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Maioria das lesões CIN 2 não progride


MGFamiliar ® - Sunday, July 29, 2018




Pergunta clínica: Qual a taxa de progressão da neoplasia intraepitelial cervical de grau 2 não submetida a tratamento?

Desenho do estudo: Revisão sistemática e meta-análise realizada por pesquisa de estudos publicados de 1 de janeiro de 1973 a 20 de agosto de 2016 na Medline, na Embase e no Cumulative Index to Nursing and Allied Health Literature. Foram incluídos estudos realizados com mulheres com neoplasia intraepitelial cervical grau 2 confirmada histologicamente que não foram submetidas a tratamento aquando do diagnóstico, tendo sido mantidas em vigilância por três ou mais meses e com um diagnóstico disponível no final do período do estudo. Foram excluídos os estudos realizados com mulheres grávidas ou positivas para anticorpos HIV. Nos estudos elegíveis foram avaliadas as taxas de regressão, persistência ou progressão da neoplasia intraepitelial cervical grau 2 e de perda de seguimento em diferentes momentos (3, 6, 12, 24, 36 e 60 meses).

Resultados: 36 estudos, que incluíam 3160 mulheres, preencheram os critérios de elegibilidade (sete ensaios clínicos randomizados, 16 coortes prospetivas e 13 coortes retrospetivas). Aos 24 meses, a taxa estimada de regressão foi 50% (11 estudos, 819/1470 mulheres, IC 95% 43 a 57%), a taxa de persistência foi 32% (oito estudos, 334/1257 mulheres, IC 95% 23 a 42%) e a taxa de progressão foi 18% (nove estudos, 282/1445 mulheres, IC 95% 11 a 27%). Numa análise de subgrupos incluindo 1069 mulheres com menos de 30 anos, a taxa de regressão foi 60% (quatro estudos, 638/1069 mulheres, IC 95% 57% a 63%), a taxa de persistência foi 23% (dois estudos, 226/938 mulheres, IC 95% 20 a 26%) e a taxa de progressão foi 11% (três estudos, 163/1033 mulheres, IC 95% 5 a 19%), respetivamente. A taxa de perda de seguimento, aos 24 meses, foi 8% (seis estudos, 61/439 mulheres, IC 95% 1 a 21%).

Conclusão: A maioria das lesões de neoplasia intraepitelial cervical grau 2 , particularmente em mulheres jovens (< 30 anos), regride espontaneamente. Menos de 20% das lesões irão progredir nos 2 anos seguintes.

Comentário: Os resultados deste estudo revelaram uma elevada taxa de regressão das lesões de neoplasia intraepitelial cervical grau 2. Assim, a vigilância ativa, em alternativa à intervenção terapêutica imediata, pode ser uma opção justificada, especialmente nas mulheres mais jovens. De salientar, que o tratamento local da neoplasia intraepitelial cervical grau 2  está associado a risco de parto pré-termo e de aborto do segundo trimestre. Logo, reveste-se da maior importância, na nossa sociedade, em que a idade materna está cada vez mais a aumentar, a possibilidade de uma abordagem menos interventiva destas lesões com menor potencial progressivo.

Artigo original: BMJ

Por Vânia Gomes, USF Santo António 



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