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A prática de corrida reduz o risco de mortalidade

MGFamiliar ® - Thursday, November 14, 2019





Pergunta clínica:
Em adultos saudáveis, a prática de corrida diminui a mortalidade por todas as causas, a mortalidade por causa cardiovascular e a mortalidade por neoplasia?

Desenho do estudo: Revisão sistemática e meta-análise. Critérios de inclusão e seleção de estudos: estudos prospetivos de coorte que avaliavam a associação entre corrida ou jogging e o risco de mortalidade por todas as causas, cardiovascular e/ou por neoplasia, em população de adultos saudáveis.

Resultados: Foram incluídos 14 estudos, de 6 coortes prospetivas, com uma amostra total de 232149 participantes, com follow-up entre 5,5 e 35 anos. Foram registados 25951 óbitos durante este período. A meta-análise demonstrou que a prática de corrida estava associada a uma diminuição do risco de morte por todas as causas de 27% (Hazard ratio (HR) 0,73), a uma redução de 30% de morte cardiovascular (HR 0,7) e a uma redução de 23% de morte por neoplasia (HR 0,77), comparativamente ao grupo de controlo de adultos que não corriam. Relativamente à dose de corrida necessária para este efeito protetor, a meta-análise demonstrou que não houve diferença estatisticamente significativa com o aumento da dose (frequência, duração, velocidade e volume total) da corrida.

Conclusão: A corrida contribui para a diminuição em 23-30% da mortalidade por todas as causas, cardiovascular e neoplásica e está associada a um maior consumo energético num determinado período de tempo que outras modalidades. Os benefícios da corrida poderão ser sentidos independentemente da dose de corrida praticada, mesmo com apenas 50 minutos por semana.

Comentário: O desenho deste artigo apresenta algumas características a ter em conta na sua interpretação, nomeadamente o facto de incluir apenas indivíduos saudáveis. A salientar que doses elevadas de corrida não estão associadas a benefício na mortalidade. Estes dados constituem mais um elemento para fundamentar iniciativas de promoção da saúde e prevenção da doença através da prática de exercício físico.

Artigo original: British Journal of Sports Medicine

 Por Susana Miguel, USF Cruz de Celas  



Impacto da vacina contra HPV no diagnóstico de patologia cervical

MGFamiliar ® - Sunday, November 10, 2019





Pergunta clínica:
A vacinação para o vírus do papiloma humano (HPV), de raparigas aos 12-13 anos, diminui a prevalência de patologia cervical aos 20 anos de idade?

Desenho do estudo:
Estudo retrospetivo, de coorte, de base populacional, realizado na Escócia, incluindo mulheres com citologia ou colposcopia realizada aos 20 anos de idade. Definiram-se 3 grupos: pré-imunização (coorte 1988-90); vacinação catch-up (coorte 1991-94), potencialmente expostas previamente ao HPV; e mulheres imunizadas (coorte 1995-96), supostamente sem exposição prévia ao HPV. As lesões foram classificadas como: normal (sem neoplasia intra-epitelial cervical (CIN)), CIN grau 1, CIN grau 2 e CIN grau 3 ou superior. Foi calculada a eficácia da vacinação completa (3 doses).

Resultados: Foram incluídas 138.692 mulheres: 64.026 não foram vacinadas, 68.480 receberam as 3 doses da vacina e as restantes receberam apenas 1 ou 2 doses. A prevalência de CIN grau 3 ou superior diminuiu em 89% (de 0,59% no grupo pré-imunização para 0,06% no grupo de mulheres imunizadas); a prevalência de CIN grau 2 ou superior sofreu diminuição em 88% (de 1,44% para 0,17%). O decréscimo foi mais acentuado nas mulheres com vacinação completa. A eficácia da vacinação foi de 78% na coorte 1995-96 e 41% na coorte de 1991-94 para CIN grau 1; 89% na coorte de 1995-96 e 56% na coorte de 1991-94 para CIN grau 2; e 86% na coorte de 1995-96 e 45% na coorte 1991-94 para CIN grau 3 ou superior. Na coorte 1995-96 a diferença na prevalência de CIN de alto grau entre as vacinadas e não vacinadas não foi estatisticamente significativa. Foi observada proteção de grupo nas mulheres não vacinadas da coorte de 1995-96, com redução de 63% no CIN grau 1; 67% em CIN grau 2; e de 100% em CIN grau 3. 
Um diagnóstico de CIN3 foi evitado por cada 189 mulheres vacinadas 2  a 8 anos antes do primeiro rastreio (número necessário para vacinar = 189).

Comentário: Este estudo demonstra uma elevada efetividade da vacina bivalente contra o HPV. Com o alargamento do efeito protetor da vacina a um número adicional de tipos de HPV, é provável que a efectividade seja ainda superior. No futuro, poderá justificar-se a revisão do programa de rastreio do cancro do colo do útero. Estimou-se que a eficácia da vacinação é superior a 80%, se previamente à exposição, conferindo proteção individual, parecendo também criar efeito de grupo. Quanto às limitações da investigação salientamos: o desenho restrito às mulheres com 20 anos de idade e o período curto de seguimento das mulheres nascidas entre 1995 e 1996.

Artigo original: BMJ

Por Susana Miguel, USF Cruz de Celas  






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