECG de repouso ou de exercício na prevenção de eventos cardiovasculares em adultos assintomáticos com risco cardiovascular intermédio ou alto.

Comentário:  O ECG, pode levar à realização de outros exames e procedimentos invasivos, que em última análise nada contribuem para a melhoria do prognóstico do doente. A aplicação de escalas de risco, envolvendo o doente neste processo, pode constituir uma oportunidade para demonstrar quais os fatores que influenciam o seu maior ou menor risco, podendo motivar o cidadão para um estilo de vida saudável.

Artigo original: JAMA

Por Andreia Ramalho, USF Sobreda 




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