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Flexopneia como fator de prognóstico na insuficiência cardíaca


MGFamiliar ® - Monday, February 12, 2018




Pergunta clínica: Nos doentes com insuficiência cardíaca sistólica, a presença de flexopneia aumenta o risco de resultados clínicos adversos?

Enquadramento: A flexopneia (do inglês bendopnea) é um sintoma de insuficiência cardíaca descrito em 2014 por Thibodeau et al, caracterizado por dificuldade respiratória com anteflexão do tronco. Está habitualmente associado a atividades de vida diária, como atar atacadores dos sapatos ou calçar meias.

Desenho do estudo: Estudo observacional, prospetivo e unicêntrico, realizado entre janeiro de 2014 e abril de 2015 com 179 doentes com insuficiência cardíaca sistólica, idade ≥ 18 anos e fração de ejeção ventricular ≤ 45%. Os doentes foram questionados sobre a presença ou não de flexopneia na admissão e depois acompanhados durante 1 ano. Outcome primário: morte ou internamento por insuficiência cardíaca. Outcomes secundários: iniciação de inotrópicos, transplantação cardíaca e implantação de dispositivo ventricular.

Resultados: O estudo decorreu durante cerca de 1 ano. Dos 179 participantes, 32 tinham flexopneia (18%). No final de um ano de acompanhamento, aqueles que tinham flexopneia tiveram maior risco de morte, de admissão por insuficiência cardíaca, de iniciação de terapêutica inotrópica e de implantação de dispositivo ventricular, embora nenhum desses outcomes individualmente fosse estatisticamente mais provável. A flexopneia foi mais fortemente associada a resultados a curto prazo, onde se inclui o internamento por insuficiência cardíaca aos 3 meses.

Comentário: Este estudo é inovador e coloca-nos em alerta para um possível fator prognóstico: a flexopneia. Apesar de nesta investigação a percentagem de doentes com flexopneia não ter sido elevada (18%) pode ser útil avaliar este tipo de dispneia e através disso estarmos mais atentos para o risco do doente ter resultados adversos a curto prazo. Há, contudo, que ressalvar que este estudo, foi um estudo unicêntrico, com uma amostra de conveniência e de reduzida dimensão, o que limita a generalização dos resultados a toda a população de pacientes com insuficiência cardíaca. Será pertinente aguardar se estuados adicionais confirmarão este resultado.  

Artigo original: Am Heart J

Por Marisa Gomes, USF Antonina



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