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Recomendação USPSTF: rastreio de violência por parceiro íntimo

MGFamiliar ® - Sunday, March 17, 2019




Pergunta clínica: Nas mulheres em idade fértil, adultos vulneráveis e idosos o rastreio de violência por parceiro íntimo ou abuso é eficaz?

Desenho do estudo: Revisão da evidência realizada pela United States Preventive Services Task Force (USPSTF) sobre o rastreio de violência por parceiro íntimo a mulheres em idade reprodutiva e abuso de adultos vulneráveis ou idosos, sem sinais e sintomas reconhecidos de abuso. Os estudos incluíam adolescentes e mulheres na faixa etária dos 40 anos. Foram utilizados vários instrumentos de rastreio: HARK (Humilliation, Afraid, Rape, Kick); HITS (Hurt, Insult, Threaten, Scream); E-HITS (Extended, Hurt/Insult/Threaten/Scream); PVS (Partner Violence Screen); WAST (Woman Abuse Screening Tool).

Resultados: O rastreio de violência por parceiro íntimo em mulheres em idade reprodutiva e fornecimento de aconselhamento ou encaminhamento de mulheres com resultados positivos para os serviços de apoio existentes tem mais benefício do que dano. Há evidência suficiente de que os instrumentos de rastreio disponíveis podem identificar a violência por parceiro íntimo em mulheres. Na ausência de instituições de apoio, os estudos realizados não demonstram evidência na eficácia de intervenções breves ou no fornecimento de informações sobre outras opções de apoio. O benefício dos serviços de apoio em vigor está essencialmente presente em estudos sobre mulheres grávidas ou pós-parto. A evidência científica atualmente disponível é insuficiente para avaliar o risco-benefício do rastreio para abuso de idosos e abuso de adultos vulneráveis.

Conclusões e recomendações: A USPSTF recomenda que os médicos façam o rastreio para violência por parceiro íntimo em mulheres em idade reprodutiva e forneçam aconselhamento e/ou encaminhem as mulheres, que apresentem resultados positivos, para os serviços de apoio existentes (Recomendação B). 

Comentário: Estudos sobre como prevenir a violência por parceiro íntimo e abuso de adultos vulneráveis e idosos são ainda muito limitados, havendo, por isso, necessidade de mais ações de sensibilização, mais programas de educação para a saúde de forma mais ampla na sociedade. É necessária ainda mais investigação em todas as áreas relacionadas com a precisão dos instrumentos de rastreio para homens, e ensaios clínicos que demonstrem eficácia dos rastreios e intervenções para violência por parceiro íntimo  no contexto dos cuidados primários em homens sem sinais e sintomas reconhecidos de abuso. Sendo a violência por parceiro íntimo, o abuso de adultos vulneráveis e idosos um problema de saúde pública, o seu rastreio deverá envolver diversos setores como a família, os cuidadores, a comunidade, os média, numa dimensão global, política e social.

Artigo original: JAMA

Por Filipa Jorge, USF Santa Luzia



Programa de Tai Chi previne quedas em idosos

MGFamiliar ® - Saturday, March 09, 2019




Pergunta clínica:  Em idosos com elevado risco de queda, a prática de Tai Chi modificado resulta num menor número de quedas?

População: Idosos com pelo menos uma queda nos últimos 12 meses ou com mobilidade limitada
Intervenção: Programa de Tai Chi modificado especificamente orientado para o equilíbrio e fortalecimento de idosos
Comparação: Prática de Tai Chi modificado  vs programa de múltiplos exercícios vs alongamentos
Outcome: Incidência de quedas

Desenho do estudo: Estudo randomizado controlado realizado em Oregon, EUA.  Foram selecionados idosos com pelo menos uma queda nos últimos 12 meses ou com mobilidade limitada, mas a viver em ambulatório. Os utentes foram aleatoriamente distribuídos por um dos três grupos. Em todos os grupos foram realizadas duas sessões de 60 minutos de atividade física por semana ao longo de 6 meses. Num grupo, a atividade física constou de um programa de Tai Chi Quan modificado, especialmente desenhado para idosos com o objetivo de promover o equilíbrio e o fortalecimento muscular. Noutro grupo, a atividade física constou de um programa de múltiplos exercícios (exercício aeróbico, força, alongamento e flexibilidade). No terceiro grupo, a atividade física era constituída apenas por exercícios de alongamentos. Marcador primário: incidência de quedas durante o período de intervenção, a qual foi avaliada mensalmente segundo diversas metodologias (calendário diário de quedas, chamada telefónica). Dos 670 participantes, a idade média era de 77 anos, 65% eram do sexo feminino.

Resultados: No decorrer dos 6 meses de intervenção, 48.4% dos participantes reportaram quedas, sendo o risco significativamente menor no grupo que realizou o Tai Chi modificado que no grupo de múltiplos exercícios (p=0.04), verificando-se que estes dois grupos apresentavam risco de queda significativa menor do que o grupo dos alongamentos (p<0.001). A redução do risco de queda face ao grupo dos alongamentos foi de 58% e 31%, respetivamente para o grupo do Tai Chi modificado e para o grupo de múltiplos exercícios. Ainda que tenha ocorrido um número significativamente menor de quedas com lesão grave no grupo do Tai Chi modificado face ao grupo dos alongamentos (8 vs 25; p=0.008), não se verificaram diferenças significativas em lesões graves decorrentes de quedas entre ambos os grupos.

Comentário: Estudo pertinente que comprova benefícios com a prática do Tai Chi modificado. Os próprios autores defendem que é um modelo facilmente aplicável e adotável na prática clínica e com francos benefícios no risco de queda.

Artigo original: JAMA Intern Med

Por  Ana Aires, USF Alpha




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